Milei demite 12 funcionários e coloca residência presidencial sob comando da Casa Militar

Mudança na Quinta de Olivos ocorre após relatos de supostos vazamentos sobre a rotina do presidente; governo cita reforço da segurança e redução da estrutura
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O presidente da Argentina, Javier Milei, determinou a saída de 12 funcionários civis da Quinta de Olivos, residência oficial da Presidência nos arredores de Buenos Aires. A mudança inclui a dissolução da estrutura administrativa que cuidava do local e a transferência da responsabilidade integral pela segurança da residência para a Casa Militar.

A reorganização ocorre após relatos de supostas filtragens de informações sobre a rotina de Milei e pessoas próximas ao presidente, segundo fontes citadas pelo jornal argentino La Nación. O governo, porém, não mencionou diretamente os vazamentos no comunicado oficial e justificou a medida pela necessidade de reforçar a segurança, reduzir a estrutura e elevar os padrões de eficiência na residência presidencial.

 

Casa Militar assumirá controle da Quinta de Olivos

A Casa Militar, órgão responsável pela segurança do presidente argentino, passará a concentrar a responsabilidade pela Quinta de Olivos e também pelas residências temporárias utilizadas por Milei e sua família. A transferência das responsabilidades e dos bens deverá ser concluída em até 60 dias.

Segundo o governo argentino, a mudança permitirá reorganizar as funções de segurança, administração e controle da residência. A Casa Militar ficará responsável pela estrutura geral, enquanto atividades como cozinha, limpeza e jardinagem continuarão sendo realizadas por trabalhadores civis, de acordo com informações divulgadas pelo Executivo.

Leia também:

Milei autoriza expulsão por ofensa a símbolos da Argentina

 

Doze funcionários foram dispensados

Entre os funcionários que deixaram a Quinta de Olivos está Osvaldo Javier Sosa, que ocupava a função de responsável pela administração da residência. Também foram atingidos trabalhadores das áreas administrativa, de cozinha e de jardinagem.

O dirigente sindical Daniel Catalano, da Associação de Trabalhadores do Estado (ATE), afirmou ao La Nación que os funcionários chegaram ao local para trabalhar e foram impedidos de entrar. Segundo ele, os trabalhadores aguardavam o recebimento dos telegramas de demissão e não receberam explicações sobre os desligamentos.

 

Governo cita segurança e eficiência

Em comunicado divulgado nesta quinta-feira (17), o governo argentino afirmou que a Casa Militar assumirá a responsabilidade integral pelas funções de segurança da Quinta de Olivos e das residências temporárias do presidente e de sua família.

O Executivo afirmou que a reorganização tem como objetivos fortalecer a segurança presidencial e facilitar os processos administrativos internos. Também citou a necessidade de elevar os padrões de eficiência diante do que classificou como uma escalada da insegurança em nível global.

 

Supostos vazamentos aparecem como outro motivo

Embora não tenham sido citados diretamente no comunicado oficial, os supostos vazamentos aparecem em relatos publicados pela imprensa argentina como um dos fatores que teriam contribuído para a decisão.

Fontes ouvidas pelo La Nación afirmaram que o governo identificou riscos relacionados à circulação de informações sobre as atividades privadas de Milei e seu círculo próximo. A avaliação, segundo essas fontes, teria levado à decisão de reforçar o controle sobre quem trabalha na residência.

O governo não apresentou publicamente detalhes sobre quais informações teriam sido vazadas nem identificou funcionários como responsáveis por qualquer irregularidade. Por isso, os relatos sobre as filtragens permanecem como parte das informações atribuídas a fontes consultadas pela imprensa.

 

Casa Militar responde à Secretaria-Geral da Presidência

A Casa Militar é responsável pela proteção do presidente argentino e de sua família. A estrutura também atua na segurança da Casa Rosada e de outros locais utilizados pelo chefe de Estado.

O órgão responde à Secretaria-Geral da Presidência, comandada por Karina Milei, irmã do presidente. Com a reorganização de Olivos, a Casa Militar amplia sua participação na administração da residência oficial, além das funções de segurança que já exercia.

 

Visita do papa também foi citada pelo governo

Outro argumento apresentado pelo governo argentino para a mudança é a visita do papa Leão XIV ao país, prevista para novembro. Segundo a Presidência, a viagem deverá exigir a presença de equipes externas para obras e serviços de preparação.

O governo afirmou que a reorganização da residência permitirá reduzir a estrutura formal e a quantidade de pessoas que permanecem no local. A medida também pretende concentrar a coordenação das atividades sob uma única estrutura administrativa.

 

Milei passa parte da rotina em Olivos

A Quinta de Olivos fica na localidade de Olivos, na província de Buenos Aires, a cerca de 17 quilômetros da Casa Rosada. Embora o palácio presidencial continue sendo o principal local de trabalho do governo, Milei passa parte significativa de seus dias úteis na residência oficial.

A rotina do presidente no local é mantida sob forte reserva. A mudança anunciada pelo governo aumenta o controle da Casa Militar sobre o espaço onde Milei realiza reuniões e mantém parte de suas atividades privadas.

Veja também:

Chanceler cobra fim de ataques de Milei a Lula para melhorar relação com Argentina

 

Entenda o contexto

A reorganização da Quinta de Olivos acontece em um período de mudanças na estrutura de segurança do governo argentino. A Casa Militar já era responsável pela proteção de Milei e de sua família, mas agora passará a concentrar também a coordenação da residência presidencial.

A decisão ocorre em meio a um ambiente de maior preocupação do governo com a segurança e com a circulação de informações sobre a rotina do presidente. Os relatos sobre possíveis vazamentos foram publicados pela imprensa argentina, enquanto a justificativa oficial apresentada pela Presidência se concentra em segurança, eficiência administrativa e redução da estrutura.

A medida também deve alterar a relação dos funcionários civis que continuam trabalhando em Olivos com a administração da residência. Eles permanecerão responsáveis por tarefas como limpeza, cozinha e manutenção, mas passarão a atuar dentro da estrutura coordenada pela Casa Militar.

O processo de transferência das responsabilidades e dos bens da Quinta de Olivos deverá ser concluído em até 60 dias. Até lá, a reorganização seguirá sendo implementada pelo governo argentino.

 

Mais lidas do NC News:

Teto da cabine de Boeing 737 desaba durante voo no Irã; passageiros precisam trocar de avião

Quem foi Anne Frank? A história da adolescente judia que virou símbolo da perseguição nazista e foi chamada de “vitimista”

iPhone 18 Pro chega ao Brasil nesta sexta-feira; veja preços, novidades e prazo de entrega

Carregar Comentários