A crise envolvendo Michelle Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o senador Eduardo Girão (Novo-CE) ganhou um novo capítulo neste sábado (18). Em entrevista exclusiva ao NC News, Girão comentou pela primeira vez o episódio que expôs divergências dentro do campo conservador e afirmou que a reação da ex-primeira-dama foi motivada por uma cobrança de coerência diante das negociações para uma possível filiação de Ciro Gomes ao PL no Ceará.
Apontado por aliados como um dos protagonistas do impasse, o parlamentar negou ter incentivado qualquer divisão na direita e disse que sua atuação sempre buscou o diálogo.
“Eu nasci para tentar dar a minha colaboração pela paz, sempre. Jamais quero confusão. O que aconteceu foi uma catarse naquele dia, extremamente natural.”
Por que Michelle Bolsonaro entrou no debate?
Segundo Girão, Michelle Bolsonaro apenas expressou uma preocupação compartilhada por parte do eleitorado conservador diante da possibilidade de o PL receber um político historicamente identificado com a esquerda.
Na avaliação do senador, a ex-primeira-dama demonstrou coragem ao defender aquilo que considera coerência partidária.
“A Michelle Bolsonaro cobrou a questão da coerência com muita coragem e integridade que ela tem.”
Questionado sobre um possível alinhamento com Michelle no embate interno, Girão evitou falar em lados, mas voltou a direcionar críticas ao diretório estadual do PL.
“Não é questão de ter lado. Tem pessoas que se passam pela direita. O PL do Ceará mostrou que não é de direita.”
Ciro Gomes no PL é alvo das críticas
O ponto central da crise continua sendo a articulação para uma possível filiação de Ciro Gomes ao Partido Liberal no Ceará.
Para Eduardo Girão, a aproximação representa um acordo político que ignora diferenças ideológicas em troca de interesses eleitorais.
“Está muito claro que é um conchavo. É um projeto de poder pelo poder. Aquela política do tomar lá, dá cá.”
O senador também relembrou a trajetória política de Ciro Gomes para justificar sua posição contrária à filiação.
Segundo Girão, o ex-ministro esteve ao lado de governos petistas em momentos decisivos e sempre defendeu pautas incompatíveis com o discurso conservador.
“O Ciro Gomes é esquerda raiz. Foi ministro do Lula, disse que o impeachment da Dilma foi golpe e já votou no Lula. Como alguém que é de direita apoia uma pessoa que representa mais do mesmo?”
Até o momento, Ciro Gomes não se filiou ao PL.
Girão mantém candidatura ao Governo do Ceará
Pré-candidato ao Governo do Ceará, Eduardo Girão afirmou que continuará na disputa, mesmo sem o apoio do PL estadual.
Segundo ele, existe uma tentativa de enfraquecer candidaturas alternativas no estado.
“O que eles querem é que a gente desista. O que eles querem é que a gente tire o time para deixar eles se perpetuarem no poder. Nós vamos apresentar uma alternativa para o povo cearense.”
Como fica a relação com Bolsonaro?
Apesar das divergências envolvendo integrantes do PL, Girão afirmou que mantém diálogo com Jair Bolsonaro e outras lideranças do campo conservador.
O senador também reforçou que continuará fazendo oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e defendeu a união da direita em torno de princípios, e não apenas de alianças eleitorais.
Zema volta a aparecer como opção para 2026
Durante a entrevista, Girão voltou a citar o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), como um nome competitivo para a disputa presidencial de 2026.
Na avaliação do senador, o país precisa de uma candidatura independente das estruturas tradicionais de poder.
“A gente tem nomes como Zema, que ninguém pega na munheca dele, que não tem rabo preso com ninguém e está enfrentando os poderosos antes mesmo de ter mandato nacional.”
Ele também criticou o chamado voto útil no primeiro turno e defendeu que o eleitor escolha o candidato com quem mais se identifica.
“Essa é a nossa Copa do Mundo. A gente precisa ter serenidade e responsabilidade para vestir a camisa certa e fazer o voto certo.”