Assessor de Lídio Lopes é preso com R$ 127 mil e material de campanha em MS

Zé Bocão transportava dinheiro em espécie, santinhos e outros materiais eleitorais; segundo o boletim de ocorrência, ele também teria oferecido R$ 5 mil aos policiais
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O assessor parlamentar José Antônio Pires de Souza, conhecido como Zé Bocão, foi preso após ser encontrado com R$ 127 mil em dinheiro vivo e material da campanha do deputado estadual Lídio Lopes (Avante), candidato à reeleição em Mato Grosso do Sul. O flagrante ocorreu na noite de quarta-feira (30), no sul do Estado.

Zé Bocão seguia de Campo Grande para Mundo Novo quando foi abordado pela Polícia Militar. Dentro do Volkswagen T-Cross, os agentes encontraram 11 pacotes com notas de R$ 50 e R$ 100, além de santinhos e outros materiais da campanha de Lídio. A origem e a destinação do dinheiro ainda são investigadas.

Abordagem terminou com R$ 127 mil apreendidos

A ocorrência começou depois que a Polícia Militar recebeu uma denúncia sobre um Volkswagen T-Cross que estaria trafegando em alta velocidade entre Iguatemi e Japorã.

Ao localizar o veículo, os policiais fizeram a abordagem e relataram que Zé Bocão demonstrou nervosismo durante a fiscalização.

Na vistoria, foram encontrados os pacotes de dinheiro. Uma contagem inicial apontou aproximadamente R$ 130 mil, mas a conferência posterior chegou ao montante de cerca de R$ 127 mil.

O dinheiro estava acompanhado de material eleitoral relacionado à candidatura de Lídio Lopes.

A apreensão dos valores e dos santinhos no mesmo veículo, porém, não comprova por si só a ocorrência de compra de votos. Caberá à investigação determinar de onde saiu o dinheiro, qual era sua finalidade e para quem seria destinado.

PM apreendeu R$ 127 mil e santinhos com assessor | Foto: Reprodução

Lista previa repasses para 11 pessoas

Além do dinheiro e do material eleitoral, uma lista apreendida durante a ocorrência previa repasses para 11 pessoas, com valores entre R$ 2,5 mil e R$ 25 mil.

Segundo informações divulgadas sobre a investigação, os nomes relacionados na lista poderão ser chamados pela Polícia Federal para esclarecer a finalidade dos valores.

A eventual existência de crime eleitoral dependerá das provas reunidas durante a apuração.

Zé Bocão teria oferecido R$ 5 mil aos policiais

O caso teve outro desdobramento quando o assessor foi informado de que seria encaminhado à delegacia.

Segundo o boletim de ocorrência, Zé Bocão teria oferecido R$ 5 mil aos policiais militares para evitar a condução.

Os agentes recusaram a proposta e deram continuidade ao procedimento.

A suposta oferta também deverá ser analisada pelas autoridades diante da possibilidade de enquadramento por corrupção ativa.

Deputado Lídio Lopes e Zé Bocão | Foto: Reprodução

Valor supera arrecadação declarada por Lídio Lopes

Os R$ 127 mil apreendidos também chamam atenção quando comparados aos números declarados pela campanha de Lídio Lopes à Justiça Eleitoral.

Até a atualização consultada, o deputado havia informado arrecadação de R$ 76,7 mil. O dinheiro encontrado com seu assessor corresponde, portanto, a um valor aproximadamente 65% superior ao total de receitas declaradas pela candidatura naquele momento.

As despesas informadas pela campanha somavam aproximadamente R$ 148,9 mil. Desse total, R$ 48,5 mil correspondiam a gastos com atividades de militância e mobilização de rua.

Nesse recorte, os R$ 127 mil apreendidos representam um montante cerca de 161% superior ao declarado pela candidatura para essas atividades.

A comparação não significa, entretanto, que o dinheiro encontrado com Zé Bocão pertencia à campanha ou que os valores tinham finalidade eleitoral irregular. Esses pontos ainda precisam ser esclarecidos pela investigação.

Quem é Zé Bocão?

José Antônio Pires de Souza mantém vínculo profissional com Lídio Lopes há pelo menos sete anos.

Documento da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul mostra que ele foi nomeado em agosto de 2019 para exercer cargo em comissão de assessor de gabinete parlamentar ligado diretamente ao deputado.

Atualmente, Zé Bocão integra o quadro de servidores da Assembleia Legislativa e recebe R$ 2.983,49, segundo informações funcionais relacionadas ao cargo.

O assessor também possui atuação política no Cone Sul de Mato Grosso do Sul. Em junho deste ano, uma publicação sobre uma agenda de Lídio Lopes na região apontou Zé Bocão como responsável pela articulação do parlamentar em 13 municípios.

Ele também já exerceu mandatos como vereador de Mundo Novo e presidiu a Câmara Municipal. Há divergência nas informações públicas sobre o número exato de mandatos: registros mencionam quatro ou cinco períodos no Legislativo municipal.

Em 2025, Zé Bocão recebeu o título de Cidadão Sul-Mato-Grossense concedido pela Assembleia Legislativa por indicação de Lídio Lopes.

Polícia Federal deve apurar origem e destino do dinheiro

A investigação deverá esclarecer principalmente a origem dos R$ 127 mil, por que o dinheiro estava sendo transportado em espécie e qual seria a finalidade dos valores associados aos nomes encontrados na lista.

Também deverá ser apurado se existe relação entre os recursos e a campanha eleitoral de Lídio Lopes.

Até o momento, não há comprovação de que o deputado tivesse conhecimento do transporte do dinheiro ou de que os valores encontrados fossem destinados à compra de votos.

Lídio Lopes foi procurado pela imprensa local para esclarecer se Zé Bocão realizava atividade de campanha durante a viagem, se tinha conhecimento do transporte do dinheiro e qual seria a origem dos recursos. Até a publicação das reportagens consultadas, o parlamentar não havia se manifestado.

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