O Brasil registrou mais de 870 mil indícios de contas laranja nos primeiros seis meses de 2026, segundo levantamento divulgado nesta quinta-feira (25). O dado chama atenção para uma prática cada vez mais utilizada em esquemas de fraude: o uso de contas bancárias para receber, movimentar ou transferir dinheiro de origem suspeita.
A expressão “conta laranja” é usada para identificar contas que aparecem como intermediárias em movimentações financeiras potencialmente fraudulentas. Em muitos casos, o titular da conta pode ter conhecimento da utilização irregular, mas também existem situações em que os dados de uma pessoa são usados sem que ela saiba.
O crescimento desse tipo de ocorrência ocorre em um cenário de forte digitalização dos serviços financeiros. O Pix e a abertura de contas pelos canais digitais facilitaram transferências rápidas, mas também criaram novos desafios para os mecanismos de prevenção a fraudes.
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Como funciona uma conta laranja
Uma conta pode ser utilizada para receber dinheiro obtido por meio de golpes e, posteriormente, transferir os valores para outras contas, dificultando o rastreamento da origem dos recursos.
O mecanismo pode aparecer em diferentes tipos de crimes financeiros, como golpes digitais, fraudes bancárias e esquemas de desvio de dinheiro.
A Serasa Experian já havia identificado mais de 2,6 milhões de indivíduos ou contas bancárias com indícios de atuação como potenciais perfis laranja em 2025, um crescimento de 62% em relação a 2023. Segundo a empresa, apenas 3,2% desses perfis foram detectados pelas instituições naquele levantamento.
Por que o número preocupa
O uso de contas intermediárias pode dificultar a recuperação do dinheiro e a identificação dos responsáveis por uma fraude.
Para os bancos e instituições de pagamento, o desafio é identificar padrões suspeitos antes que os recursos sejam transferidos para outras contas.
O problema também afeta consumidores comuns. Uma pessoa pode ter os dados utilizados indevidamente para abertura de uma conta ou pode ser abordada por criminosos com propostas de pagamento em troca do uso da própria conta.
O que pode acontecer com quem empresta a conta
O simples fato de permitir que terceiros movimentem uma conta pode gerar consequências financeiras e jurídicas, principalmente quando há conhecimento ou participação em operações ilícitas.
Uma proposta aprovada em comissão da Câmara em junho de 2026, por exemplo, prevê medidas que podem limitar ou bloquear o acesso a serviços financeiros de pessoas envolvidas no uso reiterado de contas como “contas de passagem”. O projeto ainda está em análise no Congresso.
Por isso, especialistas recomendam que consumidores não emprestem contas bancárias, cartões ou chaves Pix para terceiros, mesmo quando a justificativa apresentada pareça inofensiva.
Como se proteger
Alguns cuidados ajudam a reduzir o risco de ter uma conta envolvida em uma fraude:
- Não empreste sua conta bancária para receber ou transferir dinheiro de terceiros;
- Não permita que outra pessoa utilize seu aplicativo bancário;
- Desconfie de ofertas de dinheiro fácil em troca do uso da sua conta;
- Nunca forneça senhas ou códigos de autenticação;
Confira regularmente o extrato e as movimentações bancárias; - Em caso de movimentação desconhecida, procure imediatamente a instituição financeira.
O Banco Central mantém estatísticas oficiais sobre o funcionamento do sistema de pagamentos e o uso do Pix, enquanto instituições financeiras ampliam mecanismos de monitoramento para identificar movimentações suspeitas.
Entenda o contexto
As chamadas contas laranja são um dos mecanismos utilizados para tentar esconder o caminho percorrido pelo dinheiro em golpes e fraudes. O avanço dos serviços financeiros digitais tornou as transações mais rápidas, mas também aumentou a necessidade de mecanismos capazes de identificar comportamentos suspeitos.
O número de 870 mil indícios registrado no primeiro semestre de 2026 deve ser interpretado como sinalizações identificadas pelo levantamento, e não como 870 mil pessoas comprovadamente envolvidas em crimes.