Sabe aquela sensação de conforto que aparece quando o cheiro de café recém-passado toma conta da casa? Um estudo realizado no Japão indica que essa reação pode ir além da memória afetiva: o aroma do café foi associado a mudanças momentâneas no humor e em um indicador cerebral relacionado ao relaxamento, mesmo sem os participantes beberem a bebida.
A pesquisa foi realizada por cientistas da Showa Pharmaceutical University e publicada em setembro de 2026 na revista científica Nutrients. O experimento envolveu 20 adultos saudáveis, com idades entre 20 e 29 anos, que foram expostos ao aroma de café recém-preparado durante cinco minutos.
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Entenda o que aconteceu
Os pesquisadores queriam descobrir se o cheiro do café, isoladamente, poderia provocar alguma alteração psicológica ou fisiológica. Para isso, os participantes foram avaliados antes e depois de permanecerem expostos ao aroma da bebida por cinco minutos.
Os voluntários não consumiram café durante o experimento. Foram analisados indicadores de humor, atividade elétrica cerebral, frequência cardíaca e variabilidade da frequência cardíaca.
Após a exposição, os pesquisadores observaram uma redução na chamada perturbação total do humor, além de mudanças em algumas dimensões específicas avaliadas pelo questionário aplicado.
O que mudou depois de sentir o cheiro do café
As maiores mudanças apareceram em indicadores relacionados a fadiga, tensão e ansiedade, confusão e desânimo.
Depois dos cinco minutos de exposição ao aroma, essas medidas apresentaram redução estatisticamente significativa após o ajuste utilizado pelos pesquisadores. O estudo também encontrou aumento em um índice obtido a partir do eletroencefalograma (EEG) e associado a um estado de relaxamento.
Já a frequência cardíaca e a variabilidade da frequência cardíaca não apresentaram mudanças estatisticamente significativas no experimento.
Por que o cheiro pode influenciar o humor
O olfato possui uma relação próxima com regiões cerebrais envolvidas no processamento de emoções e memórias. Por isso, determinados aromas podem provocar respostas emocionais mesmo sem que a pessoa consuma ou toque na substância que produz o cheiro.
No caso do café, essa relação pode envolver tanto o estímulo olfativo propriamente dito quanto experiências anteriores associadas à bebida.
O estudo, porém, não permite afirmar exatamente qual mecanismo provocou as alterações observadas. Os próprios pesquisadores destacam que diferentes respostas psicológicas, cerebrais e cardiovasculares não necessariamente estão relacionadas entre si.
Cinco minutos foram suficientes para observar mudanças
O experimento utilizou uma exposição de apenas cinco minutos ao aroma de café recém-preparado.
Os resultados mostraram uma redução média de 20,54 pontos na medida de perturbação total do humor. O índice de relaxamento obtido pelo EEG também aumentou após a exposição.
Isso significa que os pesquisadores observaram alterações logo após um período curto de exposição, mas não que o efeito necessariamente permaneça durante horas ou tenha consequências duradouras.
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Estudo anterior também investigou o aroma do café
A pesquisa de 2026 não é a primeira a investigar possíveis efeitos do cheiro da bebida.
Um estudo publicado em 2024 analisou 58 estudantes de pós-graduação em odontologia durante uma situação considerada potencialmente estressante. Parte dos participantes foi exposta ao aroma de café, enquanto outro grupo não recebeu o mesmo estímulo.
Os pesquisadores observaram uma menor elevação de um marcador de estresse presente na saliva entre as pessoas expostas ao aroma, além de diferenças na frequência cardíaca entre os grupos.
Os resultados, entretanto, não significam que o cheiro de café seja um tratamento comprovado contra ansiedade ou estresse.
O que ainda não se sabe
Apesar dos resultados, é preciso cautela para interpretar a descoberta.
O estudo mais recente envolveu apenas 20 pessoas, utilizou um desenho de grupo único e avaliou uma exposição curta. Não houve um grupo de controle independente para comparação.
Por isso, os resultados mostram uma associação entre a exposição ao aroma e mudanças observadas nos participantes, mas não permitem concluir que o cheiro do café seja capaz de melhorar o humor de todas as pessoas ou produzir efeitos duradouros.
Pesquisas maiores, controladas e com diferentes grupos de participantes ainda são necessárias para entender a dimensão desse efeito.
Entenda o contexto
O café possui diversos compostos responsáveis pelo aroma característico liberado durante o preparo. Quando essas moléculas chegam ao sistema olfativo, o estímulo pode ser processado por circuitos relacionados à percepção, memória e emoção.
O novo estudo acrescenta evidências de que a exposição ao aroma pode estar associada a alterações momentâneas no estado emocional e em determinados sinais de atividade cerebral.
Isso não significa, porém, que seja necessário beber café para obter qualquer sensação de relaxamento — nem que simplesmente sentir o cheiro da bebida tenha efeito terapêutico comprovado.
O que a pesquisa mostra é mais específico: cinco minutos de exposição ao aroma foram seguidos por mudanças em medidas de humor e em um indicador cerebral de relaxamento em um pequeno grupo de adultos jovens.
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