A Bolsa de Valores brasileira (B3) se prepara para iniciar as negociações desta sexta-feira (6) em meio a um cenário de cautela nos mercados internacionais. A queda das ações de tecnologia no exterior, as expectativas sobre os juros nos Estados Unidos e as discussões fiscais do governo Lula estão entre os principais fatores que devem influenciar o comportamento do Ibovespa ao longo do dia.
Na quinta-feira (5), o principal índice da bolsa brasileira encerrou o pregão com recuo de 0,81%, acompanhando a instabilidade dos mercados globais. O dólar, por sua vez, registrou valorização de 0,68% diante do real, refletindo a maior procura pela moeda americana em um ambiente de incertezas.
Nesta sexta-feira, a moeda americana abriu em alta de 0,27%, cotada a R$ 5,502, enquanto os investidores aguardam novos indicadores da economia dos Estados Unidos. A negociação regular de ações na B3 começa às 10h, no horário de Brasília, e segue até as 17h55, com leilão de encerramento até as 18h.
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Queda das bolsas internacionais aumenta cautela
O mercado brasileiro inicia o dia acompanhando uma forte onda de vendas de ações de tecnologia no exterior. Na quinta-feira, o Nasdaq, índice americano concentrado em empresas do setor, perdeu 5,52%, em meio às preocupações sobre os investimentos em inteligência artificial.
O movimento se espalhou pela Ásia nesta sexta-feira. No Japão, o Nikkei recuou 5,96%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, caiu 6,02%. As perdas também atingiram bolsas europeias, ampliando a preocupação dos investidores com a possibilidade de novas quedas nos mercados globais.
Dados de emprego dos Estados Unidos podem movimentar o mercado
Um dos principais acontecimentos previstos para esta sexta-feira é a divulgação do relatório oficial de emprego dos Estados Unidos, conhecido como payroll, marcada para as 10h30, no horário de Brasília.
O indicador apresenta informações sobre a criação de vagas, a taxa de desemprego e o comportamento dos salários na economia americana.
Os resultados podem alterar as expectativas sobre as próximas decisões do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos. Dados que indiquem inflação persistente ou aquecimento do mercado de trabalho podem reforçar a perspectiva de juros elevados, influenciando o dólar e as bolsas internacionais.
Política fiscal de Lula segue no radar
No Brasil, os investidores acompanham as discussões sobre o controle das contas públicas e as medidas econômicas que poderão ser adotadas pelo governo Lula no próximo mandato.
Na quinta-feira, o presidente se reuniu com integrantes da equipe econômica e especialistas para discutir o cenário fiscal. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, indicou que eventuais medidas deverão ser debatidas na segunda quinzena de novembro.
Outro fator de atenção é a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que manteve a Selic em 13,75% ao ano na quarta-feira (4), interrompendo o ciclo de redução dos juros.
A manutenção da taxa reflete a cautela do Banco Central diante das expectativas de inflação e das incertezas econômicas. Juros elevados também podem afetar o desempenho de empresas listadas na Bolsa, principalmente as que dependem de crédito e consumo.