O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “gagá” nesta sexta-feira (18), após o petista afirmar que um candidato ao Palácio do Planalto teria ligação com milicianos do Rio de Janeiro. Embora não tenha citado Flávio nominalmente, Lula mencionou integrantes da família Bolsonaro na sequência da declaração.
A fala ocorreu durante uma entrevista de Lula à Rádio Tupi, no Rio de Janeiro. Em resposta, Flávio negou ter vínculo com milícias e afirmou ao Metrópoles que pretende classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as milícias como organizações terroristas caso chegue à Presidência.
Lula fala em candidato ligado a milicianos
Durante a entrevista, Lula afirmou que existe um candidato à Presidência ligado a milicianos do Rio de Janeiro. O presidente não apresentou, naquele momento, evidências ou detalhes que sustentassem publicamente a acusação e não mencionou Flávio pelo nome.
Na sequência, porém, Lula fez referência à família Bolsonaro ao falar sobre a presença de integrantes do grupo familiar em relações com milícias. O presidente também defendeu medidas para ampliar o combate à influência de organizações criminosas na política e na segurança pública.
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Flávio nega ligação com milícias
Após a declaração, Flávio Bolsonaro negou qualquer vínculo com milicianos. Em entrevista ao Metrópoles, o candidato afirmou que pretende adotar uma política de enfrentamento às organizações criminosas e incluiu as milícias entre os grupos que, em sua eventual gestão, seriam classificados como terroristas.
“Vou declarar PCC, Comando Vermelho e milícias como grupos terroristas. Lula está gagá”, afirmou Flávio.
Proposta sobre facções aparece no plano de governo
A classificação de facções criminosas como organizações narcoterroristas já aparece entre as propostas apresentadas por Flávio para a campanha presidencial. O documento registrado no Tribunal Superior Eleitoral prevê que PCC, Comando Vermelho, milícias e outros grupos sejam tratados dessa forma.
O plano também prevê ações de combate às organizações criminosas por meio de inteligência, integração das forças de segurança e medidas voltadas à prisão de lideranças e ao bloqueio de atividades financeiras.
Segurança pública vira tema central da disputa
A troca de declarações ocorre em meio à ampliação do debate sobre segurança pública na campanha presidencial de 2026. O tema ganhou espaço nas últimas semanas diante das discussões sobre o combate ao crime organizado, a atuação das facções e a participação do governo federal nas ações de segurança.
Flávio vem utilizando o enfrentamento a facções e milícias como uma das principais pautas de sua campanha. Em agosto, durante um ato em Nova Iguaçu, o candidato prometeu endurecer o combate ao crime organizado e afirmou que PCC, Comando Vermelho e milícias seriam tratados como grupos terroristas em um eventual governo.
Declarações ocorrem durante agenda de Lula no Rio
A entrevista de Lula ocorreu durante uma agenda do presidente no Rio de Janeiro. Na mesma ocasião, ele apresentou uma estratégia integrada de segurança pública que reúne forças federais, estaduais e municipais para combater organizações criminosas no estado.
A iniciativa prevê atuação em corredores logísticos, retomada de territórios sob influência de organizações criminosas e fortalecimento das estruturas municipais de segurança. O governo federal classificou a medida como um projeto-piloto que poderá servir de referência para outras regiões.
Disputa política ganha novos episódios
A troca de acusações entre Lula e Flávio ocorre a poucas semanas do primeiro turno das eleições de 2026. Os dois candidatos têm apresentado propostas diferentes para a segurança pública e utilizado o tema em discursos, entrevistas e agendas de campanha.
Além das discussões sobre milícias e facções, Lula e Flávio vêm trocando críticas sobre outras questões relacionadas ao governo federal e ao período em que Jair Bolsonaro esteve na Presidência. As declarações fazem parte da disputa eleitoral e são apresentadas pelos próprios candidatos dentro de suas estratégias de campanha.
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Entenda o contexto
O confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro ocorre em um momento de forte presença da segurança pública na campanha presidencial. O governo federal tem defendido maior integração entre União, estados e municípios, enquanto Flávio apresenta propostas de endurecimento das medidas contra organizações criminosas.
Na semana anterior, Lula já havia feito críticas a adversários ao falar sobre milícias durante uma transmissão com apoiadores. Na ocasião, o presidente afirmou que havia candidatos à Presidência ligados a esses grupos, sem citar nomes naquele trecho, mas posteriormente direcionou críticas a Flávio Bolsonaro.
As declarações desta sexta-feira ampliaram o embate entre os dois candidatos sobre segurança pública. Flávio nega ligação com milícias, enquanto Lula fez referências à família Bolsonaro ao abordar o tema. As acusações e respostas fazem parte do debate eleitoral e não equivalem, por si só, a uma conclusão judicial sobre eventual vínculo de qualquer candidato com organizações criminosas.
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