Moradores da Ucrânia receberam alertas de possíveis ataques nucleares e químicos nos celulares na noite deste domingo (1º). As notificações foram enviadas pelo aplicativo oficial de emergência utilizado no país e também indicavam risco de confrontos armados nas ruas. As autoridades ucranianas desmentiram as ameaças e informaram que o sistema pode ter sido alvo de uma ação hacker.
Os avisos começaram a aparecer por volta das 22h50, no horário local, equivalente às 17h50 em Brasília. Em Kiev, capital ucraniana, moradores compartilharam imagens das notificações nas redes sociais. Alertas semelhantes também foram registrados em outras regiões, incluindo Zaporizhzhia, no sudeste do país, próximo à linha de frente da guerra contra a Rússia.
A Força Aérea da Ucrânia informou que não havia ameaça radiológica e orientou a população a manter a calma. O governo investiga a possibilidade de acesso não autorizado ao aplicativo Alerta Aéreo, ferramenta utilizada para avisar sobre bombardeios e outras situações de emergência. Até o momento, não há confirmação oficial sobre a identidade dos responsáveis pela possível invasão.
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Alertas falsos mencionavam ataque nuclear e combates nas ruas
As notificações enviadas aos celulares indicavam diferentes tipos de ameaça ao mesmo tempo, incluindo perigo nuclear, contaminação química e confrontos armados em áreas urbanas.
O aplicativo Alerta Aéreo é utilizado pela população ucraniana para acompanhar riscos relacionados à guerra, como ataques de drones, mísseis e bombardeios.
Durante o episódio deste domingo, o sistema apresentou mensagens incomuns, que não correspondiam às informações divulgadas pelos órgãos oficiais de segurança.
Em uma das notificações compartilhadas nas redes sociais, o texto estava escrito em russo e mencionava um suposto ataque com o míssil Oreshnik, armamento desenvolvido pela Rússia.
A mensagem também apresentava um endereço eletrônico associado ao Telegram, levantando preocupações sobre uma possível tentativa de direcionar usuários para páginas não confiáveis.
As autoridades não confirmaram qualquer lançamento de míssil nuclear relacionado às notificações.
Força Aérea da Ucrânia nega ameaça radiológica
Após a circulação das mensagens, a Força Aérea ucraniana divulgou um comunicado para esclarecer a situação.
Segundo os militares, o aplicativo provavelmente sofreu interferência externa, mas não havia evidências de uma ameaça radiológica real.
“O aplicativo Alerta Aéreo provavelmente sofreu uma interferência inimiga. Não há nenhuma ameaça de radiação! Mantenham a calma e acompanhem nossas mensagens em nosso canal.”
O posicionamento buscou evitar que os moradores interpretassem as notificações como confirmação de um ataque nuclear.
A administração de Kiev também informou que não existia ameaça radiológica na capital.
O Ministério do Interior da Ucrânia orientou a população a não compartilhar mensagens sem confirmação e a evitar links desconhecidos enviados durante o incidente.
Governo investiga possível invasão do aplicativo
O Centro de Combate à Desinformação da Ucrânia também se manifestou sobre o episódio.
Andriy Kovalenko, ligado ao órgão, afirmou que poderia ter ocorrido um acesso não autorizado ao sistema responsável pelo envio dos alertas.
A suspeita é de que terceiros tenham conseguido interferir no funcionamento do aplicativo para divulgar informações falsas.
No entanto, as autoridades ainda não esclareceram como as mensagens foram inseridas na plataforma nem se houve comprometimento de servidores, contas administrativas ou outros componentes do sistema.
Também não há confirmação de que informações pessoais dos usuários tenham sido acessadas.
Embora a Força Aérea tenha mencionado a possibilidade de interferência inimiga, a autoria da ação não foi estabelecida. Por isso, não é possível atribuir o episódio diretamente ao governo russo ou a algum grupo específico.
O que é o aplicativo Alerta Aéreo?
O Alerta Aéreo é uma ferramenta de comunicação emergencial utilizada na Ucrânia desde o início da invasão russa em larga escala, em fevereiro de 2022.
O aplicativo permite que moradores recebam notificações sobre diferentes situações de risco, de acordo com a região onde estão localizados.
Entre os alertas disponíveis estão ataques aéreos, bombardeios, ameaças químicas, riscos radiológicos e confrontos armados.
O sistema foi desenvolvido para ampliar o alcance das informações de emergência, especialmente em situações nas quais a população precisa procurar abrigo rapidamente.
Durante a guerra, esse tipo de comunicação se tornou essencial para moradores de cidades frequentemente atingidas por drones e mísseis.
Por isso, uma possível invasão da plataforma gera preocupação não apenas pela divulgação de informações falsas, mas também pelo risco de comprometer a confiança da população nos avisos legítimos.
Como os moradores devem verificar os alertas?
Diante da suspeita de ataque hacker, as autoridades ucranianas recomendaram que os moradores consultem os canais oficiais das Forças Armadas, dos serviços de emergência e das administrações regionais.
Em Kiev, o governo municipal orientou a população a acompanhar também o aplicativo Kyiv Digital e os sistemas públicos de alerta, que continuavam funcionando normalmente.
A recomendação é não acessar links desconhecidos, não compartilhar mensagens suspeitas e conferir informações alarmantes antes de divulgá-las.
As autoridades também ressaltaram que o episódio não significa que todos os alertas de emergência devam ser ignorados.
A Ucrânia continua enfrentando ataques durante a guerra, e avisos legítimos sobre drones, mísseis e bombardeios permanecem relevantes para a segurança da população.
Entenda o contexto da guerra entre Rússia e Ucrânia
O episódio aconteceu em meio à guerra iniciada em fevereiro de 2022, quando a Rússia lançou uma invasão militar em larga escala contra o território ucraniano.
Desde então, cidades do país passaram a utilizar sistemas de alerta para informar moradores sobre ataques aéreos e outras ameaças.
Além dos confrontos militares, a guerra também envolve disputas no ambiente digital, incluindo tentativas de desinformação, ataques cibernéticos e operações voltadas a sistemas de comunicação.
Nesse contexto, a segurança das plataformas de emergência é considerada importante para garantir que a população receba informações confiáveis.
O incidente deste domingo também encontra paralelo em episódios registrados em outros países.
No Brasil, em junho de 2026, mensagens falsas foram enviadas por meio de um sistema da Defesa Civil. Posteriormente, o Ministério da Integração informou que credenciais comprometidas e uma vulnerabilidade da plataforma haviam sido utilizadas no disparo irregular dos avisos.
Embora os episódios tenham características semelhantes, não existe informação que indique qualquer ligação entre os casos.
Próximos passos
As autoridades ucranianas deverão continuar a investigação para identificar como ocorreram os disparos irregulares e se houve invasão da plataforma.
A análise também deverá verificar a extensão do incidente e a necessidade de medidas adicionais de segurança digital.
Até a última atualização, não havia confirmação de ameaça nuclear ou química relacionada às notificações, e os responsáveis pela possível ação hacker não tinham sido identificados.
A população foi orientada a acompanhar os canais oficiais e continuar respeitando alertas legítimos de emergência.