Celular via satélite chega ao Brasil, mas tem restrições; veja como vai funcionar

Parceria entre Vivo e Starlink permite conexão em áreas sem cobertura tradicional, mas limita chamadas e aplicativos; outras três operadoras também negociam serviços semelhantes.
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

A conexão de celulares diretamente a satélites começou a ganhar espaço no Brasil, com a chegada do Vivo Satélite, serviço desenvolvido em parceria com a Starlink, empresa de Elon Musk. A novidade promete manter smartphones compatíveis conectados em estradas, áreas rurais e regiões remotas onde não existe sinal das antenas convencionais.

Apesar do avanço, a tecnologia ainda não oferece a mesma experiência das redes 4G e 5G. O serviço permite utilizar determinados aplicativos de mensagens, chamadas pela internet e mapas, mas não libera navegação irrestrita, videochamadas ou ligações telefônicas convencionais. O acesso também depende do modelo do aparelho e das condições de recepção.

Além da Vivo, as operadoras Unifique, Brisanet e iez! anunciaram um acordo com a americana AST SpaceMobile para desenvolver uma alternativa de conexão direta entre satélites e celulares. A iniciativa ainda depende de contratos definitivos e autorizações regulatórias.

Vivo lança serviço via satélite em parceria com a Starlink

Como funciona a internet via satélite diretamente no celular?

A tecnologia é conhecida como Direct-to-Cell ou Direct-to-Device e permite que determinados satélites funcionem como uma extensão das redes de telefonia móvel.

Na prática, quando um smartphone compatível perde a cobertura terrestre, ele pode tentar estabelecer comunicação diretamente com um satélite em órbita baixa.

Diferentemente da internet residencial da Starlink, essa modalidade não exige que o consumidor instale uma antena externa ou carregue um equipamento específico para receber o sinal.

A conexão utiliza frequências de telefonia móvel e depende de acordos entre as empresas responsáveis pelos satélites e as operadoras que atendem os consumidores.

O objetivo é reduzir as áreas sem cobertura, principalmente em locais onde a instalação de torres convencionais é difícil ou economicamente inviável.

O que será possível fazer com o Vivo Satélite?

A parceria entre Vivo e Starlink prevê acesso a um conjunto limitado de aplicativos e funcionalidades.

Entre os recursos anunciados estão:

  • Envio e recebimento de mensagens em aplicativos compatíveis;
  • Chamadas de voz pelo WhatsApp;
  • Utilização de serviços como iMessage e Google Mensagens;
  • Consulta de rotas e mapas pelo Google Maps e Apple Maps;
  • Acesso a funcionalidades específicas do aplicativo da Vivo.

A operadora não promete, nesta etapa, a mesma velocidade ou liberdade de navegação oferecida pelas redes móveis convencionais.

O serviço não contempla chamadas telefônicas tradicionais, videochamadas ou acesso irrestrito a sites e plataformas de streaming.

Por isso, o consumidor não deve interpretar a novidade como uma substituição completa de seu plano de internet móvel.

Quem poderá utilizar a conexão via satélite?

A Vivo informou que a tecnologia tem potencial para alcançar aproximadamente 50 milhões de clientes, considerando consumidores e empresas.

Entretanto, isso não significa que todos os assinantes poderão utilizar o serviço imediatamente.

A disponibilidade depende da compatibilidade do smartphone, da modalidade de plano, da configuração do aparelho e das condições técnicas da conexão.

Entre os requisitos estão o uso de um dispositivo compatível e a possibilidade de estabelecer comunicação com os satélites.

A tecnologia foi desenvolvida para funcionar principalmente em locais abertos, com boa visibilidade do céu.

Edifícios, estruturas metálicas, montanhas e outros obstáculos podem dificultar ou impedir a recepção.

Serviço terá período gratuito para clientes elegíveis

A oferta inicial do Vivo Satélite prevê um período promocional sem cobrança adicional para clientes que atendam às condições estabelecidas pela operadora.

Para consumidores elegíveis, a gratuidade anunciada é de 12 meses. Para empresas, a oferta inicial prevê três meses.

