Sob forte pressão, EUA cedem e flexibilizam restrições de viagem para a seleção do Irã no torneio mundial

Departamento de Segurança Interna autoriza delegação iraniana a desembarcar com dois dias de antecedência para jogo em Seattle, mas mantém exigência de expulsão imediata após o apito final
Redação NC News
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Em um desdobramento que mistura os gramados com a alta tensão da geopolítica internacional, o governo dos Estados Unidos decidiu flexibilizar, nesta terça-feira (23), as rígidas restrições de viagem impostas à delegação da seleção do Irã. De acordo com o comunicado oficial emitido pelo Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS), os jogadores e a comissão técnica iraniana receberam autorização especial para desembarcar em solo americano com dois dias de antecedência para o seu próximo compromisso profissional.

A medida alivia uma situação que vinha gerando forte desgaste nos bastidores do principal torneio de seleções do planeta. Até então, por determinação expressa de Washington, o time do Oriente Médio só tinha permissão para cruzar a fronteira e entrar em território americano restando apenas 24 horas para o início de cada partida, fato que vinha provocando protestos públicos e acusações de boicote esportivo.

Por que os Estados Unidos mudaram as regras de viagem?

O estopim para a mudança de postura das autoridades americanas foi a enorme repercussão negativa gerada pelas declarações do comandante técnico da seleção do Irã. Diante do desgaste físico dos atletas, obrigados a fazer viagens de última hora, o treinador disparou publicamente que o Irã vinha sendo tratado como “a seleção mais oprimida de toda a competição internacional”.

Com a alteração do protocolo para a terceira rodada do Grupo C, que acontecerá na cidade de Seattle no próximo dia 26 de junho, o panorama ganha um novo contorno logístico. Um porta-voz do DHS confirmou que a seleção recebeu o sinal verde para entrar no país dois dias antes do confronto decisivo, permitindo ao menos uma noite a mais de descanso e um treino de reconhecimento no estádio.

Qual a regra absoluta que o Irã ainda precisa cumprir?

Apesar do recuo parcial do governo americano, as medidas severas de monitoramento não foram totalmente extintas. A Casa Branca deixou claro que o privilégio concedido se encerra assim que o juiz apitar o final do jogo.

“A seleção iraniana ainda será obrigada a ir embora no mesmo dia em que a partida terminar. As medidas gerais de segurança e o protocolo permanecem os mesmos. Continuamos comprometidos em proporcionar o torneio mais seguro possível para jogadores, comissão técnica e torcedores”, destacou o porta-voz do Departamento de Segurança Interna.

A federação iraniana e a entidade máxima do futebol mundial foram procuradas para comentar a decisão de flexibilização do DHS, mas preferiram não se manifestar em um primeiro momento. Nos bastidores, a federação do Irã já havia ameaçado formalmente acionar o comitê jurídico da entidade internacional devido ao tratamento recebido, já que o elenco é obrigado a manter sua base de treinamentos e concentração na cidade de Tijuana, no México, viajando para os Estados Unidos apenas para jogar.

Como a história começou e qual a brecha de Donald Trump?

Toda essa polêmica esportiva é o reflexo direto de um cenário diplomático tóxico. Os dois países enfrentam fortes tensões bilaterais após um conflito militar e político que já se estende por quase quatro meses na região do Oriente Médio.

Em março deste ano, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou suas prerrogativas de chefe de Estado para ditar as regras de convivência durante o torneio. Na ocasião, Trump declarou publicamente que, embora o Irã fosse legalmente bem-vindo para participar da competição esportiva por ter conquistado a vaga em campo, ele acreditava que não era politicamente apropriado ou seguro que os cidadãos iranianos permanecessem hospedados no país entre uma partida e outra, justificando a proibição “para a própria vida e segurança” da delegação.

O que acontece agora e quais os próximos passos?

Com o aval logístico garantido para o desembarque em Seattle na próxima quinta-feira, o foco da seleção do Irã volta a ser a preparação tática para tentar buscar a classificação nos gramados. As autoridades de segurança do estado de Washington montaram uma operação blindada para acompanhar o trajeto do ônibus da delegação do aeroporto até o hotel e o estádio.

Do lado de fora, diplomatas dos dois países continuam costurando termos para a consolidação do memorando de cessar-fogo assinado na última semana. Espera-se que a bola rolando em Seattle ocorra sem incidentes políticos nas arquibancadas, servindo como mais um teste para a segurança americana na condução da competição internacional disputada também no Canadá e no México.

Entenda o Contexto

O uso do esporte como ferramenta ou extensão de sanções diplomáticas é uma prática que remonta ao período da Guerra Fria, quando boicotes a grandes eventos eram utilizados para marcar posições políticas. No atual cenário, o fato de os Estados Unidos sediarem a competição internacional de seleções concomitantemente com a vigência de uma crise militar com o Irã criou um labirinto jurídico para o Departamento de Segurança Interna. A relevância dessa flexibilização de última hora reside em evitar um escândalo esportivo de proporções globais, garantindo uma falsa isonomia de preparação física para os atletas. Os próximos desdobramentos dependem da capacidade de a segurança americana isolar o sentimento de rivalidade política das quatro linhas, assegurando que o destino do Grupo C seja decidido estritamente pelo talento dos jogadores com a bola nos pés.

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