Fale com a gente NC News TV Ao Vivo

Polícia apreende celular e computador de Maria do Carmo em investigação sobre filha de Omar Aziz

Ex-candidata do PL foi alvo de buscas em Manaus nesta sexta-feira (6); investigação apura a divulgação de imagens manipuladas da adolescente durante a campanha eleitoral de 2026.
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

A Polícia Civil do Amazonas apreendeu o celular e um computador da empresária e ex-candidata ao Governo do Amazonas Maria do Carmo Seffair (PL), na manhã desta sexta-feira (6), durante uma operação em Manaus. A investigação apura a possível participação da política na produção e divulgação de um vídeo com imagens manipuladas da filha adolescente do senador e governador eleito Omar Aziz (PSD), durante o segundo turno das eleições de 2026.

A busca foi realizada na residência de Maria do Carmo, no bairro Vieiralves, zona centro-sul da capital amazonense. A ex-candidata não estava no imóvel quando os policiais chegaram, por volta das 5h30, mas compareceu posteriormente acompanhada de advogados. Os equipamentos recolhidos serão submetidos à perícia para identificar possíveis provas relacionadas à elaboração e à circulação do material investigado.

A operação foi autorizada pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), que revogou uma decisão anterior que havia suspendido as buscas. A defesa de Maria do Carmo questiona a legalidade das medidas e afirma que a empresária vinha colaborando com as autoridades. Até o momento, não há conclusão oficial sobre sua responsabilidade na divulgação do vídeo.

Polícia Civil cumpre mandado na casa de Maria do Carmo após Justiça autorizar buscas no Amazonas

Por que Maria do Carmo é investigada?

A investigação começou após uma denúncia apresentada por Omar Aziz sobre a circulação de conteúdos nas redes sociais durante a reta final da campanha eleitoral.

Segundo o governador eleito, um vídeo divulgado no período utilizava imagens de sua filha, ainda adolescente, e associava o político a acusações de natureza sexual.

A gravação teria utilizado uma montagem para sugerir uma situação de abuso envolvendo a adolescente. A acusação apresentada no conteúdo foi desmentida, e a Polícia Civil passou a investigar as circunstâncias da produção e da divulgação do material.

O procedimento é conduzido pela Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), que apura possíveis violações ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Entre os pontos investigados estão a origem das imagens, a eventual manipulação do conteúdo e a identificação das pessoas responsáveis por sua publicação.

O delegado Marcelo Martins, responsável pela apuração, explicou que a polícia busca esclarecer se Maria do Carmo participou da divulgação e, caso tenha participado, qual teria sido seu envolvimento.

“Uma parte dessa investigação apura se a Maria do Carmo efetivamente participou, qual foi o nível de participação dela.”

Segundo o delegado, o conteúdo foi publicado em uma rede social da ex-candidata, mas a investigação ainda precisa esclarecer quem autorizou a postagem e quem participou de sua elaboração.

Polícia apreende equipamentos eletrônicos durante operação

A ação desta sexta-feira foi realizada após a Justiça restabelecer a autorização para buscas na residência de Maria do Carmo.

Durante a diligência, os agentes apreenderam um aparelho celular e um computador pessoal da empresária.

Os equipamentos serão encaminhados para análise pericial, com o objetivo de identificar mensagens, arquivos e outros registros digitais que possam contribuir para o esclarecimento dos fatos.

A polícia pretende verificar se existem elementos capazes de relacionar a investigada à produção, à autorização ou à divulgação do vídeo.

Segundo a Polícia Civil, o mandado foi integralmente cumprido, apesar dos questionamentos apresentados pela defesa durante a operação.

A apreensão dos equipamentos não representa comprovação de participação da ex-candidata nos possíveis crimes investigados.

Justiça havia suspendido as buscas antes de autorizar operação

A investigação já havia provocado decisões judiciais diferentes nos dias anteriores à operação.

Em 29 de outubro, policiais realizaram diligências em endereços relacionados a profissionais que trabalharam na campanha eleitoral de Maria do Carmo.

No dia seguinte, a desembargadora Onilza Abreu Gerth concedeu uma liminar suspendendo temporariamente as buscas contra a ex-candidata.

A decisão considerou argumentos da defesa, que afirmou que Maria do Carmo havia comparecido espontaneamente à delegacia e se colocado à disposição para entregar equipamentos eletrônicos.

Entretanto, na terça-feira (3), o desembargador Paulo Feitoza revogou a liminar e restabeleceu a autorização para a operação.

Segundo o magistrado, a entrega voluntária de aparelhos não substitui necessariamente uma busca judicial, especialmente quando a investigação envolve provas digitais que podem ser apagadas ou modificadas.

A decisão também ressaltou a importância de preservar a cadeia de custódia, conjunto de procedimentos utilizado para documentar a coleta, o armazenamento e a análise das provas.

