O cancelamento de viagens reservadas por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, em aeronaves ligadas a Daniel Vorcaro, e a disputa presidencial na reta final do primeiro turno foram os principais assuntos analisados por Luiz Armando e Davidson Cavalcante no NC News Acontece.
Os comentaristas discutiram os desdobramentos do caso Banco Master e, na segunda parte da conversa, avaliaram a pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta quinta-feira (1º), que mostrou Flávio Bolsonaro (PL) com 46% e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 45% em uma simulação de segundo turno. A diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais e configura empate técnico.
Viviane Barci cancelou voos ligados a Vorcaro horas após prisão do banqueiro
Cancelamento de voos entra no debate sobre caso Master
A primeira parte da análise tratou das reservas de voos feitas por Viviane Barci de Moraes. Conforme revelou o NC News, as viagens estavam previstas para o feriado da Consciência Negra de 2025 e envolviam aeronaves administradas pela Prime You e associadas a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Viviane cancelou uma das reservas na manhã seguinte à prisão de Vorcaro. As mensagens divulgadas mostram que ela chegou a voltar atrás no cancelamento e, minutos depois, confirmou novamente que não realizaria o voo. Os registros, porém, não informam o motivo da desistência e, isoladamente, não permitem concluir que a prisão do banqueiro tenha provocado a decisão.
Para Luiz Armando, a desistência pode ser interpretada como uma atitude de prudência diante da situação que começava a se desenvolver. O analista ressaltou, no entanto, que o cancelamento não altera os registros anteriores relacionados à utilização das aeronaves.
“Eu vejo mais como uma prudência dela para não piorar a situação dela.”
O escritório Barci de Moraes já confirmou anteriormente a contratação de serviços de táxi aéreo e afirmou que os deslocamentos ocorreram por critérios operacionais. A banca também negou vínculo pessoal com Vorcaro e afirmou que o ex-banqueiro não participou dos voos realizados por integrantes do escritório.
Davidson Cavalcante também avaliou que o episódio precisa ser analisado dentro do conjunto de informações já reveladas sobre o caso. Durante o programa, ele defendeu que eventuais questionamentos envolvendo autoridades sejam esclarecidos publicamente e diferenciou a discussão política das questões que dependem de apuração jurídica.
As avaliações feitas pelos comentaristas durante o programa representam análises individuais. As investigações e documentos oficiais são os elementos que podem estabelecer eventuais responsabilidades jurídicas.
Pesquisa mostra Lula e Flávio em empate técnico
Na segunda parte do debate, os analistas avaliaram a última pesquisa presidencial da Real Time Big Data antes do primeiro turno. O levantamento mostra Lula com 43% das intenções de voto no cenário estimulado de primeiro turno e Flávio Bolsonaro com 39%.
A diferença de quatro pontos está no limite da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e o instituto considera os dois candidatos tecnicamente empatados. Renan Santos (Missão) aparece com 4%, enquanto Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD) registram 3% cada. Romeu Zema (Novo) tem 1%.
Em uma eventual disputa de segundo turno entre Lula e Flávio, o levantamento registra 46% para o candidato do PL e 45% para o petista. Novamente, a diferença está dentro da margem de erro.
Analistas discutem estratégias na reta final
Luiz Armando avaliou que o equilíbrio registrado pelas pesquisas ajuda a explicar o aumento da intensidade das campanhas nos últimos dias antes da votação. Durante sua participação, ele também comentou as estratégias adotadas por Lula e Flávio Bolsonaro na reta final e a discussão envolvendo a participação dos candidatos em debates.
Davidson Cavalcante chamou atenção especialmente para o eleitor que ainda não definiu o voto. Na avaliação do comentarista, as campanhas tentam mobilizar suas bases e, ao mesmo tempo, conquistar uma parcela do eleitorado que permanece distante dos dois principais candidatos.
“Eles precisam olhar para o eleitor indeciso como aquele eleitor que está saturado da polarização.”
Davidson também avaliou criticamente a estratégia de apelo ao chamado voto útil e destacou que o comportamento dos indecisos permanece como uma variável importante nos últimos dias da campanha.
Os dados da Real Time Big Data ajudam a dimensionar esse cenário. A pesquisa ouviu 2 mil eleitores por telefone em todo o país entre 26 e 30 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-09503/2026.
Eleição entra nos últimos dias antes do primeiro turno
Com a votação marcada para domingo (4), candidatos entram na etapa final da campanha em busca de eleitores ainda indecisos e da consolidação de suas bases.
As pesquisas representam um retrato das intenções de voto no período em que as entrevistas foram realizadas e não constituem previsão do resultado das urnas. O cenário definitivo será conhecido com a apuração dos votos.