O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) orientou ministros e auxiliares a agir com cautela diante da ida do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos. A orientação é tratar o episódio como uma questão judicial, sob responsabilidade do Supremo Tribunal Federal (STF) e da Polícia Federal (PF), e evitar manifestações que possam ampliar as tensões diplomáticas entre Brasília e Washington.
Segundo informações publicadas pelo Metrópoles nesta quinta-feira (29), a estratégia do Palácio do Planalto é evitar que o caso seja transformado em um embate político entre os governos brasileiro e norte-americano. Integrantes da gestão avaliam que a situação deve seguir os procedimentos legais, sem que o Executivo assuma a condução de um assunto em análise pelas autoridades judiciais.
Flávio chegou aos Estados Unidos na quarta-feira (28), depois de deixar o Brasil pela fronteira com a Argentina. A viagem ocorreu após uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que determinou a entrega dos passaportes do senador e o proibiu de deixar o país.
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A orientação interna é não alimentar declarações que possam ser utilizadas para sustentar acusações de perseguição política. O governo também pretende manter os canais de diálogo com a administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apesar das divergências envolvendo a família Bolsonaro e autoridades norte-americanas.
Interlocutores do governo ouvidos pelo Metrópoles afirmaram que a diplomacia brasileira deve tratar a situação sob a perspectiva judicial. A avaliação relatada pela publicação é que o Poder Executivo não deve interferir na atuação do Judiciário nem transformar o caso em uma disputa direta com Washington.
O episódio ocorre em um contexto de divergências entre Brasil e Estados Unidos, que já enfrentaram atritos relacionados a medidas comerciais e declarações de Trump sobre a política brasileira. A permanência de integrantes da família Bolsonaro em território norte-americano também é acompanhada pelo governo brasileiro.
Relação com os Estados Unidos segue na agenda
Apesar do desgaste provocado pelo caso, integrantes do governo defendem a manutenção de uma relação pragmática com os Estados Unidos. Comércio, segurança pública e outros interesses bilaterais continuam na agenda diplomática, independentemente das disputas políticas internas do Brasil.
A avaliação relatada pelo Metrópoles é que a viagem do senador pode gerar novos atritos, mas não elimina a possibilidade de diálogo entre os dois países. A posição do governo é evitar que o episódio determine, sozinho, o rumo das relações bilaterais.
Flávio deixou o país após decisão do STF
A Polícia Federal informou que investiga as circunstâncias da saída do senador. Segundo a corporação, não foram encontrados registros de passagem de Flávio por postos oficiais de controle migratório brasileiro durante o trajeto. A PF também informou que os passaportes brasileiros do parlamentar foram cancelados após o descumprimento da ordem judicial.
De acordo com informações divulgadas pelas autoridades, Flávio cruzou a fronteira com a Argentina na terça-feira (27) e seguiu viagem em uma aeronave particular, com destino aos Estados Unidos após uma escala no Equador. Ele viajou acompanhado da mulher e das duas filhas.
A decisão de Alexandre de Moraes havia sido tomada depois de a Polícia Federal apontar risco de saída do país. A ordem determinava a entrega dos passaportes e incluía a proibição de deixar o território nacional.
Senador é investigado e nega irregularidades
Flávio Bolsonaro é investigado em procedimentos que tramitam no STF. Um deles apura suspeitas de lavagem de dinheiro em um suposto esquema envolvendo o advogado e empresário Willer Tomaz e empresas ligadas a apostas on-line. Outro inquérito examina suspeitas relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
As investigações não equivalem a uma condenação. Flávio e Willer Tomaz negam irregularidades. A Polícia Federal informou que apura as circunstâncias da saída do senador e os possíveis efeitos do descumprimento da ordem judicial.
Governo norte-americano autorizou entrada da família
O Departamento de Estado dos Estados Unidos informou que seriam concedidos vistos a Flávio e a seus familiares. Segundo informações publicadas pelo Metrópoles, o senador entrou no país utilizando um passaporte italiano e estava em situação migratória regular nos Estados Unidos.
A autorização de entrada em território norte-americano, no entanto, não elimina as questões judiciais em andamento no Brasil. A investigação sobre a saída do senador e o cumprimento das determinações do STF seguem sob responsabilidade das autoridades brasileiras.
O governo Lula busca, portanto, manter o caso no campo institucional e judicial, enquanto procura evitar que a situação produza um novo foco de confronto diplomático com a administração Trump.