O Banco Central anunciou novas mudanças nas regras do Pix que ampliam as possibilidades de uso do sistema em contas-salário e reforçam os mecanismos de segurança contra fraudes. As alterações fazem parte da agenda de aperfeiçoamento do sistema de pagamentos instantâneos.
A medida afeta diretamente trabalhadores que recebem salários por meio dessas contas e também instituições financeiras, que terão de seguir novos procedimentos para reduzir riscos de golpes e operações fraudulentas.
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Entenda o que aconteceu
As mudanças fazem parte do processo contínuo de atualização das regras do Pix pelo Banco Central. O objetivo é ampliar a funcionalidade do sistema sem deixar de reforçar os mecanismos utilizados pelas instituições para identificar movimentações suspeitas.
A conta-salário é destinada ao recebimento de salários, aposentadorias e pensões. A possibilidade de ampliar seu uso com o Pix representa uma mudança na forma como esses recursos podem ser movimentados pelos titulares.
Além da questão relacionada às contas-salário, o Banco Central vem implementando uma série de medidas para dificultar fraudes e aumentar as possibilidades de recuperação de valores desviados.
O que muda para quem recebe salário
Com as novas regras, o Pix passa a ter utilização ampliada no contexto das contas-salário, facilitando a movimentação dos recursos recebidos pelo trabalhador.
A conta-salário possui características diferentes de uma conta corrente convencional. Ela é aberta por iniciativa do empregador para o pagamento de salários e outros benefícios, e o trabalhador pode realizar a portabilidade dos recursos para outra instituição.
A ampliação do uso do Pix busca acompanhar a forma como os brasileiros já utilizam o sistema no dia a dia, tornando mais simples a movimentação dos valores recebidos.
Banco Central reforça mecanismos contra fraudes
A segurança continua sendo uma das principais frentes de atualização do Pix. O Banco Central já utiliza mecanismos como o Mecanismo Especial de Devolução (MED), o bloqueio cautelar e o compartilhamento de informações sobre marcações de fraude entre instituições participantes.
O MED permite que uma vítima conteste uma transferência suspeita e tente recuperar os recursos, desde que sejam atendidos os requisitos previstos nas regras do sistema e ainda exista dinheiro disponível para devolução.
Desde setembro de 2026, também passou a valer uma ampliação do prazo para contestação de determinadas devoluções feitas pelo MED. O período passou de 30 para 80 dias em situações envolvendo devoluções contestadas por quem recebeu legitimamente um Pix e posteriormente sofreu uma devolução indevida.
Rastreamento do dinheiro aumenta capacidade de recuperação
Outra mudança importante na agenda de segurança é o aprimoramento do mecanismo de devolução.
O chamado MED 2.0 permite acompanhar o caminho dos recursos depois que uma fraude é contestada. A intenção é evitar que criminosos simplesmente transfiram o dinheiro para outras contas para dificultar sua recuperação.
O mecanismo não significa que todo dinheiro enviado por Pix será monitorado indiscriminadamente. O rastreamento está relacionado a situações de fraude que são formalmente contestadas dentro do sistema.
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O que muda para bancos e instituições
As novas regras também aumentam as responsabilidades das instituições participantes do sistema financeiro.
O Banco Central vem exigindo controles mais rigorosos para identificação de fraudes, validação de informações e gerenciamento de riscos. Entre as medidas já adotadas estão restrições para transações envolvendo contas identificadas como fraudadoras e mecanismos de compartilhamento de informações sobre fraudes entre os participantes do Pix.
A agenda também inclui mudanças nos requisitos de experiência do usuário. Em setembro de 2026, o Banco Central divulgou uma nova versão desses requisitos, com alterações relacionadas à comunicação ao usuário quando uma transação não puder ser realizada devido à identificação de suspeita de fraude.
Pix continua passando por mudanças
Desde o lançamento, o Pix passou por sucessivas atualizações para ampliar suas funcionalidades e aumentar a segurança.
Entre os mecanismos já incorporados estão limites diferenciados de transação, bloqueio cautelar, marcação de fraude, cadastro de dispositivos para determinadas operações e o próprio MED.
A estratégia do Banco Central é manter uma agenda permanente de aprimoramento do sistema, acompanhando novas formas de fraude e mudanças no comportamento dos usuários.
Entenda o contexto
O Pix se tornou uma das principais formas de pagamento e transferência de dinheiro no Brasil. Com a popularização do sistema, aumentaram também as tentativas de exploração da ferramenta por criminosos.
Por isso, o Banco Central vem combinando a expansão das funcionalidades do Pix com novas camadas de proteção. A lógica é permitir que o sistema seja utilizado em mais situações, inclusive no recebimento e movimentação de salários, enquanto instituições financeiras recebem ferramentas adicionais para identificar operações suspeitas e tentar recuperar recursos desviados.
As mudanças, portanto, fazem parte de um processo contínuo de evolução do Pix, que combina maior praticidade para o usuário e exigências adicionais de segurança para as instituições.
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