O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (5) que o Brasil precisa manter a economia organizada para atrair investimentos. Ao defender a importância de um ambiente econômico estável, o presidente declarou que ninguém vai querer investir em uma economia desordenada.
A declaração ocorre em um momento de pressão sobre as contas públicas e de cobranças por medidas que garantam maior previsibilidade aos investidores. Reeleito em outubro, Lula prepara as diretrizes econômicas do quarto mandato, que começa em janeiro de 2027.
Nesta quinta-feira, o presidente também reuniu ministros, ex-ministros e economistas no Palácio da Alvorada, em Brasília, para discutir os desafios da economia brasileira. O encontro terminou sem anúncio de novas medidas fiscais.
Governo busca recuperar confiança dos investidores
A preocupação com a atração de investimentos está diretamente relacionada às condições econômicas do país. Empresas e investidores consideram fatores como estabilidade das regras, inflação, juros e sustentabilidade da dívida pública antes de assumir compromissos financeiros de longo prazo.
O cenário se tornou mais desafiador depois que o Banco Central decidiu manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, interrompendo uma sequência de cinco reduções consecutivas.
Os juros elevados encarecem empréstimos, financiamentos e o custo de expansão das empresas. Também aumentam a pressão sobre as contas públicas, já que parte da dívida brasileira está vinculada às taxas de juros.
Outro fator de preocupação é o crescimento do endividamento público, que chegou a aproximadamente 83% do Produto Interno Bruto (PIB).
Reunião com economistas termina sem novas medidas
Durante aproximadamente quatro horas, Lula ouviu integrantes do governo e economistas sobre alternativas para melhorar as contas públicas sem comprometer os programas sociais.
Entre os participantes estavam o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ex-ministro Fernando Haddad, o ex-ministro Guido Mantega e o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
Após a reunião, Durigan afirmou que o governo pretende melhorar gradualmente os resultados fiscais nos próximos quatro anos. O ministro também destacou a necessidade de oferecer segurança e previsibilidade ao setor produtivo.
Apesar disso, nenhuma proposta específica de corte de despesas ou alteração das regras fiscais foi anunciada.
O desafio de equilibrar gastos e investimentos
A equipe econômica trabalha com o desafio de controlar o crescimento da dívida pública e, ao mesmo tempo, preservar os compromissos sociais assumidos por Lula durante a campanha eleitoral.
Entre as alternativas em discussão estão mudanças nos mecanismos de controle de despesas e medidas para melhorar o resultado primário, indicador que considera a diferença entre receitas e gastos do governo, sem incluir os juros da dívida.
A intenção é criar condições para uma trajetória fiscal mais sustentável, ampliar a confiança dos investidores e favorecer a redução dos juros ao longo do tempo.
As propostas, entretanto, ainda dependem de análise e aprovação do presidente. Não há confirmação de quais medidas serão efetivamente adotadas.
Próximos passos
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, deverão aprofundar a análise das propostas econômicas nas próximas semanas.
A expectativa é que as alternativas sejam apresentadas a Lula após seu retorno dos compromissos internacionais previstos para novembro.
Até o momento, o governo não estabeleceu uma data oficial para anunciar novas medidas fiscais. A definição dessas propostas será uma das etapas centrais da preparação da política econômica para 2027.