Uma operação policial contra o tráfico humano e a exploração sexual de crianças e adolescentes terminou com 281 pessoas presas na Flórida, nos Estados Unidos. Entre os detidos estão 17 funcionários de parques temáticos da região de Orlando, sendo 13 da Disney World e quatro da Universal Studios. O balanço foi divulgado na sexta-feira (30) pelo gabinete do xerife do condado de Polk, Grady Judd.
A investigação durou sete dias e teve duas frentes principais: identificar suspeitos envolvidos em atividades relacionadas ao tráfico humano e prender adultos que tentavam marcar encontros sexuais com menores de idade. Segundo as autoridades, sete dos 17 trabalhadores dos parques são investigados por crimes sexuais contra crianças e adolescentes. A operação também permitiu identificar 11 possíveis vítimas de tráfico humano, que receberam encaminhamento para serviços de assistência.
Polícia prende suspeitos de integrar rede de exploração sexual de crianças no Rio
Como funcionou a operação que prendeu 281 pessoas?
Batizada de Polk Around and Find Out II, a operação reuniu investigadores de diferentes órgãos policiais e instituições de segurança dos Estados Unidos.
As equipes realizaram atividades disfarçadas para identificar pessoas suspeitas de envolvimento em exploração sexual, prostituição ilegal e tentativas de contato com crianças e adolescentes para fins sexuais.
Parte dos investigadores se apresentou na internet como menores de idade ou como responsáveis por crianças, com o objetivo de identificar adultos que buscavam encontros ilegais.
Segundo o gabinete do xerife, a ação resultou em 239 prisões relacionadas a delitos envolvendo prostituição, 31 relacionadas à atuação de suspeitos de crimes sexuais contra menores e outras 11 por infrações diversas.
Ao todo, os investigadores contabilizaram 281 detenções e quase 500 acusações criminais.
O xerife Grady Judd classificou a ação como a maior operação disfarçada já realizada por sua corporação.
As prisões foram anunciadas durante uma entrevista coletiva com a participação de autoridades estaduais e representantes dos órgãos envolvidos.
Funcionários da Disney e Universal estão entre os detidos
Um dos aspectos que mais chamou a atenção foi a identificação de funcionários de dois dos maiores complexos de entretenimento do mundo.
De acordo com os investigadores, 13 pessoas presas trabalhavam na Disney World e quatro na Universal Studios.
Entre os 17 funcionários, sete são suspeitos de crimes sexuais envolvendo menores de idade.
Os demais foram detidos por outras infrações investigadas durante a operação, principalmente relacionadas à prostituição ilegal.
É importante destacar que os números não significam que todos os funcionários tenham cometido abusos contra crianças ou que os crimes investigados tenham ocorrido dentro dos parques.
As autoridades identificaram os vínculos profissionais dos suspeitos durante a investigação, mas as acusações individuais são diferentes.
Segundo o xerife, a Disney colaborou com as autoridades e desligou os funcionários envolvidos.
Uma reportagem da emissora americana Fox 13 também informou que a Universal demitiu trabalhadores presos na operação.
Ex-intérprete do Mickey Mouse foi preso
Entre os investigados está Collin Klaco, de 24 anos, que já havia trabalhado na Disney interpretando o personagem Mickey Mouse.
Segundo a polícia, Klaco foi detido depois de trocar mensagens com um investigador que se apresentava como responsável por um menino de 13 anos.
As autoridades afirmaram que o suspeito viajou até o local combinado para o encontro.
Durante a abordagem, os policiais encontraram duas mochilas com fraldas.
O gabinete do xerife informou que Klaco já não trabalhava na Disney quando foi preso, embora tivesse atuado anteriormente no parque.
Ele passou a responder a acusações relacionadas à tentativa de encontro sexual com menor, solicitação por meios eletrônicos e uso de dispositivos de comunicação para a prática de crime.
O fato de ter interpretado o personagem foi destacado pelas autoridades em razão do contato que esse tipo de atividade profissional pode proporcionar com famílias e crianças.
A prisão, entretanto, não representa uma condenação, e as acusações deverão ser examinadas pela Justiça.
