O dólar comercial opera em queda frente ao real nesta segunda-feira (21), em uma sessão marcada pela combinação entre um ambiente externo mais favorável às moedas emergentes e novos dados da corrida presidencial brasileira. Às 11h04, a moeda americana recuava 0,51% e era negociada a R$ 5,118.
O mercado também acompanha a queda do petróleo, as perspectivas para os juros no Brasil e nos Estados Unidos e a situação fiscal brasileira. No cenário eleitoral, uma nova pesquisa BTG/Nexus voltou a mostrar empate técnico entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) nas simulações de primeiro e segundo turno.
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Dólar começa semana em queda frente ao real
A moeda americana abriu a sessão em baixa e manteve o movimento durante a manhã. Às 9h09, o dólar à vista recuava 0,34%, para R$ 5,1276. Pouco antes das 11h10, a queda chegava a 0,51%, com cotação de R$ 5,118.
Na sexta-feira (18), o dólar havia encerrado o pregão a R$ 5,1451, com leve alta de 0,11%. A moeda acumulou valorização de 0,37% na semana passada.
O comportamento desta segunda acompanha, em parte, a desvalorização da moeda americana diante de outras divisas no exterior.
Pesquisa eleitoral entra no radar dos investidores
No Brasil, investidores acompanham a nova rodada da pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira.
No principal cenário estimulado de primeiro turno, Lula aparece com 40% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro registra 37%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, há empate técnico.
No segundo turno entre os dois, Lula tem 46% e Flávio, 45%, também dentro da margem de erro.
O levantamento entrevistou 2.006 eleitores entre os dias 18 e 20 de setembro e possui nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-00485/2026.
Agentes do mercado acompanham pesquisas eleitorais porque eventuais mudanças nas expectativas sobre política fiscal, dívida pública, gastos e condução da economia podem alterar a percepção de risco dos investidores. O efeito de uma pesquisa isolada sobre o câmbio, porém, não pode ser separado dos demais fatores domésticos e internacionais.
Petróleo cai mais de 3% no mercado internacional
O ambiente externo também contribui para o movimento do câmbio nesta segunda.
Por volta das 10h24, os contratos do petróleo Brent para novembro recuavam aproximadamente 3,1%, negociados perto de US$ 100,65 por barril.
A queda ocorre em meio à manutenção do fluxo de petróleo por rotas estratégicas no Oriente Médio e às expectativas em torno de novas iniciativas diplomáticas durante a semana de alto nível da Assembleia Geral das Nações Unidas.
O preço do petróleo é acompanhado de perto pelo mercado por seus efeitos sobre inflação, atividade econômica, empresas do setor e expectativas para juros.
Juros também influenciam câmbio
O mercado financeiro brasileiro ainda digere as decisões recentes de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos.
Na semana passada, o Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano. No mesmo período, o Federal Reserve elevou os juros americanos em 0,25 ponto, para a faixa entre 3,75% e 4% ao ano.
Nesta segunda-feira, o Boletim Focus mostrou que analistas consultados pelo Banco Central projetam mais um corte de 0,25 ponto percentual na Selic até o fim do ano, o que levaria a taxa básica para 13,5%.
A diferença entre os juros brasileiros e americanos é um dos elementos observados por investidores na decisão de manter ou retirar recursos aplicados no país.
Ibovespa avança durante a manhã
Enquanto o dólar recua, o Ibovespa opera em alta nesta segunda-feira.
Por volta das 10h51, o principal índice da Bolsa brasileira subia 0,45%, aos 186.061 pontos, recuperando parte da queda de 1,06% registrada na semana anterior.
O mercado de ações também reage a fatores externos, às perspectivas para os juros e às novas informações relacionadas à política e à economia brasileiras.
Queda do dólar pode reduzir custos de importados
A valorização do real tende a reduzir o custo em moeda brasileira de mercadorias, matérias-primas e equipamentos comprados no exterior.
O efeito não chega necessariamente ao consumidor de forma imediata, já que preços finais também dependem de impostos, estoques, contratos de câmbio, logística e margens das empresas.
Produtos eletrônicos, máquinas, medicamentos, insumos industriais e viagens internacionais estão entre os segmentos que podem sentir os efeitos de movimentos mais prolongados do câmbio.
O dólar turismo normalmente possui valor superior ao comercial devido a custos operacionais, impostos e margens cobradas pelas instituições financeiras.
Real mais forte também afeta exportadores
Para empresas exportadoras, a valorização do real pode produzir um efeito diferente.
Companhias que recebem receitas em dólares e possuem parte relevante dos custos em reais podem registrar menor conversão de receitas quando a moeda americana perde valor.
O impacto varia conforme o setor, a estrutura de custos e os mecanismos de proteção cambial utilizados por cada empresa.
Por isso, movimentos do dólar não são uniformemente positivos ou negativos para a economia: seus efeitos mudam conforme a atividade analisada.
Diplomacia internacional também fica no radar
A semana será marcada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York e por uma série de encontros diplomáticos paralelos.
No relacionamento entre Estados Unidos e China, Donald Trump e Xi Jinping têm um encontro previsto para esta semana, enquanto os dois países mantêm negociações sobre comércio, tecnologia e restrições a minerais estratégicos.
O presidente iraniano Masoud Pezeshkian também viajará a Nova York para participar da Assembleia Geral. Trump afirmou estar aberto à possibilidade de conversar com o líder iraniano, mas um encontro entre os dois não havia sido oficialmente confirmado.
As tensões no Oriente Médio continuam sendo acompanhadas de perto porque podem afetar os preços de petróleo, rotas comerciais e a busca internacional por ativos considerados mais seguros.
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Entenda O Contexto
O dólar encerrou a sexta-feira (18) cotado a aproximadamente R$ 5,145, depois de uma semana marcada pelas decisões dos bancos centrais brasileiro e americano.
Nesta segunda-feira, a moeda mudou de direção e passou a recuar diante do real. O movimento ocorre simultaneamente à queda internacional do petróleo, à melhora de parte dos mercados externos e à divulgação de uma nova rodada de pesquisa eleitoral no Brasil.
A BTG/Nexus mostrou Lula com 40% e Flávio Bolsonaro com 37% no primeiro turno. No segundo turno entre os dois, os percentuais são de 46% e 45%, respectivamente. Os dois resultados estão dentro da margem de erro da pesquisa.
Além da eleição, investidores continuam monitorando as contas públicas brasileiras. O anúncio recente do reajuste do Bolsa Família aumentou a atenção sobre a evolução das despesas, enquanto o governo afirma que a mudança não produzirá impacto fiscal adicional.
No exterior, petróleo, juros americanos e acontecimentos geopolíticos seguem capazes de alterar rapidamente o comportamento das moedas. Por isso, a cotação registrada durante a manhã representa apenas um retrato daquele momento do pregão e pode mudar até o fechamento.
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