Mais de 3,7 milhões de eleitores de Minas Gerais não compareceram às urnas no primeiro turno das eleições de 2026, realizado em 4 de outubro. O número representa 22,81% do eleitorado mineiro, acima da média nacional, de aproximadamente 21%.
Com a disputa pelo governo estadual encerrada, a mobilização dos ausentes se tornou um dos desafios das campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL), que disputam o segundo turno presidencial em 25 de outubro.
Ao todo, 3.735.098 mineiros deixaram de votar na primeira etapa da eleição. O contingente equivale a mais de seis vezes a diferença de 588.612 votos registrada entre os dois presidenciáveis no estado. Flávio recebeu 5.777.548 votos, correspondentes a 48,24% dos válidos, enquanto Lula somou 5.188.936, ou 43,33%. Outros 661.039 eleitores votaram em branco ou anularam o voto para presidente.
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Abstenção pode aumentar no segundo turno?
A ausência de uma nova votação para governador de Minas Gerais é um dos fatores que podem influenciar o comparecimento às urnas no próximo dia 25. Cleitinho Azevedo (Republicanos) foi eleito no primeiro turno, encerrando a disputa estadual.
Em 2022, Minas apresentou um comportamento diferente da tendência de crescimento da abstenção entre os dois turnos. Naquele ano, a proporção de eleitores ausentes caiu de 22,28% para 20,99%, com aproximadamente 210 mil pessoas a mais comparecendo às urnas na votação decisiva entre Lula e Jair Bolsonaro.
Para o cientista político Camilo Aggio, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD), a repetição desse movimento não é certa.
“Pode repetir, mas é muito pouco provável que isso aconteça, ainda mais tendo em vista que a disputa pelo Governo do Estado já se encerrou”, avalia o especialista.
Segundo Aggio, a ausência de candidatos ao governo na disputa pode diminuir o envolvimento das lideranças políticas locais na mobilização do eleitorado. Na avaliação dele, essa condição representa um obstáculo para as campanhas presidenciais.
Mais de 4,3 milhões não escolheram Lula nem Flávio
Além dos ausentes, os votos brancos e nulos também ajudam a dimensionar a parcela do eleitorado mineiro que não escolheu nenhum dos dois candidatos à Presidência no primeiro turno.
Confira os números de Minas Gerais em 4 de outubro:
- Eleitores ausentes: 3.735.098
- Votos em branco: 268.302
- Votos nulos: 392.737
- Total de ausentes, brancos e nulos: 4.396.137
- Flávio Bolsonaro (PL): 5.777.548 votos (48,24% dos válidos)
- Lula (PT): 5.188.936 votos (43,33% dos válidos)
- Diferença entre os candidatos: 588.612 votos
Os números mostram a dimensão do eleitorado que não manifestou preferência por Lula ou Flávio na primeira votação. No entanto, isso não significa que esses eleitores estejam indecisos ou disponíveis para apoiar um dos candidatos. Parte deles pode voltar a se abster ou votar em branco ou nulo no segundo turno.
Por que tantos mineiros deixaram de votar?
A professora Luciana Santana, doutora em Ciência Política pela UFMG e docente da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), aponta que diferentes fatores podem explicar a ausência dos eleitores.
Entre as possíveis razões estão dificuldades de deslocamento, compromissos de trabalho, problemas de saúde, desinteresse pela política e insatisfação com as candidaturas.
“Minha avaliação é que a queda da abstenção, como ocorreu no 2° turno em 2022, permanece uma possibilidade, mas ainda não uma tendência demonstrada. Não existe uma vantagem automática”, afirma.
A avaliação indica que a mobilização dos ausentes não pode ser tratada como uma transferência de votos previamente definida. O comportamento do eleitorado dependerá de diferentes fatores, incluindo o interesse pela disputa presidencial e as condições para comparecer aos locais de votação.
Lula e Flávio preparam agendas em Minas Gerais
Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, Minas Gerais volta ao roteiro dos candidatos à Presidência.
Lula tem compromissos de campanha previstos para sexta-feira (16), em Juiz de Fora, na Zona da Mata, e Ipatinga, no Vale do Aço. A expectativa é de que o presidente também visite Belo Horizonte na última semana de outubro.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, é esperado em Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, onde o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) organiza o evento denominado “Bloco do 22”, previsto para quinta-feira (15). A participação do senador ainda depende de confirmação de sua agenda.
As visitas ocorrem em um cenário no qual a eleição presidencial será a única disputa nas urnas em Minas Gerais no próximo dia 25. A definição do governo estadual no primeiro turno e o elevado número de eleitores ausentes colocam o comparecimento eleitoral entre os temas centrais da reta final da campanha.