Zverev supera interrupção e faz primeiras quartas em Wimbledon

Após pausa inesperada, Zverev avança às quartas de Wimbledon e enfrenta Taylor Fritz.
Redação NC News
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Aos 29 anos, Alexander Zverev enfim rompe a barreira de Wimbledon. O alemão número 3 do mundo vence Jiri Lehecka em jogo interrompido pelo toque de recolher e se garante, nesta terça-feira (7 de julho de 2026), pela primeira vez nas quartas de final na grama do All England Club.

Vitória em dois atos e regra que entra em quadra

O placar de 6/4, 7/5, 3/6 e 7/6 (8-6), em 3h22 de partida, conta só parte da história. O duelo começa na segunda-feira, 6 de julho, e para às 23h em Londres, quando a legislação local obriga o fim das atividades esportivas. Zverev lidera por 2 sets a 0, com 3/3 no terceiro, quando é chamado ao vestiário.

A interrupção frustra quem lota a Quadra Central e reacende o debate sobre o limite de horário em Wimbledon, um torneio que há anos precisa encaixar programação, TV e regras da cidade. O jogo só recomeça na tarde seguinte, com luz natural, teto aberto e outro clima na grama.

Zverev admite que preferia seguir em frente na noite anterior, mas evita alimentar polêmica. “Claro que eu mudaria isso. Quando você está ganhando por dois sets a zero, 3 a 3 no terceiro, é claro que você quer continuar jogando. Nós, como jogadores, sabemos disso, aceitamos. Não há nada que possamos fazer a respeito”, diz.

Condições mudam, jogo também

Quando os dois voltam à Quadra Central, o cenário é outro. Na véspera, o teto fechado favorece um jogo mais rápido, com bola pesada e pouca interferência do vento. Na terça, o telhado se abre e o alemão sente a diferença.

“A partida teve duas partes. Acho que ambos estivemos fenomenais ontem. Um nível incrivelmente alto. Acho que ambos jogamos quase no nosso máximo. Hoje acho que foi pior, mas não é fácil terminar às 23h e depois voltar em condições completamente diferentes, então foi normal. Estou muito feliz por ter avançado para a próxima rodada em quatro sets”, resume o número 3 do mundo.

Ele se diz mais intrigado pela mudança no teto do que pela pausa em si. “Para mim, a questão do teto foi mais interessante. Eu não sabia que a regra tinha mudado e que teríamos que jogar com o teto aberto no dia seguinte. Isso me pareceu mais interessante porque também mudou a dinâmica da partida. São condições completamente diferentes”, explica.

Na prática, a retomada favorece Lehecka, que mantém a agressividade e assume o controle do terceiro set, vencido por 6/3. O tcheco soma 47 bolas vencedoras ao fim do confronto e pressiona o saque de Zverev, mas paga caro pelo desperdício de oportunidades: converte só 1 de 8 break-points.

Números de candidato a título

Zverev vence porque serve melhor e administra os momentos de pressão. Encerra o jogo com 12 aces, 39 bolas vencedoras e um impressionante aproveitamento de 82% dos pontos quando acerta o primeiro serviço. Sobe 25 vezes à rede e ganha 21 desses pontos, sinal de um plano mais ousado na grama.

Ele próprio aponta a adaptação ao piso como chave para a virada de chave em Londres. “No geral, acho que estou jogando melhor este ano do que no ano passado e nos anos anteriores. Também acho que me adaptei melhor à grama. Definitivamente, ajustei um pouco meu jogo. Não sei se vocês perceberam, mas minha posição de devolução está muito mais próxima da linha de base, às vezes até dentro dela, o que não acontecia nos últimos anos. Me senti mais confiante e confortável ali do que nos últimos anos”, afirma.

O último set resume o risco que corre quem deixa uma partida em aberto. Sem quebras de saque, os dois vão ao tiebreak. Zverev abre vantagem, tem dois match-points e comete uma dupla falta na segunda chance. A tensão aumenta, Lehecka devolve a pressão, mas erra um backhand na rede e entrega o jogo.

A vitória marca a 18ª presença do alemão em quartas de final de Grand Slam. Ele já havia chegado a essa fase cinco vezes no Australian Open, oito em Roland Garros e quatro no US Open. Agora completa a coleção com Wimbledon, onde caíra nas oitavas em 2017, 2021 e 2024 e saíra na estreia no ano passado.

