A Guarda Civil Metropolitana (GCM) de São Paulo completou 40 anos de atuação na capital nesta semana. Criada em 15 de setembro de 1986, durante a gestão do então prefeito Jânio Quadros, a corporação começou com uma primeira turma de 150 agentes e uma estrutura ainda marcada pela falta de equipamentos e recursos. Quatro décadas depois, a GCM reúne quase 7 mil homens e mulheres, atua em diferentes regiões da cidade e incorporou tecnologia, unidades especializadas e novas ferramentas de monitoramento à rotina dos agentes.
A trajetória foi lembrada nesta sexta-feira (18), durante uma cerimônia no Distrito Anhembi, que reuniu integrantes da corporação, veteranos, autoridades municipais e representantes de outras forças de segurança. O evento também marcou a apresentação dos avanços registrados nos últimos anos, como a ampliação do efetivo, o aumento da frota, a modernização do armamento e a utilização do Smart Sampa, sistema que atualmente conta com 50 mil câmeras instaladas na capital.
De 150 agentes e armas emprestadas à estrutura atual
A criação oficial da GCM ocorreu por meio da Lei Municipal nº 10.115, de 15 de setembro de 1986, assinada pelo então prefeito Jânio Quadros. O texto estabeleceu a corporação como uma instituição uniformizada e armada, inicialmente vinculada à Secretaria Municipal de Defesa Social, com a função de proteger e vigiar bens, serviços e instalações municipais e colaborar com a segurança pública.
A primeira turma tinha 150 agentes. Nos primeiros meses, porém, a nova instituição enfrentou dificuldades de estrutura, desde a falta de instalações adequadas até problemas com transporte, alimentação, veículos e armamento. Segundo registros históricos da Câmara Municipal, os primeiros guardas chegaram a utilizar armas emprestadas pelo Exército Brasileiro.
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Os primeiros anos foram marcados pela falta de estrutura
Paulo José Barbosa, que participou da formação dos primeiros integrantes da corporação, acompanhou de perto os obstáculos enfrentados no início da GCM. Antes mesmo da criação oficial da instituição, ele entrou para a equipe responsável por preparar os primeiros agentes.
Barbosa lembra que a estrutura ainda era embrionária e que a nova corporação precisava ser construída praticamente do zero.
“Eu entrei na Guarda antes de a Guarda ser Guarda”, recordou durante as comemorações dos 40 anos.
Segundo ele, os problemas iam além do treinamento. Os primeiros alunos enfrentavam dificuldades financeiras para frequentar o curso de formação, enquanto a instituição ainda não contava com uma estrutura própria para oferecer alimentação e transporte.
“Não foi fácil o começo. Todo começo é meio complicado, porque era algo inédito na Prefeitura. Uma instituição com uma característica policial. Então, não tinha instalações, era muito precário”, relatou Barbosa.
Agentes chegaram a recuperar veículos para transformá-los em viaturas
A falta de veículos próprios também fazia parte da rotina dos primeiros guardas. De acordo com Barbosa, a corporação recorria a veículos que haviam sido descartados por outros serviços públicos e que eram recuperados para serem utilizados no patrulhamento.
“Naquela época, os guardas conseguiam veículos que eram baixados, descartados, ambulâncias, veículos que eram utilizados pelos bombeiros. Iam aos desmanches, retiravam esses veículos e reformavam às próprias custas para se transformar em viatura”, contou.
O cenário contrastava com a estrutura disponível atualmente. Desde 2021, a frota da GCM passou de 251 para 610 viaturas, segundo a Prefeitura, enquanto o número de motocicletas destinadas ao patrulhamento ostensivo subiu de 71 para 270. A corporação também recebeu novas pistolas, armas calibre 12, carabinas e fuzis.
Efetivo cresceu e novas contratações estão previstas
O aumento do efetivo é uma das principais mudanças registradas pela GCM nas últimas quatro décadas. Atualmente, a corporação conta com quase 7 mil homens e mulheres em atuação nas ruas, segundo a Secretaria Municipal de Segurança Urbana. A Prefeitura também informa que 2 mil novos agentes foram incorporados desde 2021.
Um concurso público está em andamento para a contratação imediata de mais 500 guardas. A gestão municipal afirma ainda que pretende ampliar o reforço até 2028, chegando a 4 mil novos profissionais chamados durante o atual mandato.
Durante a cerimônia, o prefeito Ricardo Nunes destacou a ampliação da estrutura e afirmou que a gestão pretende continuar aumentando o número de profissionais.
