O drama por trás do paredão: Por que o goleiro de Senegal, que já ficou desempregado e viveu de auxílio, virou o terror da França

Entenda a história impressionante do craque que superou a miséria na Europa para se tornar o melhor do mundo e o grande líder de sua seleção no principal torneio de seleções do planeta.
Redação NC News
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A bola rola hoje para um dos confrontos mais pesados e carregados de história do futebol internacional. A seleção de Senegal faz a sua aguardada estreia na competição disputada nos Estados Unidos, Canadá e México contra a poderosa França, às 16h (horário de Brasília), no MetLife Stadium. Mas, para além da rivalidade em campo, os holofotes estão mirados em um verdadeiro paredão humano: o goleiro Édouard Mendy, de 34 anos.

O que poucos que assistem ao craque brilhando hoje na TV sabem é que, por trás da grife de ter sido eleito o Melhor Goleiro do Mundo em 2021, existe uma história de cortar o coração. Mendy conheceu o fundo do poço, a humilhação do desemprego e a incerteza de não ter o que comer antes de virar o pesadelo dos atacantes europeus.

O que aconteceu com Édouard Mendy antes do estrelato?

Para entender o tamanho do milagre na vida do camisa 1 de Senegal, é preciso voltar para o ano de 2014. Aos 22 anos, uma idade em que muitos atletas já estão milionários, Mendy foi dispensado pelo Cherbourg, um clube modesto da terceira divisão francesa. O mundo desabou. O jogador passou um ano inteiro desempregado, sem receber um único centavo de salários do futebol.

Sem clube e com as contas acumulando, o atleta precisou se registrar no fundo de assistência social do governo da França para conseguir sobreviver e garantir o pão de cada dia. Ele chegou a procurar empregos fora do esporte, acreditando que o sonho de ser jogador profissional havia morrido.

A reviravolta digna de filme aconteceu em 2015, quando o tradicional Marseille resolveu dar uma chance para ele ser apenas o quarto goleiro do time B. Ali, ganhando muito pouco, ele agarrou a oportunidade da vida com as mãos e com a alma.

Onde joga Édouard Mendy atualmente?

Depois de dar a volta por cima de forma espetacular e vencer a principal competição de clubes da Europa pelo Chelsea, Mendy decidiu garantir o futuro de sua família no Oriente Médio. Atualmente, ele é o goleiro titular absoluto e capitão do Al-Ahli, da Arábia Saudita.

O arqueiro se transferiu para o clube de Jidá em 2023 e virou uma das maiores estrelas do bilionário futebol saudita. O sucesso na Ásia é tão estrondoso que ele renovou seu contrato recentemente até 2028, empilhando taças e dominando o continente asiático com o bicampeonato da Liga dos Campeões da Elite da AFC (nas temporadas 2024/25 e 2025/26), sendo eleito o melhor da posição por lá.

Por que ele escolheu defender Senegal e não a França?

Essa é uma das grandes curiosidades que cercam o clássico de hoje. Mendy nasceu em solo francês, na cidade de Montivilliers. Por causa de sua árvore genealógica, ele tinha três escolhas de pátria para defender: a França (onde nasceu), Guiné-Bissau (país do pai) e Senegal (país da mãe). Ele é, inclusive, primo legítimo do lateral-esquerdo Ferland Mendy, que atua no Real Madrid e defende justamente a seleção da França.

Em 2016, com o pai gravemente doente, Édouard chegou a jogar amistosos por Guiné-Bissau como uma homenagem ao pai. Porém, o coração bateu mais forte pela pátria de sua mãe. Ele recusou os europeus e os guineenses para se entregar de corpo e alma aos Leões da Teranga (apelido da seleção de Senegal).

A escolha mudou a história do futebol africano. Pela seleção, ele virou um herói nacional, conquistou o título inédito da Copa Africana de Nações em 2021 e recebeu a medalha de Grande Oficial da Ordem Nacional do Leão — a maior honraria política e social concedida pelo governo senegalês.

O que se sabe sobre o jogo de hoje contra a França?

O confronto desta tarde é válido pelo Grupo I do torneio mundial e mexe profundamente com o brio do elenco africano. Senegal espera repetir o feito histórico de 2002, quando chocou o planeta ao vencer a então campeã França na estreia daquela mesma competição internacional.

Com Sadio Mané no ataque e a liderança blindada de Édouard Mendy lá atrás, os africanos entram em campo sabendo que o favoritismo é dos franceses, mas que a superação está no DNA desse elenco. Para quem já venceu a fome e a fila do auxílio desemprego, parar os melhores atacantes do mundo é só mais um dia comum de trabalho.

Da humilhação à glória: a linha do tempo de Mendy

  • 2011–2014 (Cherbourg): Começo amador e difícil na terceira divisão da França, terminando em dispensa e desemprego.

  • 2015–2016 (Marseille II): O recomeço por baixo, aceitando ser o quarto goleiro do time reserva.

  • 2016–2019 (Reims): Conquista a titularidade, é campeão da segunda divisão e sobe para a elite francesa.

  • 2019–2020 (Rennes): Faz história ao levar o clube a uma vaga inédita na principal competição europeia.

  • 2020–2023 (Chelsea): O topo do mundo. Campeão da Europa, campeão mundial de clubes e eleito o Melhor Goleiro do Mundo.

  • 2023–Hoje (Al-Ahli): Capitão na Arábia Saudita, multicampeão e um dos atletas mais bem pagos do planeta.

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