Fiji declarou emergência nacional de saúde por HIV diante do rápido avanço das infecções no país. A estimativa oficial aponta que uma em cada 60 pessoas adultas vive atualmente com o vírus, proporção que era de uma em cada 167 cinco anos atrás.
A decisão foi anunciada pelo ministro da Saúde e Serviços Médicos, Atonio Lalabalavu, na quarta-feira (16). Segundo a UNAIDS, Fiji enfrenta uma das maiores acelerações de novas infecções por HIV no mundo, com aumento estimado de 12 vezes entre 2010 e 2025.
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Entenda o que aconteceu
O governo de Fiji declarou emergência diante do aumento acelerado dos casos de HIV e anunciou uma ampliação da resposta nacional à doença.
A UNAIDS estima que 9.100 pessoas viviam com HIV em Fiji em 2025. O problema é agravado pelo baixo diagnóstico e pelo acesso ainda limitado ao tratamento: apenas 39% das pessoas que vivem com o vírus sabiam de sua condição e 22% recebiam terapia antirretroviral.
O governo anunciou medidas para ampliar a realização de testes gratuitos e confidenciais, o acesso ao tratamento e a medicamentos de prevenção, como a profilaxia pré-exposição, conhecida como PrEP.
Casos aumentaram rapidamente
Os novos diagnósticos cresceram de forma expressiva nos últimos anos. Segundo dados divulgados pelas autoridades e pela UNAIDS, Fiji registrou mais de 2 mil novos diagnósticos em 2025.
A UNAIDS afirma que o número de novas infecções aumentou cerca de 12 vezes entre 2010 e 2025, colocando o país entre os locais com crescimento mais acelerado da epidemia.
A estimativa de uma pessoa adulta infectada a cada 60 também representa uma mudança significativa em relação ao cenário registrado cinco anos antes.
Transmissão sexual e uso de drogas estão entre os fatores
Entre os casos em que a forma de transmissão foi identificada, mais da metade está relacionada à transmissão sexual, enquanto mais de 42% estão ligados ao uso de drogas injetáveis, segundo a UNAIDS.
O compartilhamento de agulhas e equipamentos para injeção é considerado um dos principais fatores associados ao crescimento das infecções.
As autoridades também apontam questões como o baixo uso de preservativos, acesso limitado a testes e o estigma relacionado ao HIV como obstáculos para conter a transmissão.
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Bebês também foram afetados
A emergência também preocupa pelas infecções entre recém-nascidos.
Dados oficiais apontam que 59 bebês nasceram com HIV em Fiji em 2025. Desses, 18 morreram antes de completar um ano de idade.
O HIV pode ser transmitido da mãe para o bebê durante a gestação, o parto e a amamentação. O diagnóstico durante o pré-natal e o acesso adequado ao tratamento são medidas importantes para reduzir o risco de transmissão vertical.
Governo anuncia ampliação da prevenção
Como parte da resposta à emergência, Fiji pretende ampliar o acesso à PrEP, medicamento utilizado por pessoas que não têm HIV para reduzir o risco de adquirir o vírus.
A UNAIDS também informou que o governo planeja implementar um programa de distribuição de agulhas e seringas para pessoas que fazem uso de drogas injetáveis. A medida busca reduzir a transmissão associada ao compartilhamento desses equipamentos.
Também está prevista a ampliação de testes voluntários e confidenciais e do acesso ao tratamento antirretroviral.
Apenas uma parte das pessoas infectadas sabe que tem HIV
Um dos principais desafios apontados pelas autoridades é identificar as pessoas que vivem com o vírus, mas ainda não sabem que estão infectadas.
A estimativa da UNAIDS indica que somente 39% das pessoas vivendo com HIV em Fiji conheciam seu diagnóstico em 2025. Entre elas, apenas 22% estavam recebendo tratamento antirretroviral.
Sem tratamento, o HIV pode comprometer progressivamente o sistema imunológico e evoluir para a AIDS. Com acompanhamento médico e terapia antirretroviral, porém, pessoas vivendo com HIV podem controlar o vírus e ter qualidade e expectativa de vida próximas às de pessoas sem a infecção.
Estigma também dificulta o combate ao HIV
Além dos fatores relacionados à transmissão e ao acesso aos serviços de saúde, organizações que atuam com pessoas vivendo com HIV apontam o estigma e o medo da discriminação como barreiras ao diagnóstico e ao tratamento.
A UNAIDS destacou que organizações comunitárias e profissionais de apoio têm papel importante na orientação, na realização de testes e na aproximação das pessoas com os serviços de saúde.
O governo de Fiji também reforçou que a discriminação contra pessoas vivendo com HIV é ilegal.
Entenda o contexto
O avanço do HIV em Fiji ocorre em um momento em que o cenário global apresenta tendência diferente. Segundo informações divulgadas pela UNAIDS, as novas infecções por HIV no mundo caíram cerca de 42% entre 2010 e 2025.
Fiji, por outro lado, registrou crescimento acelerado no mesmo período. A combinação de transmissão sexual, aumento do uso de drogas injetáveis, baixa cobertura de diagnóstico e tratamento e estigma contribuiu para aumentar a pressão sobre o sistema de saúde.
A declaração de emergência pretende acelerar a resposta do país, com mais testes, prevenção, tratamento, redução de danos e participação das comunidades.
A UNAIDS afirmou que apoiará Fiji na implementação das novas medidas e classificou a situação como um alerta sobre a necessidade de manter os esforços globais de prevenção e tratamento do HIV.
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