A devastação provocada pelos fortes terremotos que atingiram a Venezuela ganhou um novo e dramático capítulo neste sábado (27). Com hospitais sobrecarregados e parte da estrutura de saúde comprometida, famílias passaram a transportar, por conta própria, os corpos de parentes até necrotérios da capital, Caracas.
A cena evidencia o colapso enfrentado pelo país após os tremores registrados na última quarta-feira (24), que destruíram bairros inteiros, deixaram milhares de feridos e transformaram cidades como La Guaira em um cenário de devastação.
Um dos episódios mais marcantes ocorreu após o desabamento de um hospital que recebia vítimas dos terremotos. Com a estrutura comprometida e a falta de espaço para armazenar os mortos, familiares passaram a assumir uma tarefa normalmente realizada pelos serviços públicos: transportar os corpos até o Serviço Nacional de Medicina Legal.
Em frente ao necrotério de Caracas, caminhonetes e carros particulares chegaram carregando vítimas envoltas em sacos e lençóis. Funcionários relataram a chegada de centenas de corpos em poucas horas.
Como as famílias estão enfrentando a tragédia?
Entre os relatos mais comoventes está o de uma mãe que precisou retirar sozinha os corpos da filha e do genro, mortos após o prédio onde moravam desabar durante os terremotos.
Sem conseguir atendimento funerário, ela decidiu levá-los em um carro particular até Caracas.
Segundo familiares, a rápida decomposição dos corpos também obrigou muitas famílias a optar pela cremação, já que não seria possível realizar velórios tradicionais.
Além dos danos estruturais causados pelos tremores, a rede hospitalar enfrenta falta de espaço, equipamentos e profissionais.
Relatos indicam que corpos chegaram a permanecer no chão de unidades de saúde por falta de capacidade para armazenamento.
Enquanto isso, hospitais de campanha começam a ser montados com apoio internacional para atender os milhares de feridos. O principal aeroporto do país foi parcialmente reaberto para receber aviões carregados de ajuda humanitária e estruturas médicas móveis.
Qual é a situação da Venezuela?
Os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram a região com menos de um minuto de intervalo.
As áreas mais afetadas ficam no estado de La Guaira, próximo à capital Caracas, onde edifícios residenciais, hospitais e outras construções desabaram completamente.
O número oficial de mortos segue aumentando à medida que equipes de resgate removem os escombros. Também há milhares de feridos, desabrigados e dezenas de milhares de pessoas desaparecidas, segundo estimativas divulgadas por autoridades e organismos internacionais.
Equipes de resgate seguem trabalhando contra o tempo em busca de sobreviventes.
A chegada de ajuda internacional, hospitais de campanha, medicamentos, alimentos e equipamentos de emergência é considerada fundamental para evitar uma crise humanitária ainda maior.
Especialistas alertam que o desafio agora vai além do resgate: será necessário reconstruir hospitais, moradias e a infraestrutura básica das regiões mais atingidas, além de oferecer assistência às milhares de famílias que perderam tudo.
Os terremotos que atingiram a Venezuela estão entre os desastres naturais mais graves da história recente do país. Além do elevado número de vítimas, a destruição da infraestrutura comprometeu hospitais, serviços funerários, rodovias e sistemas de atendimento à população.
Com o avanço das operações de busca, a expectativa é de que o número de mortos continue aumentando. Ao mesmo tempo, governos e organizações internacionais ampliam o envio de ajuda humanitária para enfrentar a crise.