Com isso, os policiais receberam autorização para realizar a diligência na residência da empresária.

Defesa de Maria do Carmo denuncia perseguição política

Após a operação, a defesa de Maria do Carmo criticou a atuação policial e afirmou que a ex-candidata está sendo alvo de perseguição política.

Em manifestação divulgada nesta sexta-feira, os advogados questionaram a forma como a busca e apreensão foi realizada e alegaram que garantias legais não teriam sido respeitadas.

A equipe jurídica também afirmou que a empresária já havia demonstrado disposição para colaborar com a investigação, inclusive oferecendo a entrega voluntária de aparelhos eletrônicos.

Os advogados sustentam que a ex-candidata desconhecia o conteúdo investigado e contestam qualquer tentativa de atribuir automaticamente a ela a responsabilidade por publicações realizadas em suas redes sociais.

A defesa também apresentou um habeas corpus preventivo para tentar evitar uma eventual prisão durante o andamento das investigações.

O pedido foi motivado pelo receio de que pudesse ser solicitada uma medida contra a liberdade da empresária. Não havia, porém, confirmação de mandado de prisão expedido contra Maria do Carmo.

A Polícia Civil afirma que a investigação segue os procedimentos legais e que a operação foi cumprida com autorização judicial.

Maria do Carmo disse que estava esperando a polícia

Na quinta-feira (5), um dia antes da operação, Maria do Carmo publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que estava em casa e aguardava a chegada dos policiais.

Na gravação, a empresária fez referência às notícias sobre a possibilidade de uma busca em sua residência.

“Eu estou aqui na minha casa, no meu escritório, aguardando a busca e a apreensão que foi anunciada por todos os portais e blogs.”

A manifestação ocorreu depois que a Justiça restabeleceu a autorização para a diligência.

Maria do Carmo também declarou confiar na Justiça e voltou a questionar as informações divulgadas sobre o caso.

Na manhã seguinte, os agentes compareceram ao imóvel e realizaram as apreensões.

Investigação começou durante disputa pelo Governo do Amazonas

O caso está relacionado à campanha eleitoral de 2026, quando Maria do Carmo disputou o Governo do Amazonas pelo Partido Liberal.

A empresária chegou ao segundo turno contra Omar Aziz, do PSD, mas foi derrotada na votação realizada em 25 de outubro.

Aziz foi eleito governador do Amazonas e está previsto para assumir o cargo em janeiro de 2027.

Durante a campanha, os dois protagonizaram uma disputa política marcada por críticas e acusações.

Segundo Omar Aziz, o vídeo envolvendo sua filha ultrapassou os limites do debate eleitoral ao utilizar a imagem de uma adolescente em uma publicação que associava o político a acusações graves.

Depois da eleição, Aziz afirmou que seus advogados levariam o caso à Justiça para identificar os responsáveis.

A investigação também alcançou profissionais que participaram da campanha adversária, incluindo integrantes da equipe de comunicação.

A Polícia Civil busca esclarecer se houve uma atuação coordenada na produção e distribuição do material.

O que diz o Estatuto da Criança e do Adolescente?

A investigação apura possíveis infrações previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente, legislação que estabelece medidas de proteção à integridade física, psicológica, moral e à imagem de menores de idade.

Entre os dispositivos examinados estão os artigos 241-A e 241-C, que tratam, respectivamente, da divulgação de material de exploração sexual envolvendo crianças e adolescentes e da simulação da participação de menores em cenas de conteúdo sexual explícito ou pornográfico.

A aplicação desses dispositivos depende da análise do conteúdo investigado e do preenchimento dos requisitos previstos na legislação.

A simples utilização da imagem de um adolescente em uma publicação não significa, automaticamente, a prática dos crimes previstos nesses artigos.

Por isso, a polícia deverá avaliar o conteúdo integral do vídeo, suas características e as circunstâncias de produção e divulgação.

Também será necessário estabelecer a participação individual de cada pessoa investigada.

Próximos passos

A Polícia Civil deverá realizar a extração e análise dos dados armazenados no celular e no computador apreendidos durante a operação.

Os investigadores pretendem identificar possíveis registros relacionados à criação, à edição, ao envio e à publicação do vídeo.

As informações obtidas poderão ser confrontadas com materiais recolhidos em diligências anteriores e com depoimentos de pessoas envolvidas na campanha eleitoral.

A defesa de Maria do Carmo poderá acompanhar os procedimentos e apresentar novos questionamentos à Justiça, conforme as regras processuais.

Até esta sexta-feira (6), não havia conclusão oficial sobre a responsabilidade criminal da ex-candidata.

A investigação continua em andamento, e qualquer eventual responsabilização dependerá das provas reunidas e das decisões das autoridades competentes.

Carregar Comentários