Herói na estreia dos EUA na Copa, Balogun nasceu no país por acaso

Destaque na vitória de 4 a 1 sobre o Paraguai, Folarin Balogun nasceu em Nova York após companhia aérea barrar voo de sua mãe grávida; história expõe ironia em meio às políticas migratórias rígidas do governo atual
Redação NC News
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O “americano por acidente”: Como o herói da goleada dos EUA quase foi impedido de nascer no país por regras que Trump tenta impor hoje
Destaque na vitória de 4 a 1 sobre o Paraguai, Folarin Balogun nasceu em Nova York após companhia aérea barrar voo de sua mãe grávida; história expõe ironia em meio às políticas migratórias rígidas do governo atual
A goleada avassaladora dos Estados Unidos por 4 a 1 sobre o Paraguai na abertura do Grupo D colocou os holofotes do mundo esportivo sobre o camisa 20, Folarin Balogun. Autor de dois gols na partida disputada na última sexta-feira (12), no SoFi Stadium, em Los Angeles, o atacante garantiu a artilharia provisória do torneio. No entanto, o que a grande massa que acompanha os jogos pelo celular não imagina é que o atual herói da seleção norte-americana só defende o país por um puro golpe do acaso.

Balogun nasceu em solo americano porque, em 2001, uma companhia aérea impediu sua mãe, Florence, grávida de sete meses, de embarcar de volta para a Inglaterra, onde a família morava. Sem poder voar, ela e o marido, Ben — ambos de origem nigeriana —, permaneceram em Nova York, onde o atleta nasceu no dia 3 de julho de 2001, obtendo a cidadania por direito de nascimento (jus soli). Poucas semanas depois, todos retornaram para a Europa.

[IMAGENS DA PARTIDA: VEJA OS DOIS GOLS DE BALOGUN CONTRA O PARAGUAI]

Uma carreira construída longe de solo americano
A trajetória do atacante chama a atenção justamente por sua completa falta de laços cotidianos com o país que hoje defende. Balogun estreou no principal torneio de seleções sem nunca ter morado nos Estados Unidos ou atuado por um clube da liga local.

Início em Londres: Criado na Inglaterra, ele ingressou nas categorias de base do Arsenal aos 8 anos de idade, chegando a defender as seleções de base inglesas.
Explosão na Europa: Teve passagens pelo Middlesbrough e explodiu no cenário mundial na temporada 2022-23 pelo Reims, da França, onde marcou 21 gols na liga francesa. Em 2023, foi transferido para o Monaco por cerca de 40 milhões de euros.
A Escolha: Ainda em 2023, o atleta optou por exercer o direito de sua dupla cidadania e passar a defender a seleção principal dos Estados Unidos.
A ironia jurídica e a política dos “bebês-âncora”
O sucesso estrondoso de Balogun em solo norte-americano ganha contornos de forte ironia política. A consagração do jogador acontece justamente em um período marcado pelo endurecimento das políticas migratórias adotadas pelo governo do presidente Donald Trump.

Uma das principais bandeiras da atual gestão em Washington é a oposição frontal ao conceito de cidadania por direito de nascimento para filhos de estrangeiros em situação irregular, termo que o governo trata pejorativamente como “bebês-âncora”. Em janeiro de 2025, Trump assinou uma ordem executiva para tentar pôr fim a esse direito constitucional.

Se as propostas radicais de restrição migratória e as barreiras que o governo tenta impor hoje estivessem em vigor em 2001, o destino de Balogun teria sido completamente diferente e a seleção norte-americana não contaria com sua principal estrela nesta rodada.
Atualmente, a medida do governo segue sob intensa batalha judicial. Em março, a gestão do presidente pediu à Suprema Corte que permita a entrada em vigor de parte das restrições enquanto os recursos de juristas e entidades de direitos humanos continuam tramitando nos tribunais.

O contraste nos bastidores do torneio
Sob o comando do técnico Mauricio Pochettino, a estreia de gala de Balogun contrasta com o ambiente tenso que envolve a organização do evento no país. O torneio vem sendo marcado por denúncias de rigidez excessiva na concessão de vistos, afetando a entrada de atletas, membros de delegações, torcedores das classes C e D e resultando até no veto à entrada de um árbitro da Somália.

No meio desse cenário de forte restrição a estrangeiros, o grande destaque da seleção da casa é um atleta cuja única ligação com a nação é o pedaço de papel que atesta o seu local de nascimento acidental. De resto, sua história e ancestralidade o conectam diretamente ao perfil de imigrantes que a atual administração foca em isolar.

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