Uma investigação sobre lavagem de dinheiro ligada à exploração de jogos de azar levou policiais e promotores a cumprir mandados nesta quarta-feira, 7, em Minas Gerais e São Paulo. A ação faz parte da terceira fase da Operação Trevo do Infortúnio.
O caso é conduzido pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Uberlândia. Segundo a investigação, o grupo alvo da operação atua há mais de três décadas na exploração de jogo do bicho e máquinas caça-níqueis e teria usado diferentes mecanismos para movimentar e ocultar os recursos obtidos com as atividades.
Em Campinas, no interior paulista, três mandados de busca e apreensão foram cumpridos com apoio do 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep). Os endereços estão ligados a um homem apontado como um dos principais fornecedores de máquinas caça-níqueis utilizadas pelo grupo investigado.
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As buscas ocorreram nos bairros Jardim Boa Esperança e Parque Via Norte e mobilizaram 17 policiais militares. Em um dos imóveis, foram encontrados R$ 63,2 mil em dinheiro. Também foram apreendidos valores em euros e guaranis, além de equipamentos eletrônicos.
“Essa operação demonstra, mais uma vez, a importância do trabalho conjunto das instituições no combate às organizações criminosas. A deflagração de hoje reflete a união do Estado de São Paulo com outros Estados da Federação, para atacar o crime organizado, onde quer que ele esteja”, afirmou o tenente-coronel Wanderley Turolla Alves Cardoso, comandante do 1º Baep.
Investigação apura fornecimento de caça-níqueis
De acordo com o Gaeco, o investigado alvo das buscas em Campinas mantinha contratos de locação e emitia documentos fiscais relacionados às máquinas. A apuração, porém, indica que o pagamento pelo fornecimento dos equipamentos seria definido de acordo com uma parcela do dinheiro arrecadado nos jogos.
Os investigadores também identificaram pagamentos feitos em espécie e por meio de cheques, além da circulação de recursos por terceiros. A suspeita é de que esse modelo fosse usado para dificultar o rastreamento do dinheiro.
Máquinas ligadas à empresa do investigado teriam sido utilizadas em pontos de jogos de azar não apenas em Minas Gerais, mas também em Goiás e Tocantins.
Operação começou em 2022
A primeira fase da Trevo do Infortúnio ocorreu em dezembro de 2022, quando foram cumpridas ordens judiciais em Uberlândia.
A investigação avançou em abril de 2023, na segunda etapa da operação. Na ocasião, foram cumpridos 26 mandados de busca e apreensão em empresas, pátios de veículos e imóveis de empresários em Uberlândia, Ituiutaba e Araguari, em Minas Gerais, e em Goiânia.
A Justiça também determinou naquela fase o bloqueio de bens e valores pertencentes a 23 investigados, até o limite de R$ 36 milhões.
O nome da operação surgiu de um símbolo encontrado pelos investigadores em locais relacionados às apostas: um trevo que seria utilizado para identificar pontos ligados ao grupo.