Celina Leão tira verba de hospitais e turbina transporte rural em R$ 24 milhões sob suspeita de conflito de interesses

Documentos oficiais mostram que o GDF cancelou verbas para hospitais e Polícia Militar enquanto destinou R$ 24,8 milhões ao transporte público, setor que está no centro de questionamentos envolvendo a governadora.
Redação NC News
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Sob um remanejamento de R$ 60 milhões no Orçamento,  o Governo do Distrito Federal (GDF) tirou dinheiro de equipamentos de hospitais e segurança pública para aumentar verbas do transporte público, setor que virou o centro de denúncias de conflito de interesses envolvendo a chefe do Executivo.

Os detalhes publicados no Diário Oficial do DF (DODF) revelam uma engenharia contábil que gera questionamentos. A manobra ocorre exatamente em um momento de extrema sensibilidade política para a governadora, que passou a ser investigada pelo Ministério Público por manter uma sociedade agropecuária privada de R$ 500 mil com o empresário Edmundo Pinheiro, controlador da Urbi, uma das gigantes do transporte coletivo da capital.

O ‘pulo do gato’ de R$ 24,8 milhões

A maior movimentação financeira do pacote de R$ 60 milhões foi direcionada ao sistema de transporte. Ao cruzar os anexos de cancelamento e suplementação do decreto, descobre-se o envio exato de R$ 24.808.360,00.

O governo retirou essa dinheirama da rubrica geral de “Manutenção do Equilíbrio Financeiro do Sistema de Transporte Público Coletivo” — de onde saem os subsídios mensais pagos a empresas como a Urbi — e injetou cada centavo na subcategoria específica de “Sistema de Transporte Público Complementar Rural”.

A mudança de destino pode camuflar benefícios diretos a frotas específicas operadas pelos mesmos grupos econômicos ou burlar regras de teto de subsídio tarifário. Questionada oficialmente se a Urbi tem interesses nessas rotas rurais, a Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob) preferiu o silêncio e não enviou resposta.

A ‘faca’ na Saúde e Polícia

Para fechar a conta do pacote de créditos — que ainda incluiu repasses para a Novacap e para a Secretaria da Mulher —, o GDF passou a faca em áreas vitais que já enfrentam colapso no Distrito Federal:

  • Saúde em risco: Em meio a denúncias de negligência e mortes de grávidas por falta de atendimento, o governo cancelou mais de R$ 2,3 milhões da Saúde. O corte atingiu a compra de equipamentos para hospitais, elaboração de projetos e a conservação de estruturas físicas das unidades.
  • Segurança desarmada: A Polícia Militar teve anulados R$ 600 mil que estavam previstos em orçamento para a modernização e o reequipamento do policiamento ostensivo nas ruas. Parte dos recursos do remanejamento retornou para a corporação, mas carimbada apenas para bancar serviços burocráticos e administrativos.

Enquanto a infraestrutura dos hospitais perdia mais de R$ 2 milhões, o governo transferiu R$ 9,5 milhões para a NOVACAP gastar, dividindo o montante entre a “manutenção de serviços administrativos gerais” e a “reforma de prédios e próprios”. A Secretaria de Economia do DF foi cobrada a explicar o critério de prioridades, mas também não se manifestou.

Falta de planejamento

A pressa em aprovar o remanejamento milionário expôs uma grave desorganização interna no Palácio do Buriti. No mesmo ato de sanção da lei, a própria governadora Celina Leão foi obrigada a vetar anexos de autoria do seu próprio Poder Executivo, que previam cortes de repasses para a Secretaria de Meio Ambiente e manutenção do Jardim Botânico.

O vaivém de vetos para impedir os próprios cortes evidencia a falta de sintonia entre a equipe econômica e o gabinete principal do governo na hora de planejar o dinheiro público. Com o documento oficial escancarado, o caso agora deve ser encaminhado para auditoria detalhada no Ministério Público de Contas, aumentando a pressão sobre a gestão e as prioridades do GDF em pleno ano eleitoral.

 

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