A família do engenheiro ambiental Marcelo de Oliveira Rocha, de 30 anos, autorizou a doação de seus órgãos após a confirmação de sua morte, decorrente de uma agressão brutal em Santos, no litoral de São Paulo. A decisão foi divulgada nesta terça-feira (27) e, segundo o pai da vítima, Marcelo Rodrigues da Rocha, respeita um desejo que o próprio filho havia manifestado em vida.
Marcelo morreu após ser espancado e roubado por um grupo de homens na madrugada de sábado (24), quando se afastou de uma apresentação musical ligada a um ato de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele sofreu traumatismo craniano grave, foi hospitalizado e teve a morte confirmada na segunda-feira (26).

A autorização para a doação acrescenta um novo capítulo à história do engenheiro, que cursava mestrado na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Enquanto familiares e amigos enfrentam a perda, a Polícia Civil trabalha para identificar os responsáveis pela agressão e esclarecer as circunstâncias do crime.
Engenheiro morre após ser agredido depois de ato político no litoral de SP
Família decide respeitar desejo de Marcelo
A decisão de autorizar a doação de órgãos foi tomada após a confirmação da morte do engenheiro. De acordo com o pai, Marcelo já havia expressado a vontade de ser doador, e a família optou por respeitar essa escolha.
A doação de órgãos depende de autorização familiar no Brasil, mesmo quando a pessoa manifestou em vida o desejo de doar. Após a confirmação da morte encefálica, equipes médicas avaliam as condições clínicas e a possibilidade de aproveitamento dos órgãos e tecidos.
A autorização não significa, necessariamente, que todos os órgãos poderão ser transplantados. A viabilidade depende de avaliações médicas, critérios de compatibilidade e procedimentos conduzidos pelas equipes responsáveis.
Engenheiro foi agredido após sair de evento político
O ataque aconteceu por volta das 3h de sábado (24), nas proximidades da Avenida Conselheiro Nébias, em Santos. Marcelo participava de uma apresentação da Banda Esquerdantina, realizada perto do Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista, quando se afastou dos amigos para ir ao banheiro.
Como não retornou, conhecidos começaram a procurá-lo e o encontraram desacordado, com ferimentos graves, nas proximidades da Rua Henrique Ablas.
Imagens de câmeras de segurança registraram parte da violência. O engenheiro foi inicialmente abordado por dois homens e, posteriormente, cercado por outros suspeitos. Ao todo, pelo menos sete pessoas teriam participado da agressão.
Marcelo recebeu socos e chutes, caiu no chão e permaneceu desacordado. Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), os agressores também roubaram seu celular e outros pertences antes de fugir.

Vítima foi transferida para hospital em São Paulo
Após o ataque, Marcelo foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado à Santa Casa de Santos, onde recebeu atendimento de emergência.
Devido à gravidade das lesões, o engenheiro foi transferido no domingo (25) para o Hospital São Paulo, vinculado à Unifesp, na capital paulista.

A família informou que a morte encefálica havia sido identificada no domingo, mas ainda era necessária a conclusão dos procedimentos médicos para confirmar o diagnóstico. A confirmação definitiva ocorreu na segunda-feira (26).
Marcelo era engenheiro ambiental e desenvolvia sua formação acadêmica na Unifesp. A universidade lamentou a morte do estudante, prestou solidariedade aos familiares e cobrou uma investigação rigorosa sobre o ataque.
Polícia investiga crime e busca identificar agressores
O caso é investigado pelo 4º Distrito Policial de Santos. A Polícia Civil analisa imagens de câmeras de segurança, registros divulgados nas redes sociais e depoimentos para identificar os envolvidos e determinar a participação de cada suspeito.
A investigação também busca esclarecer a motivação da agressão. Embora Marcelo tenha sido atacado após participar de um evento político, ainda não há confirmação oficial de que o crime tenha sido motivado por divergências políticas.
A possibilidade de homofobia também foi mencionada em manifestações públicas após o ataque, mas essa hipótese ainda depende de apuração.
A Polícia Civil trata o caso como latrocínio, crime caracterizado pelo roubo seguido de morte. A identificação dos responsáveis e o esclarecimento das circunstâncias do ataque permanecem entre as prioridades da investigação.
Próximos passos
Com a autorização da família, os procedimentos relacionados à possível doação de órgãos seguem os protocolos médicos e os critérios do sistema de transplantes. A quantidade de órgãos efetivamente doados e os eventuais transplantes dependem da avaliação das equipes responsáveis.
Paralelamente, a Polícia Civil continua reunindo provas para identificar os agressores e esclarecer a motivação do crime. A família aguarda a responsabilização dos envolvidos na morte do engenheiro.