AGU vai à Justiça dos EUA atuar em processo contra Alexandre de Moraes

Órgão federal argumenta que tribunais estrangeiros não podem julgar decisões da Suprema Corte brasileira. Ação na Flórida foi movida pelas plataformas Rumble e Trump Media.
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A Advocacia-Geral da União (AGU) anunciou nesta segunda-feira (15) que solicitará habilitação na Justiça dos Estados Unidos para atuar diretamente no processo movido contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A ação, que tramita no estado da Flórida, foi protocolada pelas plataformas digitais Rumble e Trump Media.

O argumento central do órgão brasileiro é a defesa irrestrita da soberania nacional. Em nota, a AGU ressaltou que agentes públicos do país não podem ser alvos diretos do Judiciário de outras nações sem o consentimento formal do Estado brasileiro.

“O Brasil não consentiu e não consentirá com a apreciação de decisões de nossa Suprema Corte por juízes de outro país”, declarou a instituição. A diretriz da AGU é clara: qualquer contestação ou necessidade de cumprimento de decisões judiciais brasileiras deve ocorrer exclusivamente perante os tribunais do Brasil, seguindo a legislação nacional.

Entenda o processo nos Estados Unidos

A ação judicial na Flórida foi impetrada pelas redes Rumble e Trump Media como uma reação às ordens de Moraes para a suspensão de perfis de brasileiros residentes nos EUA. Entre os alvos das medidas está o blogueiro Allan dos Santos.

As determinações do STF basearam-se em acusações de ataques antidemocráticos contra as instituições. No entanto, as plataformas americanas alegam que a Constituição dos Estados Unidos garante liberdade de expressão irrestrita e que a retirada de postagens de residentes no país configuraria censura prévia.

A notificação internacional

O caso ganhou um novo capítulo no mês passado, quando a Justiça norte-americana determinou que Alexandre de Moraes fosse intimado via e-mail para apresentar sua defesa.

Essa decisão inusitada ocorreu após uma tentativa frustrada das plataformas no Brasil. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou um pedido do Rumble para que Moraes fosse notificado formalmente por meio de uma carta rogatória — o instrumento jurídico padrão e obrigatório para notificações oficiais entre Justiças de países diferentes. Sem o aval do STJ, o tribunal da Flórida optou pela via eletrônica.

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