Derrota na eleição encerra sequência de 24 anos de Flávio Bolsonaro em cargos públicos

Após perder a disputa presidencial para Lula, senador não terá mandato a partir de 2027; Ele passou pela Assembleia Legislativa do Rio e pelo Senado.
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Com a derrota na disputa pela Presidência da República em 2026, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ficará sem cargo público eletivo pela primeira vez em 24 anos. A mudança ocorrerá após o encerramento de seu mandato no Senado, previsto para janeiro de 2027.

Flávio construiu sua trajetória política no Legislativo do Rio de Janeiro e, posteriormente, no Congresso Nacional. Ao decidir concorrer ao Palácio do Planalto, ele deixou de disputar a renovação de sua cadeira no Senado, o que significa que não terá outro mandato eletivo imediatamente após o fim do atual.

A carreira política do senador começou em 2003, quando assumiu uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), aos 21 anos. Desde então, ele permaneceu em cargos públicos por meio de quatro mandatos como deputado estadual e, depois, de sua eleição para o Senado.

Com derrota, Flávio ficará sem cargo público e sem foro após 24 anos

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Da Alerj ao Senado Federal

Flávio foi eleito deputado estadual pela primeira vez em 2002, tomando posse no ano seguinte. Ele conseguiu se reeleger em 2006, 2010 e 2014, permanecendo na Assembleia Legislativa fluminense até o fim de 2018.

Na eleição daquele ano, disputou uma vaga no Senado pelo Rio de Janeiro e foi o candidato mais votado para o cargo no estado. O mandato de oito anos começou em fevereiro de 2019 e termina no início de 2027.

Antes da disputa presidencial, Flávio já havia tentado chegar ao Poder Executivo municipal. Em 2016, concorreu à Prefeitura do Rio de Janeiro, mas terminou a votação em quarto lugar e não avançou ao segundo turno. Na ocasião, continuou exercendo seu mandato de deputado estadual.

Derrota muda o futuro político

A eleição presidencial de 2026 representa uma mudança importante na trajetória de Flávio porque, diferentemente do que ocorreu em 2016, ele não permanecerá em outro cargo eletivo depois da derrota. Como não concorreu à reeleição para o Senado, o fim do mandato deixará o senador sem uma função pública conquistada pelo voto.

A ausência de mandato, porém, não impede que ele continue atuando politicamente, participando de articulações partidárias ou fazendo oposição ao governo. A diferença é que, a partir de 2027, ele não terá uma cadeira parlamentar ou outro mandato eletivo em seu nome, a menos que venha a assumir uma nova função pública ou dispute uma eleição futura.

Investigações e questões judiciais

Durante sua passagem pela Alerj, Flávio foi alvo de uma investigação sobre suspeitas de um esquema conhecido como “rachadinha”, relacionado à possível devolução de parte dos salários de assessores. A acusação do Ministério Público do Rio de Janeiro foi rejeitada pelo Tribunal de Justiça do estado em 2022, após decisões que anularam provas do caso.

O senador também passou a ser citado em apurações relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória de seu pai, Jair Bolsonaro. As suspeitas e investigações devem ser tratadas conforme o andamento de cada procedimento, sem que a existência de uma apuração represente, por si só, comprovação de irregularidade.

O que muda com o fim do mandato?

O encerramento do mandato também altera a situação de Flávio em relação ao foro por prerrogativa de função. Desde 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) entende que pode manter a competência para analisar determinados casos relacionados a crimes supostamente cometidos durante o exercício do cargo e em razão das funções, mesmo depois que a autoridade deixa a posição pública.

Assim, a saída do Senado não significa automaticamente que eventuais investigações serão encerradas ou transferidas para outra instância. A definição depende da natureza dos fatos investigados e das decisões judiciais aplicáveis a cada processo.

Um novo capítulo na carreira política

Depois de mais de duas décadas em cargos eletivos, Flávio Bolsonaro terá de definir os próximos passos de sua atuação política fora de um mandato. Ele poderá continuar participando das atividades do PL e das articulações da oposição, mas não terá a mesma posição institucional que ocupou como deputado estadual e senador.

A derrota presidencial, portanto, não encerra necessariamente sua participação na política brasileira, mas marca o fim de uma sequência de mandatos iniciada em 2003. O próximo capítulo dependerá das decisões do senador e dos caminhos que ele escolher seguir após deixar o Congresso.

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