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Zambelli pede R$ 50 por mês para viver na Itália e acusa Moraes: “Destruiu minha vida”

Ex-deputada afirma que não consegue abrir conta bancária nem receber salário no país europeu; condenada pelo STF, ela criou uma comunidade paga para arrecadar dinheiro de apoiadores.
Redação NC News
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A ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) pediu ajuda financeira aos seguidores para conseguir se manter na Itália, onde vive desde que deixou o Brasil em 2025. Em vídeo divulgado nas redes sociais, ela anunciou a criação de uma comunidade virtual com assinatura mensal de R$ 50 e responsabilizou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pelas dificuldades econômicas que afirma enfrentar.

Zambelli declarou que não consegue abrir uma conta bancária no país europeu e, por isso, estaria impedida de receber salário e conseguir emprego. Segundo a ex-parlamentar, o problema estaria relacionado ao bloqueio de seus recursos e à inclusão de seu nome nos registros da Interpol após as condenações judiciais no Brasil.

A ex-deputada afirmou que pretende utilizar o dinheiro arrecadado para custear sua permanência na Itália enquanto tenta resolver sua situação jurídica. Em troca das contribuições, prometeu oferecer conteúdos exclusivos, transmissões ao vivo e relatos sobre o período em que esteve presa no país.

Justiça italiana realiza nova audiência sobre extradição de Carla Zambelli nesta terça-feira

Zambelli diz que Moraes destruiu sua vida

No vídeo, a ex-deputada afirmou que as medidas judiciais tomadas contra ela tiveram consequências diretas sobre sua capacidade de trabalhar e obter renda na Itália.

“Moraes destruiu a minha vida.”

Segundo Zambelli, o ministro determinou o bloqueio de seus bens e a inclusão de informações sobre uma condenação por invasão de sistema informático nos mecanismos de cooperação policial internacional.

Ela alega que essa situação tem provocado a recusa de instituições financeiras em abrir contas bancárias em seu nome, dificultando sua entrada no mercado de trabalho italiano.

A ex-parlamentar também argumentou que precisa de uma conta corrente para receber pagamentos de eventuais empregadores.

As afirmações sobre a recusa dos bancos são relatos da própria Zambelli. Não foram apresentados documentos que comprovem que todas as instituições consultadas negaram a abertura de conta pelos motivos mencionados.

Como funciona a vaquinha de R$ 50?

A campanha anunciada por Carla Zambelli funciona como uma comunidade digital por assinatura. Os interessados em contribuir deverão pagar R$ 50 por mês para ter acesso aos conteúdos oferecidos pela ex-deputada.

Diferentemente de uma arrecadação pontual, a proposta prevê pagamentos recorrentes, permitindo que os participantes mantenham o apoio financeiro enquanto permanecerem inscritos.

Zambelli afirmou que pretende compartilhar conhecimentos sobre diferentes assuntos, realizar encontros virtuais e contar experiências pessoais, incluindo o período em que ficou detida na Itália.

Durante o pedido, ela fez um apelo direto às pessoas que acompanharam sua trajetória política.

“Se um dia você me admirou, eu peço a sua ajuda.”

A ex-deputada não informou quantos seguidores já aderiram à comunidade nem apresentou uma meta pública de arrecadação.

Por que Carla Zambelli está na Itália?

Carla Zambelli deixou o Brasil em maio de 2025, após ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal no processo relacionado à invasão dos sistemas eletrônicos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A investigação envolveu a atuação do hacker Walter Delgatti Neto e a inserção de documentos falsos nos sistemas do Judiciário, incluindo um mandado de prisão fraudulento contra Alexandre de Moraes.

Nesse processo, a ex-parlamentar recebeu pena de dez anos e oito meses de prisão. A condenação se tornou definitiva após o encerramento das possibilidades de recurso no Brasil.

Após sua saída do país, Moraes determinou medidas judiciais contra Zambelli, incluindo o bloqueio de bens e recursos financeiros. Seu nome também foi incluído na lista vermelha da Interpol, mecanismo utilizado para localizar pessoas procuradas internacionalmente.

A ex-deputada foi presa em Roma em julho de 2025, mas deixou a prisão em maio de 2026, após decisões da Justiça italiana relacionadas aos pedidos de extradição apresentados pelo governo brasileiro.

Ex-deputada acumula duas condenações no Brasil

Além da condenação pelo caso do CNJ, Carla Zambelli recebeu outra pena de cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.

O segundo processo está relacionado a um episódio ocorrido em outubro de 2022, na véspera do segundo turno das eleições presidenciais, quando a então deputada perseguiu o jornalista Luan Araújo com uma arma em punho pelas ruas do bairro dos Jardins, em São Paulo.

As duas condenações deram origem a procedimentos distintos de extradição, analisados pela Justiça italiana.

No processo relacionado à invasão dos sistemas do CNJ, magistrados italianos rejeitaram o pedido brasileiro após questionamentos sobre a imparcialidade do julgamento, considerando que Moraes também havia sido atingido pelos atos investigados.

Já o procedimento referente à perseguição armada continua sujeito à análise das autoridades italianas, especialmente quanto às garantias legais e às condições de cumprimento da pena no Brasil.

O que pode acontecer com Zambelli?

A permanência de Carla Zambelli na Itália depende dos desdobramentos de sua situação judicial. Embora esteja em liberdade no país europeu, a ex-deputada ainda enfrenta consequências das condenações impostas pelo STF.

O governo brasileiro busca sua extradição para o cumprimento das penas, mas a transferência depende das decisões da Justiça italiana e dos procedimentos de cooperação internacional.

A criação da comunidade paga não altera a situação criminal da ex-parlamentar nem interfere automaticamente nos pedidos de extradição.

Enquanto aguarda os próximos desdobramentos, Zambelli tenta obter uma fonte de renda por meio dos seguidores. Até o momento, não há confirmação independente sobre o alcance financeiro da campanha ou sobre eventual mudança nas restrições bancárias relatadas por ela.

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