O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia indicar o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) e abrir espaço para a ex-ministra Simone Tebet (PSB) no Tribunal de Contas da União (TCU). A articulação envolve o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e faz parte das negociações políticas para a composição dos tribunais e a disputa pelo comando do Congresso em 2027.
Segundo informações publicadas nesta terça-feira (20) pela jornalista Tainá Falcão, da CNN Brasil, o Palácio do Planalto considera Tebet o nome preferido para substituir Pacheco no TCU, caso ele seja escolhido para o Supremo. A ex-ministra disputou uma vaga no Senado por São Paulo nas eleições deste ano, mas não foi eleita.
Apesar das conversas, ainda não existe acordo fechado sobre nenhuma das indicações. A expectativa é que Lula decida quem ocupará a cadeira deixada por Luís Roberto Barroso no STF somente depois do segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25).
Rodrigo Pacheco é nomeado para o TCU; decreto é publicado no Diário Oficial
Por que Rodrigo Pacheco voltou a ser cotado para o STF?
Rodrigo Pacheco é considerado um nome capaz de manter diálogo com diferentes setores do Congresso e do Judiciário. Ex-presidente do Senado, ele assumiu uma cadeira no TCU no fim de setembro, após a saída de Bruno Dantas.
A possível transferência para o Supremo é defendida por uma ala da Corte próxima aos ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, conforme a CNN Brasil.
Na avaliação desse grupo, Pacheco poderia contribuir para reduzir tensões entre o STF e o Congresso Nacional, especialmente em um momento de disputas envolvendo decisões judiciais e interesses políticos.
A indicação também atenderia a uma preferência antiga de Davi Alcolumbre, que já havia defendido o nome de Pacheco para o Supremo.
O presidente do Senado apoiou o ex-parlamentar quando Lula decidiu indicar o advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga na Corte. A escolha provocou um impasse entre o Planalto e o comando do Senado.
Em abril de 2026, a indicação de Messias foi rejeitada pelos senadores, em uma derrota política para o governo.
Agora, segundo a CNN, o nome de Messias está descartado no Planalto para a vaga aberta com a saída de Barroso. Até mesmo sua permanência no comando da Advocacia-Geral da União é discutida internamente.
Simone Tebet pode ocupar vaga no Tribunal de Contas da União
A possível indicação de Simone Tebet ao TCU é uma das novidades das negociações.
A ex-ministra, que está filiada ao PSB, é considerada pelo governo uma alternativa para ocupar a cadeira atualmente pertencente a Rodrigo Pacheco.
Segundo a CNN, a avaliação favorável ao nome de Tebet leva em conta sua relação com o Palácio do Planalto e sua capacidade de diálogo com partidos de centro.
A eventual nomeação também representaria uma nova função pública para a ex-ministra após a derrota na disputa pelo Senado por São Paulo.
No entanto, a indicação depende de uma série de decisões que ainda não foram tomadas.
Primeiro, Lula precisaria escolher Pacheco para o Supremo. Em seguida, seria necessário definir quem teria apoio político para ocupar a vaga aberta no TCU.
Além disso, a indicação ao Tribunal de Contas não é uma decisão exclusiva do presidente da República. As vagas são preenchidas conforme regras constitucionais que distribuem as escolhas entre o Executivo e o Congresso Nacional.
No caso da cadeira atualmente ocupada por Pacheco, a escolha caberia ao Congresso, tornando o entendimento com os parlamentares indispensável para uma eventual nomeação de Tebet.
Alcolumbre pode usar vaga no TCU nas negociações para 2027
A possibilidade de uma nova indicação ao Tribunal de Contas também interessa a Davi Alcolumbre, que busca construir apoio político para permanecer no comando do Senado em 2027.
De acordo com a CNN, a vaga poderia ser utilizada nas negociações com partidos de centro e de direita, especialmente diante da nova composição do Congresso.
O PL terá a maior bancada do Senado na próxima legislatura, o que aumenta a importância das articulações entre diferentes grupos políticos.
A situação de Alcolumbre também se tornou mais complexa após a federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, retirar o apoio à sua permanência na Presidência da Casa.
A decisão foi divulgada na segunda-feira (19) e está relacionada a divergências entre o senador e as direções partidárias, que passaram a apoiar a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL).
Mesmo diante do afastamento, Alcolumbre ainda pode buscar apoio individual de parlamentares para uma eventual disputa interna.
Nesse contexto, as negociações envolvendo o STF e o TCU podem influenciar a formação de alianças, embora não exista confirmação de que as indicações serão utilizadas como parte de um acordo eleitoral.
O que aconteceu entre Lula e Alcolumbre?
A relação entre o presidente da República e o presidente do Senado passou por momentos de tensão ao longo de 2026.
Um dos principais episódios foi a rejeição de Jorge Messias para o Supremo, em abril. Alcolumbre defendia Rodrigo Pacheco para o cargo, enquanto Lula insistiu na indicação do advogado-geral da União.
Depois do impasse, os dois retomaram o diálogo em agosto, durante encontros que contaram com a participação de integrantes do STF.
A reaproximação também envolveu projetos de interesse do governo que dependiam de votação no Senado, como a proposta de redução da jornada de trabalho e a PEC da Segurança Pública.
A indicação de Pacheco ao TCU, aprovada pelo Congresso em setembro, foi outro movimento importante nas articulações políticas.
Na votação realizada no Senado, Pacheco recebeu 63 votos favoráveis e quatro contrários. Posteriormente, a Câmara dos Deputados aprovou sua indicação por 404 votos a 61, com uma abstenção.
A nomeação foi oficializada no fim daquele mês, mas a possibilidade de uma nova mudança de cargo voltou a ser discutida nos bastidores de Brasília.
Como funciona a indicação de ministros para o STF e o TCU?
A escolha de ministros para os dois tribunais segue procedimentos diferentes.
No Supremo Tribunal Federal, cabe ao presidente da República indicar um nome para preencher a vaga disponível. O indicado precisa passar por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e obter aprovação da maioria absoluta dos senadores em votação no plenário.
Somente depois dessa aprovação o presidente pode realizar a nomeação.
No Tribunal de Contas da União, a Constituição estabelece que seis dos nove ministros são escolhidos pelo Congresso Nacional e três pelo presidente da República, observadas regras específicas para as indicações do Executivo.
Assim, uma eventual saída de Rodrigo Pacheco do TCU não significaria a nomeação automática de Simone Tebet.
A escolha precisaria respeitar o procedimento correspondente à vaga, incluindo as etapas de avaliação e aprovação previstas na legislação.
Próximos passos
A definição sobre a vaga no Supremo deve ocorrer após o segundo turno das eleições presidenciais, previsto para 25 de outubro.
Até lá, o Palácio do Planalto e a Presidência do Senado poderão continuar as conversas sobre os nomes de Rodrigo Pacheco e Simone Tebet.
Caso Pacheco seja formalmente indicado ao STF, ainda dependerá de aprovação do Senado para assumir o cargo.
Somente uma eventual saída dele do Tribunal de Contas abriria caminho para uma nova indicação ao TCU.
Por enquanto, as duas possibilidades permanecem no campo das articulações políticas, sem anúncio oficial de escolha ou acordo concluído.