“Só na minha gestão houve um aumento de 98% no salário inicial da carreira. Já fizemos o chamamento de 2.000 policiais municipais. Hoje está tendo concurso para mais 500”, afirmou.
Investimentos também alcançaram salários e equipamentos
Segundo a Prefeitura, o orçamento anual da Secretaria Municipal de Segurança Urbana passou de R$ 700 milhões em 2021 para R$ 1,9 bilhão em 2026. O salário inicial da carreira teve aumento de 98%, enquanto a Diária Especial de Atividade Complementar (DEAC) foi reajustada em 50%. O seguro de vida dos profissionais também foi ampliado de R$ 50 mil para R$ 100 mil.
Para Nunes, a modernização da estrutura precisa estar acompanhada da valorização dos agentes.
“Reconhecimento é dar condições de trabalho, é dar um salário digno, é dar remuneração”, afirmou o prefeito durante a solenidade.
A frota, o armamento e os equipamentos também passaram por mudanças. A Prefeitura afirma que foram disponibilizadas 1.984 pistolas Glock calibre 9 mm, além de outros armamentos utilizados pelas equipes especializadas.
Smart Sampa passa a integrar rotina da GCM
Uma das principais transformações na segurança urbana de São Paulo nos últimos anos foi a incorporação de ferramentas de monitoramento eletrônico. O Smart Sampa, implantado em 2024, reúne atualmente 50 mil câmeras espalhadas pela capital e permite o acompanhamento de imagens em tempo real.
O sistema é utilizado para auxiliar na identificação de pessoas procuradas pela Justiça, localização de veículos com restrição, atendimento de ocorrências e localização de pessoas desaparecidas. A central também conta com a participação de guardas civis metropolitanos.
Segundo a Prefeitura, o Smart Sampa já auxiliou na captura de mais de 3.560 foragidos da Justiça e em mais de 6.520 prisões em flagrante. O sistema também contribuiu para 3.650 ocorrências envolvendo veículos e para a localização de mais de 260 pessoas desaparecidas.
Durante a cerimônia, Nunes destacou especificamente o uso do reconhecimento facial.
“A gente já fez mais de 3.500 prisões de foragidos pelo reconhecimento facial do Smart Sampa”, afirmou.
Tecnologia também é usada na proteção de mulheres
O Smart Sampa passou a ser utilizado em outras frentes além da identificação de procurados. Em agosto, a Prefeitura e o Ministério Público firmaram um convênio para usar as câmeras na localização de homens que ainda não haviam sido encontrados para receber notificações de medidas protetivas.
Segundo a Prefeitura, mais de 2 mil homens estavam nessa situação. A proposta prevê que imagens dessas pessoas sejam inseridas no sistema para que, em caso de identificação pelas câmeras, a Guarda Civil Metropolitana possa realizar a abordagem e auxiliar no cumprimento da notificação judicial.
A medida ampliou o uso do sistema para uma área relacionada à proteção de mulheres vítimas de violência e passou a integrar a atuação da GCM com outras instituições públicas.
Corporação mantém unidades especializadas
A atuação da GCM também deixou de estar concentrada apenas no patrulhamento de espaços municipais. Atualmente, a corporação possui unidades especializadas em Operações Especiais, Defesa Ambiental, Canil, Ações Integradas, Apoio Motorizado, Defesa da Mulher e Ações Sociais.
Os agentes atuam em escolas, equipamentos públicos, grandes eventos e operações conjuntas com outras forças de segurança. A estrutura também inclui o DronePol, divisão criada para operar drones em apoio às equipes em solo e às ações de monitoramento e Defesa Civil.
Na área ambiental, a corporação mantém equipes especializadas em fiscalização e proteção de áreas verdes. Em julho, por exemplo, uma operação da Guarda Civil Metropolitana Ambiental resultou no resgate de mais de 60 animais mantidos em condições consideradas inadequadas em um local apontado como canil irregular.
GCM passou a atuar em diferentes frentes da cidade
Ao longo das quatro décadas, as atribuições da corporação foram acompanhando as demandas da capital. Além da proteção de bens e equipamentos públicos, os agentes passaram a atuar em áreas como segurança em escolas, proteção ambiental, grandes eventos, apoio a pessoas em situação de risco e ações integradas com as polícias Militar e Civil.
A divisão especializada de proteção à mulher também passou a fazer parte dessa estrutura. O uso do Smart Sampa para localizar pessoas que precisam ser notificadas sobre medidas protetivas é um dos exemplos recentes de integração entre tecnologia, GCM e sistema de Justiça.
