Lula faz último discurso do mandato na ONU com soberania, guerras e Trump no radar

Presidente abre nesta terça-feira (22) o Debate Geral da 81ª Assembleia das Nações Unidas; fala deve abordar interferência externa, reforma do Conselho de Segurança e conflitos globais.
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz nesta terça-feira (22), em Nova York, o último discurso de seu atual mandato na abertura do Debate Geral da Assembleia Geral das Nações Unidas.

A fala ocorre a menos de duas semanas do primeiro turno das eleições brasileiras e em meio a tensões internacionais envolvendo guerras, soberania nacional, comércio, segurança pública e a relação entre Brasil e Estados Unidos.

VEJA TAMBÉM:
Lula deve levar defesa da soberania nacional ao centro de discurso na ONU

Soberania deve ocupar o centro do discurso

A defesa da soberania nacional deve ser um dos principais eixos da fala de Lula.

Integrantes do governo indicam que o presidente pretende reforçar o princípio de não interferência estrangeira em assuntos internos de outros países. O tema ganhou peso em meio às recentes tensões entre Brasília e Washington sobre comércio, processo eleitoral brasileiro, segurança pública e regulação de plataformas digitais.

A expectativa é de que Lula trate o assunto em tom institucional, sem necessariamente transformar o discurso em confronto direto com o presidente americano.

Trump fala logo depois de Lula

Como ocorre tradicionalmente, o Brasil será o primeiro país a discursar no Debate Geral da Assembleia.

Desde 1955, o país abre a sequência de pronunciamentos dos Estados-membros.

Na sequência, será a vez do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A proximidade dos horários aumenta a possibilidade de um encontro informal entre os dois nos corredores da ONU, embora não exista reunião bilateral oficialmente marcada.

Donald Trump discursará na ONU após discurso polêmico de Lula | Foto: Reprodução

Conselho de Segurança volta à pauta

Lula deve retomar uma defesa antiga da diplomacia brasileira: a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O presidente costuma argumentar que a atual estrutura do órgão já não representa adequadamente a distribuição de poder e a realidade geopolítica do século 21. A ampliação do número de membros permanentes e maior presença de países da África e da América Latina estão entre os pontos historicamente defendidos pelo Brasil.

O governo brasileiro também sustenta que um Conselho reformado teria maior legitimidade para lidar com conflitos internacionais.

Guerras devem aparecer na fala

Os conflitos internacionais estarão entre os assuntos centrais do pronunciamento. Lula deve mencionar a guerra na Ucrânia e os confrontos no Oriente Médio, reforçando a defesa de negociações diplomáticas e do direito internacional.

Em manifestações recentes, o presidente criticou a incapacidade do Conselho de Segurança de produzir soluções para conflitos prolongados.

A tendência é que a fala desta terça volte a defender o multilateralismo como alternativa à escalada militar e às decisões unilaterais.

O Conselho de Segurança da ONU | Foto: Reprodução

Oriente Médio e solução de dois Estados

A questão palestina também deverá aparecer no discurso. O governo brasileiro mantém a defesa de uma solução de dois Estados, com israelenses e palestinos vivendo lado a lado dentro de fronteiras reconhecidas internacionalmente.

A posição faz parte da tradição diplomática brasileira e tem sido reiterada por Lula em fóruns internacionais. O presidente também deve reforçar críticas à perda de capacidade das instituições multilaterais de impedir conflitos e proteger civis.

Crime organizado pode entrar no pronunciamento

Outro tema que ganhou força nos últimos dias é o combate ao crime organizado.

O governo de Donald Trump afirmou recentemente que o Brasil falha no enfrentamento ao Primeiro Comando da Capital e ao Comando Vermelho, classificados pelos Estados Unidos como organizações terroristas.

O governo brasileiro rejeitou a avaliação e afirmou que Washington desconsidera operações e medidas adotadas contra as duas facções.

Integrantes do Itamaraty indicaram que Lula pode abordar os esforços brasileiros de combate ao crime organizado durante o discurso.

Meio ambiente e Amazônia também estarão no radar

Temas ambientais devem integrar a parte institucional da apresentação brasileira. Lula deverá destacar políticas relacionadas à proteção da Amazônia, mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável.

O assunto permanece como uma das principais vitrines internacionais do governo brasileiro. A agenda ambiental também está ligada à tentativa do Brasil de ampliar sua influência em debates sobre financiamento climático e transição energética.

Agronegócio pode aparecer como ativo brasileiro

O governo também avalia mencionar a capacidade brasileira de produzir alimentos em grande escala e o papel do agronegócio na segurança alimentar global.

A estratégia busca apresentar o Brasil como fornecedor relevante de alimentos, energia e recursos naturais. O discurso tende a combinar esse argumento com a defesa de sustentabilidade e preservação ambiental.

Essa mensagem faz parte da tentativa de projetar o país simultaneamente como potência agrícola e ambiental.

Pix e comércio entram no pano de fundo

A relação econômica com os Estados Unidos também compõe o contexto da viagem. Lula já afirmou publicamente que pretende defender o Pix diante de críticas americanas ao sistema brasileiro de pagamentos.

Washington questiona aspectos da operação do Pix e avalia que determinadas políticas brasileiras podem prejudicar empresas americanas do setor financeiro. O governo brasileiro sustenta que o sistema é uma infraestrutura pública eficiente e uma demonstração da capacidade tecnológica do país.

Discurso ocorre a menos de duas semanas da eleição

A participação de Lula na ONU acontece em plena campanha presidencial. O primeiro turno será realizado em 4 de outubro, e o presidente concorre à reeleição.

A viagem a Nova York foi encurtada justamente para reduzir o impacto sobre a agenda eleitoral. Auxiliares afirmam que o discurso terá caráter institucional, mas reconhecem que temas como soberania, democracia e defesa dos interesses brasileiros também dialogam com o ambiente político doméstico.

É o último discurso do atual mandato

A participação desta terça-feira será a última de Lula na Assembleia Geral antes do encerramento do atual mandato presidencial.

O mandato termina em 31 de dezembro de 2026, e a próxima Assembleia Geral ocorrerá somente em setembro de 2027. Caso seja reeleito, Lula poderá voltar à tribuna no próximo ano já em um novo mandato.

Se outro candidato vencer a eleição, caberá ao novo presidente representar o Brasil na próxima edição.

LEIA TAMBÉM:
Entre guerras e urnas, Trump desembarca na ONU para uma semana decisiva

Entenda O Contexto

O Debate Geral da 81ª Assembleia Geral da ONU começa nesta terça-feira (22) e segue até 28 de setembro, reunindo líderes dos 193 Estados-membros em Nova York.

O tema desta edição é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”. O Brasil abre tradicionalmente os discursos e será representado por Lula.

Logo depois, Donald Trump sobe à tribuna como representante do país anfitrião. A fala brasileira deverá combinar defesa da soberania, multilateralismo, reforma do Conselho de Segurança, negociações de paz, meio ambiente e combate ao crime organizado.

Não existe reunião bilateral marcada entre Lula e Trump, mas os dois estarão no mesmo local e em horários próximos, o que mantém aberta a possibilidade de um contato informal.

AS MAIS LIDAS DO NC NEWS:
Jatinho ligado a Vorcaro foi usado por Moraes em meio a negociação de R$ 50 milhões
Posso votar no mesmo senador duas vezes? Entenda a regra para as eleições de 2026
Brasileiro volta ao Brasil após seis meses na guerra da Ucrânia e surpreende esposa durante plantão
Carregar Comentários