A Justiça de São Paulo conseguiu localizar e bloquear cerca de R$ 6 milhões nas contas da influenciadora e advogada Deolane Bezerra, presa durante a Operação Vérnix, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O valor é bem inferior aos R$ 27 milhões inicialmente determinados para bloqueio judicial.
A influenciadora foi presa na última quinta-feira (21), na região metropolitana de São Paulo, após decisão judicial expedida no âmbito da investigação conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público paulista. Segundo os investigadores, Deolane teria participação em um esquema financeiro utilizado para ocultar recursos atribuídos à facção criminosa.
Além dos valores encontrados em contas bancárias, as autoridades também apreenderam carros de luxo avaliados em mais de R$ 3 milhões. A operação ainda determinou o bloqueio total de mais de R$ 327 milhões em bens e ativos financeiros ligados aos investigados, incluindo imóveis e veículos de alto padrão.

De acordo com relatório policial obtido pela investigação, Deolane é apontada como peça importante no esquema de lavagem de dinheiro. O promotor de Justiça Lincoln Gakiya afirmou que a influenciadora teria aberto dezenas de empresas em diferentes cidades do interior paulista para dificultar o rastreamento patrimonial pelas autoridades.
Segundo o documento, ao menos 35 empresas teriam sido registradas em um mesmo endereço localizado em Martinópolis, interior de São Paulo. Outras companhias também teriam sido abertas em Santa Anastácia e Ribeirão Preto, incluindo registros em endereços considerados fictícios pelos investigadores.
A investigação começou após a descoberta de bilhetes escondidos na caixa de esgoto de uma cela da Penitenciária II “Maurício Henrique Guimarães Pereira”, em Presidente Venceslau. Os manuscritos continham supostas mensagens internas do PCC envolvendo movimentações financeiras, tráfico de drogas e até planos de atentados contra agentes públicos.
Em um dos bilhetes, investigadores identificaram referência a “uma mulher da transportadora”, apontada como responsável por fornecer informações ligadas a um dos alvos da facção. A partir daí, a Polícia Civil chegou a uma empresa de transportes suspeita de atuar como braço financeiro do PCC.
As apurações também indicam que Deolane mantinha relações comerciais e pessoais com pessoas ligadas à gestão dessa transportadora. A quebra de sigilo bancário revelou movimentações consideradas incompatíveis com a renda declarada oficialmente pela influenciadora, segundo os investigadores.
Em entrevista concedida anteriormente, Deolane afirmou que construiu sua fortuna trabalhando como advogada desde jovem. Ela declarou que trabalha desde os 12 anos e que seu patrimônio seria resultado da atuação profissional na advocacia criminal.
A defesa da influenciadora afirma que ela é inocente e sustenta que todas as atividades financeiras exercidas por ela são lícitas. Os advogados classificaram as medidas cautelares como desproporcionais e disseram que irão colaborar com a Justiça para esclarecer os fatos.