Alcolumbre segura PEC dos Agentes de Saúde e oposição vê saída para barrar fim da escala 6×1

Proposta sobre aposentadoria de agentes de saúde está há três meses sem promulgação; oposição considera estratégia semelhante caso o Congresso aprove a redução da jornada de trabalho
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

A oposição no Senado vê na possibilidade de adiamento da promulgação uma última alternativa para impedir que o fim da escala de trabalho 6×1 entre em vigor rapidamente. A avaliação ganhou força após a constatação de que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), mantém há três meses sem promulgação uma proposta de emenda à Constituição (PEC) aprovada pelo Congresso em julho.

Parte da oposição no Senado passou a considerar a possibilidade de adiar a promulgação da proposta que prevê o fim da escala 6×1. Ao mesmo tempo, parlamentares sinalizam apoio à redução da jornada de trabalho para evitar desgaste à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) na reta final da disputa presidencial contra Lula (PT).

LEIA TAMBÉM
Fim da escala 6×1 será votado na quarta-feira (14) no Senado, anuncia Alcolumbre

PEC aprovada em julho segue sem promulgação no Senado

O caso utilizado como referência pela oposição envolve a PEC 14/2021, conhecida como PEC dos Agentes de Saúde. O texto estabelece aposentadoria diferenciada para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias, além de prever a regularização dos vínculos funcionais desses profissionais.

A proposta foi aprovada em dois turnos no Senado, em 14 de julho, com 74 votos favoráveis e apenas um contrário. Apesar do amplo apoio, a promulgação ainda não ocorreu. No sistema legislativo, a matéria permanece com a indicação de que seguirá para essa etapa.

De acordo com a CNN Brasil, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, pediu a Alcolumbre que adiasse a promulgação devido ao impacto econômico estimado em R$ 28 bilhões. O presidente do Senado atendeu à solicitação.

Oposição muda estratégia para evitar desgaste de Flávio Bolsonaro

A possibilidade de repetir esse cenário ganhou importância diante da votação do fim da escala 6×1. Segundo a CNN Brasil, integrantes da direita e da oposição no Senado passaram a sinalizar apoio à proposta, mesmo após críticas à tramitação acelerada defendida pelo governo.

A mudança de postura tem motivação eleitoral. Parlamentares avaliam que votar contra a redução da jornada poderia prejudicar a campanha de Flávio Bolsonaro no segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro.

Com isso, a hipótese de uma demora na promulgação passou a ser vista por oposicionistas como uma alternativa para evitar a implementação imediata da medida, caso ela seja aprovada.

Fim da escala 6×1 será analisado nesta semana

O Senado tem votação em primeiro turno da proposta marcada para quarta-feira (14). O texto prevê a redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de descanso remunerado e sem redução salarial.

O governo Lula tenta aprovar um calendário especial para permitir que os dois turnos de votação ocorram em um intervalo menor. A intenção é concluir a tramitação antes do segundo turno das eleições.

Para ser aprovada, a PEC precisa de pelo menos 49 votos favoráveis em cada turno no Senado. Se não houver alterações de mérito, poderá seguir para promulgação pelo Congresso Nacional.

Alcolumbre pode adiar o fim da escala 6×1?

Ainda não há decisão de Alcolumbre para adiar a promulgação da PEC trabalhista. O que existe é uma avaliação política da oposição, baseada no caso da proposta sobre os agentes de saúde.

O adiamento de uma emenda constitucional já aprovada pode provocar questionamentos jurídicos e políticos. Por isso, o precedente não significa que o presidente do Senado tenha liberdade irrestrita para impedir a entrada em vigor de uma mudança aprovada pelo Congresso.

O próximo passo será a votação da PEC sobre a jornada de trabalho. Caso o texto seja aprovado nos dois turnos, a atenção se voltará para a promulgação e para os prazos de implementação das novas regras.

Carregar Comentários