Treinador de crianças e policial também foram presos
A operação identificou suspeitos que exerciam outras funções com potencial contato com crianças e adolescentes.
Um deles era treinador de uma equipe de futebol americano infantil, o Davenport Titans, que atende jovens com idades entre 11 e 14 anos.
Segundo a investigação, o homem acreditava que encontraria uma adolescente de 14 anos para manter contato sexual.
Também foi preso um integrante das forças de segurança do condado de Orange, identificado como Eric Raymond.
O policial foi detido durante uma das ações disfarçadas relacionadas à prostituição ilegal.
As autoridades destacaram que a presença de profissionais ligados à segurança pública e a atividades com crianças aumenta a necessidade de apuração rigorosa das acusações.
As responsabilidades de cada detido serão avaliadas individualmente ao longo dos processos judiciais.
Investigação identificou 11 vítimas de tráfico humano
Além das prisões, a operação teve como objetivo identificar pessoas que poderiam estar sendo exploradas por redes de tráfico humano.
Durante as ações, investigadores e equipes de assistência social avaliaram situações de vulnerabilidade entre pessoas abordadas em investigações relacionadas à prostituição.
Ao final, 11 possíveis vítimas de tráfico humano foram identificadas.
Segundo as autoridades, essas pessoas receberam encaminhamento para serviços de apoio, proteção e assistência.
O trabalho contou com a participação de organizações especializadas e de representantes do Departamento de Crianças e Famílias da Flórida.
A identificação de vítimas é considerada uma etapa importante dessas operações, porque nem todas as pessoas encontradas em situações de exploração podem ser tratadas como responsáveis pelos crimes investigados.
Os procedimentos também buscam reunir informações que permitam identificar possíveis exploradores e outras pessoas envolvidas em redes criminosas.
Suspeitos estavam armados e alguns cumpriam liberdade condicional
O gabinete do xerife também divulgou informações sobre a situação de parte dos detidos.
Segundo Grady Judd, 24 suspeitos portavam armas de fogo quando compareceram aos locais monitorados pelos investigadores.
Outros nove estavam em liberdade condicional no momento da prisão.
A polícia informou ainda que 32 detidos não possuíam documentação migratória regular nos Estados Unidos.
Até a entrevista coletiva, 16 deles haviam sido transferidos para a custódia de autoridades federais responsáveis pela fiscalização migratória.
As questões relacionadas à situação migratória são distintas das acusações de exploração sexual e tráfico humano.
Cada suspeito poderá responder aos procedimentos criminais e administrativos correspondentes à sua situação.
As prisões aconteceram dentro dos parques?
A operação ocorreu no condado de Polk e em áreas da região central da Flórida, com atividades de investigação disfarçada e encontros previamente organizados pelos policiais.
Embora parte dos suspeitos trabalhasse em parques temáticos, isso não significa que as prisões ou os crimes investigados tenham ocorrido dentro das atrações da Disney ou da Universal.
As autoridades não apresentaram evidências de que as empresas participassem de uma organização criminosa.
O vínculo com os parques foi identificado porque alguns dos detidos eram funcionários desses estabelecimentos.
Segundo a polícia, as empresas colaboraram com os investigadores, e houve desligamentos dos trabalhadores envolvidos.
A distinção é importante para não confundir acusações individuais contra funcionários com uma eventual responsabilidade institucional, que não foi estabelecida pelas informações divulgadas.
Próximos passos
As autoridades americanas deverão encaminhar os casos ao sistema de Justiça para a análise das acusações apresentadas contra os detidos.
A investigação também poderá avançar na identificação de outras pessoas envolvidas em possíveis redes de tráfico humano e exploração sexual.
Os órgãos de assistência continuarão responsáveis pelo acompanhamento das vítimas identificadas durante a operação.
Até o momento, o balanço divulgado pelas autoridades registra 281 prisões e 11 possíveis vítimas de tráfico humano.
Os suspeitos ainda não foram considerados culpados por decisão judicial definitiva. A responsabilização criminal dependerá das provas reunidas e do andamento de cada processo.