O Instituto Quaest coloca em campo, nesta reta final de julho, uma bateria de pesquisas que promete redesenhar o tabuleiro eleitoral de 2026 em Minas, São Paulo e no país. Os levantamentos medem intenção de voto para governador, Senado e Presidência, além de aprovação de governos e temas sensíveis como segurança, saúde e o Supremo.
Minas testa força de Patrus após escolha do PT
Em Minas Gerais, a pesquisa que a Quaest divulga nos próximos dias é o primeiro grande teste da aposta do PT no deputado federal Patrus Ananias para o governo. O partido entra na disputa sob pressão por mostrar que ainda tem lastro no segundo maior colégio eleitoral do país.
O levantamento, feito por entrevistas presenciais e domiciliares, se apoia em 1.482 eleitores mineiros. “O levantamento se baseará em 1.482 entrevistas, com margem de erro de três pontos percentuais”, registra a documentação da sondagem. O desenho técnico confere musculatura estatística aos números que vão pautar campanhas e alianças.
A pesquisa mede cenários de primeiro turno com Patrus e rivais já colocados, como Alexandre Kalil (PDT), Cleitinho (Republicanos) e Mateus Simões (PSD). Também projeta duelos de segundo turno entre eles, incluindo embates diretos de Patrus com Cleitinho e com Simões.
Os dados mineiros vão além da sucessão estadual. A Quaest atualiza ainda as intenções de voto para as duas vagas de senador em disputa no estado, ponto-chave para a estratégia das siglas nacionais. Quem liderar essa corrida tende a se tornar puxador de votos e a definir o rumo de coligações locais.
Dentro do PT, o resultado funciona como termômetro imediato da escolha de Patrus. Um desempenho competitivo fortalece o plano de transformar Minas em vitrine do campo progressista. Números fracos podem reabrir conversas com antigos aliados e forçar recuos táticos em coligações proporcionais.
São Paulo mira reeleição de Tarcísio e disputa pelo Senado
Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, a Quaest conclui nesta semana o trabalho de campo de uma pesquisa contratada pelo Banco Genial. O instituto ouve 1.650 eleitores paulistas, em entrevistas presenciais, com foco no governo estadual, Senado e corrida presidencial.
O desenho técnico é mais apertado. “A margem de erro máxima prevista é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%”, informa o questionário registrado. O padrão metodológico reforça a credibilidade do estudo entre campanhas, mercados e analistas.
No Palácio dos Bandeirantes, o levantamento testa um cenário de primeiro turno com Tarcísio de Freitas (Republicanos), Fernando Haddad (PT) e nomes de partidos menores da esquerda. A Quaest também simula o segundo turno entre Tarcísio e Haddad, confronto visto como o mais provável hoje pelos dois campos.
A pesquisa investiga ainda a avaliação do governo Tarcísio e a percepção sobre sua eventual reeleição. O questionário entra nos temas que mais afetam o cotidiano: saúde, educação, segurança pública, transporte e emprego. Cada um desses indicadores ajuda a calibrar a estratégia do governador e dos adversários, que tendem a concentrar fogo onde a rejeição é maior.
No Senado, a disputa por duas vagas expõe a fragmentação do campo paulista. A Quaest mede conhecimento, potencial de voto e rejeição de nomes como André do Prado (PL), Guilherme Derrite (PP), Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB), Ricardo Salles (Novo) e outros aliados e opositores de Lula e de Bolsonaro.
O questionário separa as preferências dos eleitores para a primeira e a segunda vaga e testa cenários com todos os pré-candidatos e com a retirada de um deles. A pesquisa também quer saber se o voto para senador é definitivo e se o eleitor prefere nomes alinhados ao presidente Lula, ao ex-presidente Jair Bolsonaro ou independentes.
Outro ponto sensível é a disposição do paulista em apoiar candidatos ao Senado que defendam o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. A resposta a essa pergunta ajuda a medir a temperatura da opinião pública em relação ao STF e pode influenciar o tom dos discursos de campanha.
Lula abre vantagem sobre Flávio Bolsonaro no cenário nacional
No plano nacional, a Quaest já coloca na mesa um dado concreto: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece à frente do senador Flávio Bolsonaro em cenários de primeiro e segundo turno para a Presidência. “O presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) abriu vantagem em relação ao senador Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro e em um eventual segundo turno para a Presidência da República”, registrou a divulgação do instituto neste mês.
O levantamento é o primeiro após a revelação de diálogos entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, somados ao impacto de medidas do governo Donald Trump sobre o Brasil, com possibilidade de novas tarifas. O conjunto de fatores pressiona o campo bolsonarista e oferece munição política ao Planalto.
A pesquisa nacional não se limita à fotografia Lula x Flávio. A Quaest testa outros presidenciáveis, como Romeu Zema, Ronaldo Caiado e nomes de partidos médios e pequenos, mede potencial de voto, rejeição e avaliação do governo federal. Os dados ajudam a definir se a eleição tende a uma polarização renovada ou se abre espaço para uma terceira via consistente.
Para o mercado e para setores empresariais, a vantagem de Lula indica, neste momento, um cenário de continuidade, ao menos na cabeça do eleitor. Para o PL e aliados, o recado é mais duro: é preciso reorganizar a narrativa, conter danos das investigações envolvendo a família Bolsonaro e buscar novos palanques estaduais fortes.
Estratégias em revisão e termômetro até outubro
A combinação das pesquisas em Minas, São Paulo e no plano nacional altera a dinâmica de praticamente todos os grandes partidos. Em Minas, o desempenho de Patrus influencia o nível de investimento que o PT e aliados destinam ao estado. Em São Paulo, a fotografia sobre Tarcísio e o Senado orienta o quanto o bolsonarismo amarra sua estratégia ao governador ou busca alternativas.
As campanhas ajustam discurso, priorizam regiões e reavaliam alianças à medida que os números chegam. Prefeitos e lideranças locais, atentos aos dados de aprovação e rejeição, decidem com quem sobem no palanque. A mídia e o mercado acompanham de perto, em busca de sinais sobre a composição do próximo mapa de poder em Brasília.
A Quaest entra na fase decisiva do ciclo eleitoral com pesquisas de margem de erro entre dois e três pontos percentuais e nível de confiança de 95%, padrão que torna seus levantamentos referência para partidos de diferentes campos ideológicos. Até a votação, a expectativa é de novas rodadas em série, capazes de registrar viradas, consolidações e tropeços.
O efeito imediato das próximas divulgações tende a aparecer nas declarações públicas de Lula, Flávio Bolsonaro, Tarcísio, Patrus e demais pré-candidatos. O efeito duradouro, porém, se verá nas alianças que resistirem às tempestades das pesquisas e chegarem inteiras ao dia da escolha nas urnas.
Quem é o dono da Quaest?
A Quaest é um instituto privado de pesquisa de opinião e consultoria, fundado e controlado por sócios do próprio grupo, sem vínculo formal com partidos.
A pesquisa Quaest é confiável?
Os levantamentos usam amostras presenciais, margens de erro de dois a três pontos percentuais e nível de confiança de 95%, padrão considerado robusto no meio acadêmico e eleitoral.
O que é a pesquisa Genial/Quaest?
É o nome dado às pesquisas em que o Banco Genial contrata a Quaest para realizar levantamentos, como o estudo atual sobre o cenário eleitoral em São Paulo.
Qual o cenário da Quaest para Lula na eleição de 2026?
A pesquisa nacional mais recente indica Lula à frente de Flávio Bolsonaro em simulações de primeiro e segundo turno, reforçando a posição do presidente na disputa.