A véspera do primeiro turno das Eleições 2026, a disputa pela Presidência também chegou às orações de fiéis em Minas Gerais. Em igrejas em Belo Horizonte, apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recorrem à padroeira do Brasil para pedir proteção e uma vitória do petista nas urnas neste domingo (4).
Entre eles está Maria de Lourdes Ferreira, 62, moradora do bairro Pompéia, na região Leste da capital mineira, que foi até a uma paróquia próxima de sua casa para fazer sua prece. Católica e apoiadora de Lula, ela afirma que decidiu recorrer à santa na reta final da campanha.
“A gente sabe que ela tudo pode. Quem pede a mãe, ela roga pelo filho e o filho atende. Precisamos ter fé para o Lula cuidar desse país que tantos precisam de apoio. Só Deus sabe, mas eu torço para que ele ganha mais uma vez para presidente”, disse à reportagem.

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A presença de eleitores em igrejas na capital mineira ocorre justamente em uma eleição na qual Nossa Senhora Aparecida acabou levada ao centro do debate político nacional. Nos últimos dias, circulou nas redes sociais a informação de que Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na disputa presidencial, pretendia retirar da santa o título de Padroeira do Brasil caso fosse eleito.
A informação é falsa. Não há registro de proposta de Flávio para retirar o título de Nossa Senhora Aparecida atualmente.
Fake news levou Aparecida à campanha
A origem da controvérsia está relacionada a um projeto apresentado há quase duas décadas. Em 2007, o então deputado federal Victorio Galli apresentou o Projeto de Lei 2.623, que propunha modificar a redação da legislação que instituiu o feriado de 12 de outubro.
A proposta pretendia substituir no texto legal a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. O projeto não era de Flávio Bolsonaro nem de seu pai, Jair Bolsonaro. A proposta acabou arquivada em 2008.
Victorio Galli, autor do texto, anos depois ocupou cargo de assessor especial da Presidência durante o governo de Jair Bolsonaro.

A história voltou a circular na campanha de 2026 associada a Flávio Bolsonaro, apesar de não existir evidência de que o candidato tenha apresentado ou defendido a retomada daquele projeto.
GloboNews se retratou
A repercussão aumentou depois que a jornalista Maria Cristina Fernandes afirmou na GloboNews que existiria um movimento de uma parcela de evangélicos para destituir Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira.
A emissora posteriormente fez uma retratação e esclareceu que a informação utilizada como referência estava relacionada ao projeto apresentado em 2007 e arquivado quase 20 anos atrás.
Com a repercussão nas redes sociais, a campanha de Flávio reagiu e negou que o candidato pretendesse retirar o título da santa.
“Jamais faria isso. Todos sabem que eu sou cristão, sou evangélico, mas que eu respeito todas as religiões”, declarou Flávio ao rebater a informação.
A campanha do candidato também recorreu à Justiça Eleitoral contra publicações que apresentavam como verdadeira a suposta intenção de retirar o título de padroeira.
Fala de Flávio também entrou na discussão
Apesar de a informação sobre Nossa Senhora Aparecida ser falsa, outra declaração verdadeira de Flávio Bolsonaro ajudou a alimentar o debate sobre religião na campanha.
Em agosto, o candidato afirmou que, se eleito presidente, um de seus primeiros atos seria “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”.
Posteriormente, Flávio explicou que a declaração tinha caráter simbólico e que não pretendia transformar a frase em uma medida oficial de governo. A polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida ganhou repercussão entre eleitores católicos e passou a ser explorada também por integrantes da campanha adversária.
Lula e a primeira-dama Janja da Silva abordaram o assunto publicamente na reta final da campanha. A discussão ampliou o peso do tema religioso justamente nos últimos dias antes da votação.
Fé e eleição se encontram em Contagem
No Santuário Nossa Senhora Aparecida, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), porém, a expectativa de alguns fiéis se traduz em oração.
José Libério Couto, 69, morador do bairro Nossa Senhora do Carmo, em Contagem, esteve no santuário e afirma ter incluído o resultado das eleições nas próprias preces.
“O nosso Brasil precisa de gente séria, que olha pelos pobres, pelos estudantes, para quem precisa. Sou muito grato ao Lula porque a minha filha teve a oportunidade de se formar em Medicina porque teve o ProUni. A gente sabe o quanto uma faculdade é cara e esse programa foi a porta aberta porque eu e minha esposa, já falecida, não tivemos condições de arcar com todo o dinheiro do curso”, conta.
Para Maria Ferreira, o ato de recorrer a santa às vésperas da votação também une duas dimensões importantes para ela: a fé e a expectativa em relação ao futuro do país.
“Ela á a nossa padroeira. A padroeira do Brasil e ela sabe o que é bom para os seus filhos. Que ela olhe por nós”, diz.
O primeiro turno das Eleições 2026 será realizado neste domingo (4). Lula disputa a reeleição à Presidência da República.