“Mataram meu filho pela terceira vez”, desabafa Leniel Borel após perdão judicial à mãe de Henry

Em carta aberta, o pai da criança expressa revolta com a decisão da Justiça, questiona os limites do dever de proteção e promete lutar até o fim da vida contra a impunidade.
Redação NC News
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O engenheiro Leniel Borel, pai do menino Henry Borel, divulgou uma carta aberta na qual expressa profunda indignação com a decisão da Justiça que concedeu perdão judicial à mãe da criança, Monique Medeiros Costa e Silva de Almeida.

Em um texto marcado pela dor e pela revolta, Leniel afirma que a resolução do tribunal representa a “terceira morte” de seu filho e alerta para a perigosa mensagem de impunidade que a decisão envia à sociedade brasileira.

Henry Borel, de quatro anos, foi brutalmente assassinado em 8 de março de 2021, em um caso que chocou o país. Para o pai, o perdão judicial concedido a quem tinha o dever de proteger a criança ultrapassa os limites do processo e afeta milhares de outras vítimas de violência doméstica infantil.

As “três mortes” de Henry

No documento, Leniel afirma que o filho foi morto três vezes, fisicamente, no processo judicial e na decisão de ontem. Ele estrutura seu desabafo relembrando a via-crúcis que a família tem enfrentado ao longo dos últimos anos.  “Como pai, jamais conseguirei compreender como alguém que estava presente, acordada, no mesmo apartamento, na mesma noite, diante do mesmo contexto de violência, pode sair sem qualquer pena enquanto uma criança termina morta”, questionou Leniel.

Um alerta para a proteção infantil no Brasil

Apesar de reiterar seu respeito às instituições jurídicas, Leniel deixou claro que “respeito não significa silêncio”. Ele ressalta que seu sentimento atual vai além da tristeza profunda e entra no campo da preocupação com o futuro de outras crianças.

Para o pai de Henry, o caso deixou de ser apenas uma tragédia familiar e tornou-se um termômetro sobre como o Brasil trata a violência infantil. “A mensagem que milhares de pais e mães estão tentando entender é: qual é o limite da responsabilidade de quem tinha o dever de proteger uma criança?”, indaga na nota.

Ele reforça que a impunidade neste julgamento atinge todas as crianças que sofrem agressões silenciosas “atrás de portas fechadas” e que dependem da resposta firme do Estado para serem salvas.

A promessa de lutar por justiça

Na reta final do texto, Leniel Borel pede que a sociedade não se lembre do filho apenas pela tragédia que tirou sua vida, mas pela sua essência: “Lembrem-se do Henry sorrindo. Do Henry brincando. Do Henry feliz”.

Reafirmando que seu motor não é o desejo de vingança, mas o clamor por justiça, o engenheiro encerra a carta com uma promessa definitiva: “Esse é o Henry que carrego no coração todos os dias. E é por ele que continuarei lutando. Até o último dia da minha vida.”

Leia a nota de Leniel Borel na integra

Mataram meu filho pela terceira vez.

A primeira vez foi em 8 de março de 2021, quando Henry Borel foi brutalmente assassinado.

A segunda foi quando sucessivas manobras e adiamentos fizeram com que a Justiça demorasse anos para julgar os responsáveis, obrigando uma família inteira a reviver a dor repetidas vezes.

E hoje, sinto que mataram meu filho pela terceira vez.

Recebo com profunda revolta e indignação a decisão que concedeu perdão judicial à mãe de Henry.

Respeito as instituições e a Justiça. Mas respeito não significa silêncio.

Como pai, jamais conseguirei compreender como alguém que estava presente, acordada, no mesmo apartamento, na mesma noite, diante do mesmo contexto de violência, pode sair sem qualquer pena enquanto uma criança termina morta.

Meu sentimento hoje não é apenas de tristeza.

É de preocupação.

Porque esta decisão ultrapassa os limites da história do meu filho.

Ela envia uma mensagem para toda a sociedade.

E a mensagem que milhares de pais e mães estão tentando entender é: qual é o limite da responsabilidade de quem tinha o dever de proteger uma criança?

Este caso já não pertence apenas a Henry.

Pertence às milhares de crianças que sofrem violência todos os dias dentro de suas próprias casas.

Pertence às vítimas que não têm voz.

Pertence às famílias que esperam da Justiça uma resposta firme diante da violência infantil.

Nos últimos anos, ouvi inúmeras vezes que Henry não poderia ser esquecido.

Hoje repito: não podemos esquecer por que estamos aqui.

Estamos aqui porque uma criança morreu.

Uma criança de quatro anos.

Uma criança que deveria estar brincando, estudando, crescendo e realizando sonhos.

Hoje, mais do que nunca, precisamos refletir sobre qual mensagem estamos transmitindo às crianças do Brasil.

Não vou me calar.

Não por mim.

Não por vingança.

Mas por justiça.

Por Henry.

Por toda criança que sofre violência atrás de portas fechadas.

Por toda criança que espera que os adultos cumpram o seu dever de proteger.

Por toda criança que ainda pode ser salva.

Peço que não se lembrem apenas da forma como meu filho morreu.

Lembrem-se do Henry sorrindo.

Do Henry brincando.

Do Henry feliz.

Esse é o Henry que carrego no coração todos os dias.

E é por ele que continuarei lutando.

Até o último dia da minha vida

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