O trabalho cotidiano também inclui patrulhamento em áreas de grande circulação. Em julho, equipes da GCM prenderam dois suspeitos de roubo de celular na Avenida Paulista após uma ocorrência registrada na região.
Romu e outras unidades ampliaram atuação operacional
Entre as estruturas especializadas está a Rondas Ostensivas Municipais (Romu), utilizada em ações de patrulhamento e ocorrências que exigem equipes com treinamento específico. A corporação também conta com unidades voltadas ao apoio motorizado e operações especiais.
A presença dessas equipes ajudou a ampliar o perfil operacional da GCM ao longo dos anos, sem deixar de lado as atribuições relacionadas à proteção dos equipamentos e serviços municipais.
Veteranos acompanham transformação da corporação
As mudanças dos últimos 40 anos também podem ser observadas na trajetória de agentes que ingressaram na instituição em 1986 e continuam na ativa. Um deles é Sérgio Turbiani Batista, que entrou para a GCM aos 20 anos, depois de ter servido na Força Aérea.
Batista lembra que se inscreveu para a nova corporação ainda vestindo a farda militar. Quatro décadas depois, continua trabalhando na região de Santana.
“Hoje o sentimento é de orgulho imenso em fazer parte ainda dessa corporação. Poderia já estar aposentado, mas continuo na Guarda porque gosto do que faço”, afirmou.
História também chegou à nova geração
A ligação de Batista com a GCM ultrapassou a própria trajetória profissional. Sua filha, Laís Viveiros, formada em Direito, também ingressou na corporação e atualmente trabalha no Canil da GCM.
O caso representa uma das formas como a história da instituição passou de uma geração para outra. Para o veterano, acompanhar a filha construindo a própria carreira dentro da corporação acrescenta um significado pessoal às quatro décadas de serviço.
Barbosa também destaca a transformação profissional dos primeiros alunos que ajudou a formar. Segundo ele, integrantes que começaram como guardas chegaram posteriormente a postos de comando dentro da instituição.
“Eu vejo aqui muitos dos colegas que eram meus alunos guardas, que hoje estão como superintendentes. O comandante-geral foi meu aluno guarda. Então ver como essa geração evoluiu na carreira, abraçando a causa, é um orgulho muito grande”, afirmou.
Prefeitura destaca integração com outras forças
Durante a cerimônia, Ricardo Nunes também ressaltou que a atuação da GCM não ocorre de forma isolada. O prefeito citou a integração com as polícias Militar, Civil e Federal como parte da estratégia de segurança da capital.
Segundo a administração municipal, a ideia é combinar presença dos agentes nas ruas, tecnologia, compartilhamento de informações e atuação conjunta em operações. A Secretaria Municipal de Segurança Urbana também afirma que planejamento e integração são fundamentais para a atuação da corporação.
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Entenda o contexto
A Guarda Civil Metropolitana foi criada oficialmente em 15 de setembro de 1986 pela Lei Municipal nº 10.115, assinada pelo então prefeito Jânio Quadros. O texto original estabeleceu a corporação com efetivo máximo de 5 mil integrantes e atribuiu à GCM a vigilância dos bens municipais e a colaboração na segurança pública.
A primeira turma tinha 150 agentes e começou a trabalhar em um cenário muito diferente do atual. Registros históricos da Câmara Municipal mostram que a corporação enfrentava falta de instalações, veículos e equipamentos, enquanto os primeiros guardas utilizavam armas emprestadas pelo Exército.
Quarenta anos depois, a estrutura é significativamente maior. A Prefeitura informa que a GCM possui quase 7 mil agentes, mais de 600 viaturas, 270 motocicletas e unidades especializadas em diferentes áreas. A corporação também passou a utilizar sistemas de monitoramento, drones e ferramentas de reconhecimento facial.
O Smart Sampa se tornou uma das principais ferramentas tecnológicas utilizadas pela segurança urbana da capital. O sistema possui 50 mil câmeras e é empregado no monitoramento de ocorrências, identificação de veículos, localização de pessoas desaparecidas e apoio à captura de procurados pela Justiça.
A história da GCM, portanto, passou por uma mudança de escala: de uma instituição criada com 150 agentes e estrutura limitada para uma corporação com milhares de profissionais, unidades especializadas e sistemas tecnológicos integrados à rotina de segurança da cidade. A comemoração dos 40 anos reuniu justamente essas diferentes gerações, dos primeiros integrantes aos agentes que hoje trabalham com as ferramentas mais recentes da instituição.
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