O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, voltou a defender a retomada das negociações entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un. Lee afirma que Seul trabalha para facilitar uma aproximação entre Washington e Pyongyang e considera o diálogo direto entre os dois líderes um caminho para reduzir as tensões na Península Coreana.
A movimentação ocorre em um momento de sinais contraditórios na região. Trump já manifestou disposição para voltar a conversar com Kim, enquanto a Coreia do Norte continua ampliando seu programa nuclear e realizando testes de mísseis. Para Lee, uma decisão política dos dois líderes pode abrir espaço para a retomada das negociações interrompidas há anos.
Lee quer ajudar Trump e Kim a retomarem conversa
Lee Jae-myung tem descrito seu papel como o de um “pacemaker”, alguém disposto a preparar o caminho para que Trump assuma a função de negociador direto com Kim Jong-un.
Em declarações recentes, o presidente sul-coreano afirmou que continua realizando esforços preliminares para tornar possível uma retomada do diálogo entre Estados Unidos e Coreia do Norte.
Lee reconheceu que um novo encontro ainda enfrenta obstáculos, mas sustentou que Seul deve trabalhar para transformar essa possibilidade em uma negociação concreta.
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Presidente sul-coreano defende decisão política dos líderes
Lee avalia que uma retomada das conversas exige uma decisão política no mais alto nível. Na visão apresentada pelo presidente sul-coreano, Trump e Kim precisam reconstruir a confiança e buscar pessoalmente pontos de interesse comum.
A Coreia do Sul também sustenta que as negociações podem começar sem condições prévias. O governo de Lee considera que a retomada do contato entre Washington e Pyongyang poderia posteriormente contribuir para diminuir o distanciamento entre as duas Coreias.
Seul tenta, assim, exercer uma função de facilitador diplomático sem apresentar como certa uma nova cúpula. Até agora, não há confirmação de data ou local para um encontro entre Trump e Kim.
Trump mantém porta aberta para Kim Jong-un
A Casa Branca afirmou neste mês que a política norte-americana para a Coreia do Norte não mudou e que Trump continua aberto a conversar com Kim Jong-un sem condições prévias.
O presidente norte-americano já demonstrou interesse público em restabelecer o contato com o líder norte-coreano. Os dois construíram uma relação diplomática incomum durante o primeiro mandato de Trump.
Entre 2018 e 2019, Trump e Kim realizaram três encontros. As reuniões produziram uma aproximação inédita entre os dois governos, mas não resultaram em um acordo definitivo sobre o programa nuclear da Coreia do Norte.
Programa nuclear permanece no centro do impasse
A questão nuclear continua sendo o principal obstáculo para uma nova negociação. Lee defende uma estratégia gradual, dividida em etapas que começariam pela interrupção da expansão do arsenal, avançariam para uma redução e, posteriormente, buscariam o desmantelamento.
O presidente sul-coreano também defendeu a possibilidade de flexibilização de sanções em troca de uma interrupção no desenvolvimento de novas armas nucleares e tecnologias de mísseis balísticos intercontinentais.
Essa é uma proposta defendida pelo governo sul-coreano e não representa um acordo já aceito por Washington ou Pyongyang.
Coreia do Norte mantém discurso de expansão nuclear
Do outro lado, o governo norte-coreano vem reiterando que não pretende abandonar seu arsenal nas condições atualmente apresentadas pela comunidade internacional.
Kim Yo Jong, irmã de Kim Jong-un e uma das autoridades mais influentes do regime, afirmou recentemente que o status nuclear da Coreia do Norte seria irreversível. Pyongyang também rejeitou pressões da Agência Internacional de Energia Atômica e prometeu continuar fortalecendo sua capacidade militar.
Ao mesmo tempo, autoridades norte-coreanas já indicaram que Kim mantém uma avaliação pessoal positiva de Trump. Essa relação, porém, ainda não resultou na confirmação de novas negociações formais.
Testes de mísseis mantêm tensão na região
A tentativa de reabrir canais diplomáticos acontece poucos dias depois de novos testes militares norte-coreanos. No domingo (20), a Coreia do Norte lançou dois mísseis em direção ao mar em um intervalo de aproximadamente três horas.
A Coreia do Sul reforçou a vigilância e compartilhou informações sobre os lançamentos com Estados Unidos e Japão. As forças norte-americanas afirmaram que os testes não representaram ameaça imediata ao território dos Estados Unidos ou aos aliados na região.
Os lançamentos evidenciam o desafio enfrentado por Seul: tentar criar condições para uma negociação enquanto Pyongyang mantém o desenvolvimento de suas capacidades militares.
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Entenda o contexto
Trump e Kim Jong-un realizaram uma série de encontros entre 2018 e 2019 durante o primeiro mandato do presidente norte-americano. A aproximação chegou a produzir reuniões históricas em Singapura, Hanói e na Zona Desmilitarizada que separa as duas Coreias.
Apesar do contato direto entre os líderes, as negociações não resultaram em um acordo definitivo sobre o programa nuclear norte-coreano. Nos anos seguintes, Pyongyang ampliou seu arsenal, desenvolveu novos sistemas de mísseis e aprofundou a cooperação estratégica com Rússia e China.
Lee Jae-myung tenta agora criar condições para uma nova rodada diplomática. A estratégia sul-coreana é incentivar o contato direto entre Washington e Pyongyang e, posteriormente, usar um eventual avanço para facilitar também a retomada do diálogo entre as duas Coreias.
Por enquanto, a possibilidade de uma nova cúpula permanece no campo diplomático: Trump manifesta disposição para conversar, Seul tenta facilitar a aproximação e Pyongyang ainda não confirmou um novo encontro.
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