O momento também consolida a recuperação esportiva do campeão olímpico de Tóquio. Depois de finalmente conquistar seu primeiro Grand Slam em Roland Garros 2026, Zverev soma agora onze vitórias seguidas em torneios desse porte.

Fritz pela frente e contas em aberto

O próximo capítulo chega rápido. Nas quartas, Zverev encara o norte-americano Taylor Fritz, sexto cabeça de chave, que vem de vitória em sets diretos sobre Alexander Bublik. O histórico pesa para o lado do rival: Fritz lidera o confronto direto por 10 a 5 e não perde para o alemão desde Roma 2024.

Zverev não tenta dourar os números. “Acho que nas últimas vezes que jogamos, foi bem tranquilo, para ser honesto. Se excluirmos o jogo em Halle, porque tive problemas lá (admiti abertamente, estava com muita dificuldade com o nível de açúcar no sangue), nos outros jogos ele simplesmente foi melhor do que eu. Às vezes é tão simples quanto isso. Ele estava em melhor forma. Jogou melhor do que eu”, admite.

O discurso, porém, vem acompanhado de confiança renovada. O alemão insiste que vive seu melhor momento físico e técnico, especialmente na grama, e se apoia na sequência de bons resultados em Grand Slams para tentar virar a história contra o americano.

Federer na tribuna e bastidores de um dia diferente

A terça-feira em Wimbledon tem ainda um personagem silencioso que ajuda a dimensionar o peso da campanha do alemão. Roger Federer, oito vezes campeão na grama inglesa, aparece na tribuna de honra para acompanhar a vitória de Jasmine Paolini e circula pelos camarotes do All England Club.

Zverev nota a presença do suíço e conta, sorrindo, a cena que o impressiona. “Sim, eu vi. Em um dado momento, ele estava sentado completamente sozinho no camarote real. Acho que foi uma visão fenomenal. Mas eu também o vi antes da partida. Ele me parabenizou por Roland Garros; foi muito gentil da parte dele ficar”, relata.

A combinação de elogios de um ídolo, vitória em jogo dividido em dois dias e classificação inédita em Wimbledon reforça a narrativa de maturidade que acompanha Zverev desde o título em Paris. O alemão fala em “dia de treino normal” após a suspensão, minimiza o impacto de acordar em horário pouco usual e insiste em tratar a pausa como parte do trabalho.

Enquanto o torneio discute nos bastidores o equilíbrio entre tradição, toque de recolher e partidas noturnas na Quadra Central, Zverev se concentra em outra fronteira. Se passar por Fritz, aproxima-se ainda mais de um título em Londres que pode consolidá-lo como protagonista absoluto da temporada e aquecer o mercado de patrocínios e transmissões em torno de seu nome. A grama, que por anos foi o ponto cego do seu currículo, deixa de ser território hostil e passa a ser, pela primeira vez, um cenário plausível de consagração.

Como foi a partida de Alexander Zverev em Wimbledon que precisou ser suspensa?

O jogo contra Jiri Lehecka começou em 6 de julho de 2026, na Quadra Central, e foi interrompido às 23h, por causa do toque de recolher em Londres. Zverev vencia por 2 sets a 0 e 3/3 no terceiro quando a partida parou. No dia seguinte, com o teto aberto, Lehecka reagiu, levou o terceiro set, mas o alemão fechou em 6/4, 7/5, 3/6 e 7/6 (8-6), após 3h22 de confronto.

Qual a importância da classificação de Zverev para as quartas de final em Wimbledon?

A vaga representa a primeira vez de Zverev nas quartas em Wimbledon e completa o ciclo de quartas em todos os Grand Slams da carreira. Ele soma agora 18 presenças nesse estágio, reforça o momento após o título de Roland Garros e amplia a percepção de que é candidato real ao título na grama, o que impacta sua visibilidade, poder de mercado e peso esportivo no circuito.

Quais desafios Zverev enfrentou para chegar às quartas de final em Wimbledon nesta temporada?

Ele lidou com o histórico negativo no torneio, onde parara três vezes nas oitavas e saíra na estreia em 2025, e precisou administrar um jogo quebrado em dois dias, com mudança de teto e de condições. Também enfrentou a reação agressiva de Lehecka, que fez 47 bolas vencedoras, e a pressão de um tiebreak tenso no quarto set, em que cometeu dupla falta em match-point antes de fechar a vitória.


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