O advogado Willer Tomaz possui cinco imóveis em ilhas de Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro, além da propriedade envolvida em uma disputa com o jogador Richarlison. Registros patrimoniais e documentos relacionados às empresas ligadas ao advogado apontam que as propriedades identificadas somam R$ 40,4 milhões em valores registrados. O cálculo não inclui uma participação de 25% em outra residência na região.
As propriedades estão distribuídas entre a Ilha Comprida e a Ilha do José André. Parte das aquisições foi realizada entre 2021 e 2022, período em que o senador Flávio Bolsonaro apresentou propostas relacionadas à exploração econômica de áreas da Costa Verde e atuou como relator da PEC das Praias no Senado.
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Imóveis estão distribuídos por ilhas de Angra
Entre as propriedades identificadas, quatro ficam na Ilha Comprida e foram adquiridas por meio da empresa WT Administração de Imóveis e Bens. Os registros apontam terrenos com valores patrimoniais de R$ 5,7 milhões, R$ 2,1 milhões, R$ 6 milhões e R$ 2,9 milhões.
O imóvel de R$ 2,9 milhões é justamente o que está no centro da disputa com Richarlison. O jogador afirma ter investido cerca de R$ 10 milhões na propriedade, enquanto Tomaz sustenta que os direitos sobre o local foram adquiridos regularmente por sua empresa.
Outra propriedade fica na Ilha do José André. O imóvel foi adquirido em 2008 pela empresa Friponor Brasil Turismo, Empreendimentos e Participações, em um terreno de aproximadamente 57,3 mil metros quadrados. O valor patrimonial registrado é de R$ 23,7 milhões.
Também há uma participação de 25% em uma residência na Ilha do Jorge, registrada em nome de uma empresa relacionada ao grupo Prime You. Como não há valor informado para essa participação, ela não entra na soma de R$ 40,4 milhões.

Aquisições coincidem com propostas apresentadas por Flávio Bolsonaro
Parte das compras na Ilha Comprida ocorreu em 2021 e 2022, quando Flávio Bolsonaro apresentou iniciativas legislativas relacionadas à exploração econômica de áreas de Angra dos Reis, Mangaratiba e Paraty.
O senador também foi relator da PEC 3/2022, conhecida como PEC das Praias, que propõe mudanças nas regras de transferência de terrenos de marinha, atualmente pertencentes à União.
As propostas tratam de temas como ocupação, gestão e exploração econômica de áreas costeiras. A coincidência entre o período das aquisições e a atuação parlamentar é um dado de contexto, mas não comprova, por si só, relação entre os negócios imobiliários e as iniciativas legislativas.
Pedidos ambientais envolveram propriedades na região
Em março de 2026, Willer Tomaz apresentou pedidos ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea) relacionados a construções na Ilha Comprida e à implantação de um empreendimento turístico na Ilha do José André.
As solicitações foram protocoladas após a publicação de um decreto estadual que flexibilizava regras de ocupação em áreas protegidas do litoral fluminense. A norma foi revogada cerca de 20 dias depois.
Os pedidos ambientais e a situação das propriedades integram o contexto dos investimentos imobiliários atribuídos a empresas ligadas ao advogado na região de Angra dos Reis.
Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro são investigados
Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro são investigados no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas relacionadas a lavagem de dinheiro. A apuração tramita sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
A investigação não representa condenação nem comprova, por si só, a prática de crime. Os envolvidos negam irregularidades. A existência de apuração deve ser diferenciada de uma eventual responsabilização criminal.

Disputa com Richarlison envolve imóvel na Ilha Comprida
A propriedade que colocou Willer Tomaz e Richarlison no centro de uma disputa fica na Ilha Comprida. O atacante afirma ter investido aproximadamente R$ 10 milhões no imóvel e questiona a negociação que levou uma empresa ligada ao advogado a reivindicar os direitos de ocupação da área.

Tomaz afirma que sua empresa adquiriu os direitos de maneira regular e sustenta que documentos e decisões judiciais respaldam sua posição. O advogado também contesta as acusações feitas pelo jogador.
Flávio Bolsonaro nega ter comprado, vendido ou intermediado o imóvel. O senador afirma que não possui vínculo com a propriedade e rejeita as acusações de participação irregular na disputa.
O caso envolve versões diferentes sobre a negociação e os direitos de ocupação do imóvel. As alegações das partes devem ser consideradas no contexto dos procedimentos judiciais e administrativos relacionados à propriedade.