O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de “pé-frio” durante uma transmissão ao vivo com o deputado federal André Janones (Rede-MG), nesta quinta-feira (5). Em tom de ironia, Lula associou a chegada do adversário aos Estados Unidos à derrota do Partido Republicano, de Donald Trump, nas eleições legislativas americanas.
A declaração ocorreu durante a primeira live do presidente após sua reeleição. Ao comentar a campanha presidencial, Lula comparou o uso da bandeira brasileira em seus atos políticos com a aproximação de Flávio aos Estados Unidos e ao governo Trump.
O senador desembarcou em Miami no dia 28 de outubro, três dias depois de perder o segundo turno das eleições presidenciais. Já os democratas conquistaram o controle da Câmara dos Representantes e do Senado americano nas eleições de 3 de novembro, resultado que representou um revés político para Trump.
Eduardo e Flávio Bolsonaro entram na mira de democratas após derrota de Trump
Lula ironiza viagem de Flávio aos Estados Unidos
Durante a transmissão, Lula relembrou a disputa eleitoral e criticou a postura do adversário, que demonstrou proximidade com os Estados Unidos durante a campanha.
“Enquanto eu fazia isso, o meu adversário pegava a bandeira americana e ficava beijando. E foi correr agora, pé frio. Derrotou o Trump. Chegou nos Estados Unidos, o Trump perdeu.”
A fala foi uma provocação política do presidente. Não existe relação causal demonstrada entre a chegada de Flávio aos Estados Unidos e o desempenho eleitoral dos republicanos.
Lula derrotou Flávio Bolsonaro no segundo turno de 25 de outubro, com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do senador. Após o resultado, Flávio deixou o Brasil e seguiu para os Estados Unidos, onde permanece.
Presidente afirma que Flávio terá de voltar ao Brasil
Além da ironia sobre as eleições americanas, Lula voltou a criticar a saída do senador do país e afirmou que ele precisará retornar para responder a questões judiciais.
“Foi lá para pegar proteção, você vai ver a proteção que você vai ter. Você vai ter que voltar para o Brasil para receber os processos que você tem.”
A declaração ocorre em meio às investigações que envolvem Flávio Bolsonaro no Brasil. O senador nega irregularidades, afirma ser alvo de perseguição política e contesta o resultado da eleição presidencial, sem apresentar provas de fraude.
A permanência de Flávio nos Estados Unidos foi autorizada pelo governo americano. O secretário de Estado Marco Rubio declarou anteriormente que Washington não participou diretamente dos preparativos para a saída do senador do território brasileiro.
Lula também menciona investigação envolvendo advogado
Na mesma transmissão, o presidente fez referência ao advogado Willer Tomaz, ligado a Flávio Bolsonaro, e a uma disputa judicial envolvendo um imóvel em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.
O caso também envolve o jogador Richarlison, que disputa judicialmente a posse de uma propriedade na região. Lula afirmou que pretende divulgar informações sobre o episódio, mas não apresentou novos documentos durante a declaração.
O presidente ainda desafiou adversários políticos a divulgar informações financeiras e afirmou que suas próprias contas e as de familiares estão à disposição da Justiça.
Derrota dos republicanos muda cenário político nos EUA
As eleições de meio de mandato realizadas na terça-feira (3) deram aos democratas o controle das duas casas do Congresso americano. O resultado poderá ampliar a fiscalização sobre o governo Trump e dificultar a aprovação de determinadas propostas da Casa Branca.
A mudança também pode ter consequências para a relação entre os Estados Unidos e o Brasil. Parlamentares democratas já demonstraram interesse em questionar a atuação do governo americano em relação aos irmãos Eduardo e Flávio Bolsonaro.
Apesar disso, o novo Congresso não possui autoridade para determinar diretamente a deportação do senador brasileiro. Questões migratórias continuam sob responsabilidade das autoridades competentes do Poder Executivo e do Judiciário americano.
Até o momento, não há confirmação de quando Flávio Bolsonaro pretende retornar ao Brasil.