França mobiliza 70 mil policiais para conter nova onda de protestos

Governo de Emmanuel Macron reforça segurança após episódios de violência e saques; restrições às manifestações provocam críticas de sindicatos e entidades de direitos civis.
Redação NC News
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O governo da França anunciou nesta sexta-feira (23) a mobilização de 70 mil policiais e integrantes da Gendarmaria para atuar durante o fim de semana, diante da previsão de novas manifestações em diferentes cidades do país. A medida foi anunciada pelo ministro do Interior, Laurent Nuñez, após uma reunião do Conselho de Defesa presidida por Emmanuel Macron. O objetivo é evitar a repetição dos confrontos, incêndios e saques registrados no sábado passado (17).

A operação contará com unidades especializadas, equipes de controle de distúrbios e até policiais em treinamento. Parte do efetivo será posicionada nas proximidades de prédios públicos e instalações governamentais. Em Paris, museus importantes, como o Louvre e o Museu d’Orsay, devem permanecer fechados durante o fim de semana, enquanto comerciantes reforçam a proteção de seus estabelecimentos.

O anúncio ocorre em meio a uma crise marcada por protestos contra o aumento do custo de vida, problemas nos serviços públicos e insatisfação com o governo francês. Ao mesmo tempo em que promete impedir novos episódios de violência, o governo enfrenta críticas de sindicatos, estudantes e organizações de direitos civis por restringir manifestações em determinadas regiões.

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França prepara operação com 70 mil agentes de segurança

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, confirmou que 70 mil policiais e integrantes da Gendarmaria serão mobilizados para reforçar a segurança nas ruas francesas durante o sábado (24) e o domingo (25).

A operação envolverá equipes especializadas no controle de manifestações, além de unidades de elite normalmente utilizadas em situações de alto risco.

Entre os grupos acionados estão o GIGN, unidade especializada da Gendarmaria, e o RAID, força policial que atua em operações complexas, incluindo ações contra o terrorismo e resgate de reféns.

O governo também pretende utilizar policiais em formação para apoiar o trabalho das equipes nas ruas.

Segundo Nuñez, a estratégia será baseada na mobilidade dos agentes, permitindo deslocamentos rápidos entre regiões onde possam ocorrer confrontos.

A proteção de edifícios públicos e instalações governamentais também será uma das prioridades.

Governo tenta evitar repetição dos confrontos do último sábado

A decisão foi tomada depois dos episódios de violência registrados em 17 de outubro, quando manifestações realizadas em diferentes cidades terminaram em confrontos entre grupos de manifestantes e policiais.

Na ocasião, veículos foram incendiados, estabelecimentos comerciais sofreram saques e prédios públicos foram atacados.

As manifestações começaram com reivindicações relacionadas ao custo de vida, à perda do poder de compra e às condições dos serviços públicos.

O movimento reuniu estudantes, trabalhadores, sindicatos e diferentes organizações sociais.

Embora parte das mobilizações tenha ocorrido pacificamente, episódios de vandalismo e violência levaram o governo a ampliar a atuação das forças de segurança.

Segundo o balanço divulgado pelas autoridades francesas nesta sexta-feira, 232 pessoas receberam condenações à prisão desde o início dos confrontos do último fim de semana.

Nuñez afirmou que o governo pretende agir com rigor contra pessoas envolvidas em depredações e saques.

O ministro também atribuiu parte da violência a grupos radicais de esquerda, mas não apresentou detalhes públicos que comprovassem a responsabilidade desses grupos pelos episódios mencionados.

Restrições aos protestos provocam críticas na França

Além do reforço policial, autoridades locais anunciaram restrições à realização de manifestações em determinadas regiões.

Em cidades como Marselha e Lyon, chegaram a ser anunciadas proibições abrangentes de atos não autorizados.

As medidas provocaram reações de sindicatos, movimentos estudantis, advogados e organizações de defesa dos direitos civis.

Representantes desses grupos afirmam que as restrições podem comprometer o direito constitucional de manifestação e questionam a proporcionalidade das decisões.

Na prática, algumas organizações passaram a negociar trajetos e horários dos protestos com as autoridades locais, enquanto outras recorreram à Justiça para contestar as proibições.

Em Marselha, uma manifestação sindical inicialmente afetada pelas restrições acabou sendo autorizada para sábado (24).

O governo sustenta que as medidas são necessárias para proteger a população e evitar novos ataques a estabelecimentos comerciais e prédios públicos.

Já os críticos argumentam que a resposta policial não resolve as reivindicações econômicas e sociais que motivaram as manifestações.

Museus fecham e jogo do PSG é adiado por segurança

A preparação para o fim de semana também começou a afetar atividades culturais, comerciais e esportivas.

Em Paris, importantes museus, incluindo o Louvre e o Museu d’Orsay, anunciaram fechamento durante o período de maior mobilização.

Comerciantes também começaram a proteger vitrines e entradas de estabelecimentos diante do receio de novos episódios de vandalismo.

No futebol, a partida entre Paris Saint-Germain e Lyon, inicialmente prevista para domingo (25), foi transferida para segunda-feira (26).

A alteração foi solicitada pela polícia de Paris e aceita pela liga francesa de futebol.

A mudança busca facilitar o planejamento da segurança pública, permitindo que mais agentes sejam direcionados para o acompanhamento das manifestações.

Por que a França enfrenta uma onda de protestos?

A atual mobilização reúne diferentes grupos insatisfeitos com as condições econômicas e sociais do país.

Entre as principais reivindicações estão medidas para reduzir o impacto do custo de vida, melhorar os serviços públicos e ampliar os investimentos em educação.

Estudantes também protestam contra a falta de professores, a superlotação de salas de aula e problemas na infraestrutura de escolas.

A insatisfação ganhou força ao longo de outubro, quando manifestações passaram a reunir diferentes categorias profissionais e movimentos sociais.

O agravamento dos confrontos aumentou a pressão sobre o presidente Emmanuel Macron e seu governo.

Além das reivindicações econômicas, a crise passou a envolver um debate sobre os limites da atuação policial e o direito de protestar.

Representantes do governo defendem medidas mais rígidas para impedir novos episódios de violência. Já sindicatos e organizações civis cobram respostas às demandas sociais e criticam restrições consideradas excessivas.

Próximos passos

As forças de segurança francesas deverão ampliar sua presença nas ruas a partir deste sábado (24), especialmente nas regiões onde estão previstas novas manifestações.

As autoridades locais continuarão avaliando os pedidos de autorização para protestos e as decisões judiciais sobre restrições impostas em diferentes cidades.

O governo Macron também deverá acompanhar o funcionamento dos serviços públicos, do transporte e das atividades comerciais durante o fim de semana.

Ainda não é possível determinar quantas pessoas participarão das próximas manifestações nem se haverá novos confrontos.

O resultado da operação policial e a dimensão dos protestos deverão indicar os próximos desdobramentos da crise, que continua envolvendo reivindicações econômicas, disputas políticas e questionamentos sobre a atuação das autoridades francesas.

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