O serviço contempla modalidades selecionadas de planos pós-pagos, Controle, Vivo Lite e pré-pagos, conforme as regras comerciais.

No caso dos clientes pré-pagos, a disponibilidade pode depender do valor e da validade das recargas.

A operadora ainda não detalhou o preço que será cobrado após o encerramento dos períodos promocionais.

Também não foram divulgados todos os parâmetros de velocidade e franquia de dados.

Unifique, Brisanet e iez! anunciam parceria com outra empresa

Além da Vivo, três operadoras regionais brasileiras anunciaram uma iniciativa conjunta com a AST SpaceMobile, companhia americana que desenvolve uma rede de satélites voltada à comunicação com celulares convencionais.

A Unifique atua principalmente no Sul do país. A Brisanet concentra operações no Nordeste, enquanto a iez! possui atuação em estados do Sudeste.

O acordo prevê a utilização de frequências de 700 MHz e investimentos em estações terrestres responsáveis pela integração entre as redes móveis e os satélites.

A AST desenvolve a constelação BlueBird, projetada para oferecer serviços de voz, dados e, futuramente, aplicações que exigem maior capacidade de transmissão.

Diferentemente do serviço anunciado pela Vivo, a iniciativa das três operadoras ainda está em fase de desenvolvimento comercial e regulatório.

Os contratos definitivos, os investimentos necessários e o cronograma de lançamento não foram divulgados.

Por que o celular via satélite ainda tem limitações?

Embora a tecnologia amplie as possibilidades de comunicação, existem diferenças importantes entre uma rede de satélites e a infraestrutura tradicional de telefonia.

As antenas terrestres conseguem atender grande quantidade de usuários em áreas relativamente pequenas, oferecendo capacidade elevada de transmissão de dados.

Já a conexão direta com satélites precisa distribuir os recursos disponíveis entre aparelhos localizados em regiões extensas.

Isso limita a velocidade e a quantidade de dados que podem ser transmitidos simultaneamente, especialmente quando muitos usuários tentam acessar o serviço.

Outro desafio é a recepção em ambientes fechados. Paredes, coberturas e construções podem bloquear ou enfraquecer o sinal.

Também existem custos elevados para lançar novos satélites, manter a infraestrutura e integrar os sistemas às redes das operadoras.

Por essas razões, a expectativa é que a conexão via satélite funcione como complemento das redes 4G e 5G, e não como substituta integral.

Conexão pode beneficiar motoristas e moradores de áreas remotas

Entre os principais beneficiados estão consumidores que frequentam regiões sem cobertura de telefonia móvel.

Motoristas que percorrem rodovias afastadas dos centros urbanos poderão utilizar aplicativos compatíveis para trocar mensagens ou consultar informações de localização.

Trabalhadores rurais, equipes que atuam em campo e moradores de comunidades isoladas também poderão ter novas alternativas de comunicação.

A tecnologia pode ser útil em situações de falta de cobertura terrestre, mas o serviço anunciado não deve ser confundido com um sistema universal de emergência.

O Vivo Satélite, nesta fase, não oferece chamadas convencionais para números de emergência nem substitui os canais oficiais de alerta da Defesa Civil.

Quando a conexão estará disponível para todos os brasileiros?

O Vivo Satélite iniciou sua oferta comercial para clientes elegíveis, mas a utilização depende de aparelhos compatíveis e das condições estabelecidas pela operadora.

A expansão para mais dispositivos, aplicações e modalidades de uso dependerá de atualizações técnicas e comerciais.

No caso da parceria entre Unifique, Brisanet, iez! e AST SpaceMobile, ainda não existe uma data confirmada para a disponibilização ampla do serviço ao consumidor.

As iniciativas também estão sujeitas às regras e autorizações da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Antes de contratar ou tentar utilizar a conexão, o consumidor deve consultar sua operadora para verificar a compatibilidade do aparelho, as funcionalidades disponíveis e as condições de cobrança.

A chegada da comunicação direta por satélite representa uma nova possibilidade de cobertura no Brasil, mas seu alcance efetivo dependerá da evolução da infraestrutura e da ampliação dos serviços oferecidos.

Carregar Comentários