A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) atualizou os materiais de orientação sobre o uso de fitoterápicos e plantas medicinais. A cartilha e o folder reúnem recomendações para ajudar a população a utilizar esses produtos de maneira segura e adequada.
Entre as principais orientações estão a compra de fitoterápicos apenas em estabelecimentos autorizados, o acompanhamento das informações presentes na bula e a atenção aos riscos de combinar diferentes medicamentos.
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Entenda o que aconteceu
A atualização dos materiais ocorre em um momento de mudanças no marco regulatório dos fitoterápicos no Brasil. A Anvisa vem revisando as regras para registro, notificação, controle de qualidade e segurança desses medicamentos.
A cartilha apresenta orientações destinadas ao público em geral sobre o uso correto de fitoterápicos e plantas medicinais. O material destaca que produtos dessa categoria também podem apresentar riscos quando utilizados de maneira inadequada.
A própria Anvisa orienta que os fitoterápicos utilizados pela população estejam regularizados, com registro ou notificação na Agência, ou sejam manipulados em farmácias por profissionais habilitados.
O que são fitoterápicos
Fitoterápicos são medicamentos produzidos a partir de matérias-primas vegetais. Apesar de terem origem em plantas, eles não devem ser tratados como produtos necessariamente isentos de riscos.
A composição, a concentração dos componentes e a forma de utilização podem interferir na segurança e nos efeitos do produto. Por isso, a orientação profissional e o cumprimento das informações da bula são importantes.
A Anvisa mantém uma área específica para fitoterápicos, com informações regulatórias e orientações destinadas tanto à população quanto ao setor responsável pela produção e comercialização desses medicamentos.
Como usar fitoterápicos com segurança
A cartilha atualizada recomenda que os produtos sejam adquiridos somente em farmácias e drogarias autorizadas pela vigilância sanitária local.
Também é necessário:
seguir as orientações da bula, do folheto e da rotulagem;
respeitar as condições de armazenamento;
verificar a data de validade;
evitar o uso de medicamentos vencidos;
ter atenção ao combinar diferentes medicamentos, já que uma associação pode alterar os efeitos e a toxicidade.
Esses cuidados são importantes mesmo quando o produto tem origem vegetal.
Planta medicinal não significa ausência de risco
Um dos principais alertas relacionados ao uso de plantas medicinais é a ideia de que produtos naturais seriam automaticamente seguros.
A ação de substâncias presentes nas plantas pode variar de acordo com a espécie, preparação, dose e forma de utilização. Além disso, algumas substâncias podem interagir com outros medicamentos.
Por esse motivo, pessoas que utilizam medicamentos regularmente devem informar o profissional de saúde sobre o uso de plantas medicinais ou fitoterápicos.
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Novo marco regulatório também está em vigor
A atualização dos materiais ocorre em paralelo às mudanças recentes na regulamentação dos fitoterápicos. Em 2025, a Anvisa aprovou um novo marco regulatório para esses medicamentos, com regras relacionadas ao registro e à notificação, às restrições de composição, ao controle de resíduos de agrotóxicos e ao registro simplificado.
Em fevereiro de 2026, a Agência também publicou documentos destinados ao registro simplificado de fitoterápicos. Foram disponibilizadas monografias, relatórios de avaliação e pareceres relacionados a espécies vegetais, com informações técnicas que podem ser utilizadas na avaliação de segurança e eficácia ou efetividade desses produtos.
Farmacopeia também ganhou atualização
Outra mudança recente foi a entrada em vigor, em julho de 2026, da 3ª edição do Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira.
O novo compêndio consolidou atualizações realizadas durante um ciclo de cinco anos, harmonizou definições com o novo marco regulatório e implantou um sistema de codificação das monografias.
A terceira edição reúne 85 monografias de espécies vegetais e 236 formulações. O documento serve como referência para formulações fitoterápicas e para o sistema de notificação de produtos tradicionais fitoterápicos na Anvisa.
Entenda o contexto
A atualização das orientações faz parte de um movimento mais amplo de aprimoramento da regulação dos fitoterápicos no Brasil. A Anvisa afirma que o novo marco busca estabelecer regras atualizadas e alinhadas às práticas internacionais, com foco na qualidade, segurança e eficácia dos produtos.
Para o consumidor, a principal recomendação é não considerar um fitoterápico simplesmente como uma alternativa sem riscos aos medicamentos convencionais. A origem vegetal não elimina a necessidade de controle sanitário, orientação adequada e atenção às possíveis interações.
A cartilha atualizada reforça justamente essa ideia: o uso correto depende da escolha de produtos regularizados, do cumprimento das orientações de utilização e do acompanhamento de profissionais habilitados quando necessário.
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