O clima de tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos teve uma leve pausa durante a cúpula do G7, em Évian-les-Bains, na França. Nesta terça-feira (16), os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump protagonizaram dois breves encontros informais, com direito a cumprimentos e rápidas trocas de palavras nos bastidores do evento.
O primeiro contato ocorreu nos corredores do hotel que sedia a cúpula, logo após o discurso do petista na reunião ampliada do fórum. Ao cruzar com Lula, Trump o abordou dizendo “How are you?” (Como você está?) e “Good job” (Bom trabalho). Como estava sem intérprete no momento, o presidente brasileiro respondeu apenas com um aceno positivo de cabeça.
Mais tarde, a interação se repetiu durante um compromisso noturno. Em um evento social seguido de apresentação musical, oferecido pelo anfitrião e presidente francês Emmanuel Macron, Lula e Trump conversaram por cerca de um a dois minutos. Segundo auxiliares do governo brasileiro, a conversa foi puramente protocolar e não abordou a crise tarifária recente entre as duas nações.
Diálogo a passos lentos e o peso do tarifaço
Apesar da cordialidade nas trocas rápidas e do registro de novas fotos lado a lado antes do jantar de gala, não houve qualquer reunião bilateral oficial entre os dois chefes de Estado. Com isso, as duras negociações comerciais seguem restritas ao nível ministerial.

O principal obstáculo na relação atual é a iminente ofensiva econômica de Washington, que ameaça elevar as taxas de importação sobre produtos brasileiros a um total de 37,5%. O governo do Brasil tem atuado nos bastidores para reverter o cenário e divide o problema em duas frentes:
Negociável: A proposta de tarifa adicional de 25%, que os Estados Unidos justificam com base em supostas práticas comerciais desleais (como regras do Pix e medidas do Judiciário contra big techs), é vista pela diplomacia brasileira como um ponto que ainda pode ser revertido por meio de negociações.
Consolidada: Já a sobretaxa de 12,5%, imposta sob a alegação de que o Brasil não adota ações suficientes contra o trabalho forçado, é tratada por integrantes da equipe brasileira como uma decisão americana praticamente irreversível.
Enquanto a diplomacia atua para evitar o chamado “tarifaço”, os encontros de corredor no G7 servem para manter os canais de diálogo abertos, ainda que as decisões mais duras aguardem resoluções técnicas nas próximas semanas.