A Justiça Eleitoral determinou que Fernando Haddad (PT) retire definitivamente das redes sociais um vídeo em que associa Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao caso Banco Master e publique direito de resposta do governador nos mesmos espaços utilizados para divulgar a propaganda.
A decisão foi proferida na reta final da disputa pelo governo de São Paulo. A Justiça considerou que a peça ultrapassou os limites da crítica política ao relacionar Tarcísio a um grupo apresentado como responsável por práticas ilícitas sem elementos suficientes para sustentar a participação do governador nessa estrutura.
Além da retirada do conteúdo, foi concedido direito de resposta a Tarcísio. Nesta sexta-feira (2), novo despacho determinou que a medida fosse cumprida “com premência”.
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Na sentença, a juíza Claudia Fonseca Fanucchi afirma que a propaganda ultrapassou os limites admitidos para a crítica eleitoral ao inserir Tarcísio em um grupo apresentado como responsável por atos ilícitos sem correspondência suficiente nas provas analisadas.
A decisão ressalta que não há demonstração suficiente de que Tarcísio tenha recebido diretamente recursos do Banco Master, tivesse conhecimento de eventual finalidade ilícita ou integrasse uma estrutura relacionada ao escândalo.
O conteúdo questionado fazia referência às investigações envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Durante a campanha, Haddad também classificou como “máfia” o grupo que, segundo seu discurso, estaria relacionado ao caso.
Discussão sobre Banco Master já havia chegado à Justiça
A relação entre a campanha paulista e o caso Master já havia provocado outra disputa judicial.
Em setembro, Tarcísio tentou impedir a circulação de outro vídeo de Haddad que mencionava uma doação eleitoral de R$ 2 milhões feita em 2022 por Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro. Naquela ocasião, a Justiça Eleitoral negou o pedido do governador.
A decisão atual trata de outro conteúdo e chegou a uma conclusão diferente ao analisar a forma como Tarcísio foi associado ao grupo apresentado na propaganda como uma organização envolvida em práticas ilícitas.
Haddad terá de publicar direito de resposta
Além da exclusão definitiva do vídeo, a Justiça determinou que o direito de resposta de Tarcísio seja publicado nos mesmos espaços utilizados para veicular o conteúdo questionado.
A sentença também estabeleceu multa em caso de descumprimento da determinação.
Segundo informações divulgadas neste sábado (3), Haddad já publicou em seus perfis o direito de resposta determinado pela Justiça.

O que diz a campanha de Tarcísio
Em nota, a campanha de Tarcísio de Freitas afirmou que a decisão não envolve apenas uma divergência entre os dois candidatos e destacou a determinação judicial para publicação da resposta.
“Não se trata de divergência de opinião ou de crítica política. A Justiça reconheceu a irregularidade e determinou que Haddad publicasse, em suas próprias redes sociais, o direito de resposta de Tarcísio.”
A decisão ocorre às vésperas do primeiro turno das Eleições 2026, marcado para este domingo (4).