Um homem investigado por suspeita de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC) foi preso nesta quinta-feira (1º), em Piracicaba, no interior de São Paulo, durante uma operação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) com apoio da Polícia Militar. O cumprimento do mandado ocorreu mesmo durante o período em que a legislação restringe a prisão de eleitores antes das eleições.
Segundo as autoridades responsáveis pela operação, a prisão pôde ser realizada porque o investigado estava com o título de eleitor suspenso. Nessa condição, ele está impedido de votar. A Justiça Eleitoral estabelece que uma inscrição suspensa permanece nessa situação enquanto existir o impedimento que provocou a suspensão.
O homem é investigado por suposta participação em uma organização criminosa envolvida com tráfico interestadual de drogas e lavagem de dinheiro. As autoridades também apuram crimes relacionados ao comércio ilegal de armas de fogo de uso restrito e falsificação de documentos.
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Suspeito tentou fugir durante operação
De acordo com o registro da ocorrência, o investigado tentou escapar pelos fundos do imóvel quando percebeu a chegada dos policiais. Durante a tentativa de fuga, ele também teria tentado descartar um telefone celular.
Os agentes conseguiram detê-lo e apreender o aparelho. Ao todo, três celulares, um gravador de vídeo digital, um HD e dez cheques foram recolhidos e entregues ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
O suspeito foi encaminhado para uma unidade policial após o cumprimento do mandado.
Operação investiga tráfico e lavagem de dinheiro
Batizada de Operação Terminais, a ação cumpriu cinco mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão.
Segundo o Ministério Público, a investigação identificou indícios da existência de uma estrutura voltada à compra e revenda de entorpecentes em larga escala e à movimentação do dinheiro obtido com as atividades ilícitas.
As diligências ocorreram em Piracicaba e também em Salvador, na Bahia.
Durante a operação, foram apreendidos R$ 71.675 em dinheiro, R$ 36 mil em cheques, além de equipamentos eletrônicos, um notebook e uma máquina de cartão.
Por que o título suspenso fez diferença?
O Código Eleitoral estabelece que, nos cinco dias anteriores à eleição e até 48 horas depois da votação, eleitores não podem ser presos ou detidos, salvo em situações específicas previstas na legislação.
Para o primeiro turno de 2026, realizado em 4 de outubro, a restrição começou em 29 de setembro e termina em 6 de outubro.
Segundo as autoridades responsáveis pela operação, o investigado não estava protegido pela regra porque tinha a situação eleitoral suspensa, o que permitiu o cumprimento do mandado de prisão.
A suspensão eleitoral pode ocorrer em diferentes situações previstas em lei, como condenação criminal definitiva enquanto persistirem seus efeitos. Não foi detalhado publicamente qual motivo específico levou à suspensão da situação eleitoral do investigado.
Investigação continua
A Operação Terminais teve início após a extração e análise de dados de um telefone celular apreendido anteriormente. De acordo com o Ministério Público, o material ajudou a identificar a suposta estrutura criminosa e a movimentação de recursos investigados.
As suspeitas de participação no PCC, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e demais crimes ainda são objeto de investigação. A prisão e o cumprimento dos mandados não representam condenação definitiva dos investigados.