Xi Jinping parabeniza Lula pela reeleição e quer elevar parceria com Brasil a novo patamar

Presidente chinês destaca importância estratégica das relações entre os países e sinaliza interesse em ampliar a cooperação econômica e diplomática durante o novo mandato.
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O presidente da China, Xi Jinping, parabenizou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela reeleição à Presidência da República e manifestou interesse em ampliar a parceria estratégica entre os dois países. A mensagem foi divulgada nesta terça-feira (27) pela agência estatal chinesa Xinhua, dois dias após a vitória do brasileiro no segundo turno das eleições presidenciais de 2026.

Na comunicação, Xi destacou o fortalecimento das relações entre Brasil e China nos últimos anos e afirmou que pretende trabalhar com Lula para levar a cooperação bilateral a novos patamares. O líder chinês ressaltou a importância política, econômica e diplomática da aproximação entre os dois governos, especialmente no cenário internacional.

A manifestação ocorre após Lula conquistar seu quarto mandato presidencial ao derrotar Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, realizado no domingo (25). A China, principal parceira comercial do Brasil, já havia reconhecido o resultado da eleição na segunda-feira (26), por meio de seu Ministério das Relações Exteriores.

Após reeleição, Lula se reúne com chanceler e assessores internacionais e articula encontros com Congresso

Xi Jinping quer ampliar cooperação entre Brasil e China

Na mensagem encaminhada ao presidente brasileiro, Xi Jinping destacou que os dois líderes mantiveram comunicação frequente nos últimos anos e contribuíram para o aprofundamento das relações diplomáticas.

O presidente chinês afirmou que a parceria ganhou importância estratégica e passou a representar um exemplo de cooperação entre países em desenvolvimento.

“Nos últimos anos, o presidente Lula e eu mantivemos estreita comunicação por diversos meios, liderando conjuntamente a construção de uma comunidade China-Brasil com um futuro compartilhado para um mundo mais justo e um planeta mais sustentável, rumo a novos progressos.”

Xi também ressaltou que a relação entre os dois países possui características globais, estratégicas e de longo prazo. Segundo ele, essa aproximação contribui para fortalecer a cooperação entre as nações do chamado Sul Global.

O líder chinês manifestou disposição para continuar trabalhando com Lula na construção de uma parceria mais abrangente, com iniciativas que possam beneficiar as populações brasileira e chinesa.

A declaração sinaliza a intenção de aprofundar os compromissos diplomáticos já existentes, mas não representa, por si só, a assinatura de novos acordos comerciais ou investimentos.

China é o principal parceiro comercial do Brasil

A aproximação entre Brasília e Pequim tem forte importância econômica. A China ocupa a posição de principal destino das exportações brasileiras e desempenha papel relevante no fornecimento de produtos industrializados, equipamentos e componentes utilizados por diferentes setores da economia nacional.

Entre os principais produtos brasileiros vendidos ao mercado chinês estão soja, minério de ferro, petróleo e carnes. Em contrapartida, o Brasil importa máquinas, equipamentos eletrônicos, veículos e outros bens industriais.

A relação também envolve investimentos em infraestrutura, energia, tecnologia e logística, além de iniciativas de cooperação científica e industrial.

Em julho de 2026, Lula e Xi conversaram por telefone sobre o aprofundamento de parcerias em áreas estratégicas, incluindo inteligência artificial, satélites, minerais críticos e comércio de fertilizantes.

Esses temas fazem parte de uma agenda mais ampla de aproximação entre os governos, que buscam ampliar as oportunidades de cooperação econômica e tecnológica.

Parceria estratégica foi ampliada em 2024

Brasil e China mantêm relações diplomáticas desde 1974. Ao longo das últimas décadas, a cooperação passou a incluir comércio, investimentos, ciência, tecnologia e participação conjunta em fóruns internacionais.

Em novembro de 2024, durante uma visita de Estado de Xi Jinping a Brasília, os dois governos anunciaram o aprofundamento da parceria bilateral e assinaram 37 documentos, incluindo acordos, memorandos e protocolos de cooperação.

Na ocasião, os países estabeleceram uma agenda voltada à construção de uma comunidade de futuro compartilhado por um mundo mais justo e um planeta mais sustentável.

A iniciativa busca ampliar a coordenação diplomática e econômica entre as duas nações, preservando os interesses e as prioridades de cada governo.

Brasil e China também integram o Brics, grupo de países que mantém discussões sobre desenvolvimento econômico, financiamento, comércio e reformas na governança internacional.

Governo chinês já havia reconhecido vitória de Lula

Antes da mensagem de Xi Jinping, o Ministério das Relações Exteriores da China já havia se manifestado oficialmente sobre o resultado das eleições brasileiras.

Na segunda-feira (26), o porta-voz da diplomacia chinesa, Guo Jiakun, afirmou que Pequim reconhecia a vitória anunciada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e estava disposta a continuar trabalhando com o Brasil.

Questionado sobre a contestação do resultado eleitoral apresentada por Flávio Bolsonaro, o representante chinês declarou que o país respeita a escolha do povo brasileiro.

A manifestação reforçou a posição diplomática de Pequim de manter a cooperação com o governo brasileiro após a conclusão do processo eleitoral.

Além de Xi Jinping, o vice-presidente chinês, Han Zheng, também encaminhou uma mensagem de congratulações ao vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin (PSB), reeleito na chapa de Lula.

Próximos passos

A expectativa é que os governos brasileiro e chinês mantenham o diálogo sobre comércio, investimentos e cooperação tecnológica durante o próximo mandato presidencial, que começa em janeiro de 2027.

A mensagem de Xi Jinping demonstra disposição política para aprofundar a parceria, mas eventuais novos compromissos dependerão de negociações entre os dois países.

Até o momento, não foram anunciados novos valores de investimentos, acordos comerciais ou datas de encontros presenciais decorrentes diretamente da mensagem enviada ao presidente brasileiro.

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