Autora do impeachment de Dilma perde eleição e cobra explicações dos eleitores

Janaína Paschoal não conseguiu uma vaga na Câmara dos Deputados e questionou se seu trabalho parlamentar é reconhecido pelos eleitores
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Uma das autoras do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), a vereadora Janaína Paschoal (PP) usou a tribuna da Câmara Municipal de São Paulo para questionar os eleitores sobre sua derrota na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados.

Após receber cerca de 47 mil votos nas eleições de 4 de outubro, a parlamentar pediu uma avaliação sobre seu desempenho político e levantou dúvidas sobre os motivos que a impediram de conquistar um mandato federal.

Janaína questionou se a derrota estaria relacionada à falta de reconhecimento de seu trabalho na Câmara Municipal ou a falhas de comunicação durante a campanha. A vereadora afirmou que mantém uma atuação parlamentar voltada à fiscalização dos gastos públicos, à análise de projetos de lei e à destinação de emendas a instituições que considera sérias.

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Durante o discurso, Janaína pediu que os eleitores explicassem os motivos de não terem votado nela. A parlamentar afirmou que procura acompanhar as atividades legislativas e apresentar propostas próprias, mas demonstrou dúvidas sobre a repercussão desse trabalho fora da Câmara.

“Será que esse trabalho está sendo visto? Ou se está sendo visto e não é valorizado? Ou as pessoas entendem que esse perfil não é interessante nesse momento histórico na Câmara Federal?”, questionou a vereadora.

A derrota contrasta com o resultado alcançado por Janaína nas eleições de 2018, quando foi eleita deputada estadual por São Paulo com mais de 2 milhões de votos, estabelecendo um recorde de votação para o cargo no estado. Na ocasião, a advogada já era conhecida nacionalmente por sua participação no processo que levou ao afastamento de Dilma Rousseff da Presidência, em 2016.

Em 2024, Janaína conquistou uma cadeira na Câmara Municipal de São Paulo, com 48.893 votos. Dois anos depois, tentou retornar à política legislativa em âmbito federal, mas não conseguiu votos suficientes para se eleger.

Federação de Janaína perde espaço na Câmara

Janaína disputou a eleição pelo Progressistas, partido que integra a federação União Progressista, formada com o União Brasil. A aliança conquistou cinco cadeiras de deputado federal por São Paulo e deixou a vereadora na condição de segunda suplente.

Entre os eleitos estão Sargento Nantes, Maurício Neves e Coronel Telhada, do PP, além de Sirlange Manga e Milton Leite Filho, do União Brasil.

O resultado representa uma redução em relação à representação conjunta que os dois partidos haviam conquistado em 2022. Na eleição anterior, o PP elegeu quatro deputados federais por São Paulo, enquanto o União Brasil conquistou seis vagas. Somadas, as legendas tinham dez cadeiras, o dobro das cinco obtidas pela federação neste ano.

A eleição também foi marcada pelo crescimento do Partido Liberal (PL) na Câmara dos Deputados, enquanto parte dos partidos de centro-direita perdeu espaço na distribuição das vagas.

No sistema proporcional brasileiro, utilizado nas eleições para deputado federal, a conquista de uma cadeira depende tanto da votação individual quanto do desempenho do partido ou federação. Isso significa que candidatos com votações expressivas podem ficar fora do Legislativo, dependendo da distribuição das vagas e das regras eleitorais.

Apesar da derrota, Janaína permanece no cargo de vereadora da capital paulista, para o qual foi eleita em 2024, com mandato previsto até o fim de 2028.

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