A divulgação da mais recente pesquisa BTG Nexus, que apontou que 50% dos brasileiros afirmam não votar em Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial, acendeu um alerta entre aliados do ex-senador.
Apesar do índice de rejeição, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), acredita que ainda há tempo para reverter o cenário e sustenta que a campanha deve concentrar esforços na comparação entre os governos do PT e as administrações da direita.
Em entrevista ao NC News, Nunes afirmou que o momento ainda não é definitivo e lembrou que pesquisas realizadas meses antes das eleições nem sempre refletem o resultado das urnas.
“Se você pegar a eleição de 2018, também tinha uma situação dessa. Está cedo ainda, nós temos dois meses e dez dias. O que a gente precisa é mostrar para a população que o governo do PT, que está há 20 anos governando, está deixando o país numa situação cada dia pior.”
Prefeito defende campanha baseada na economia
Segundo Ricardo Nunes, a principal estratégia para reduzir a rejeição ao pré-candidato será concentrar o debate na economia e nos indicadores do país.
Durante a entrevista, o prefeito fez críticas à condução econômica do governo federal e afirmou que a campanha deverá destacar temas como responsabilidade fiscal, endividamento da população, crescimento econômico e geração de empregos.
“Nós já fomos a sétima economia do mundo. Agora, na gestão do PT, estamos caminhando para a décima primeira. Estamos diminuindo a nossa condição de grande país.”
Nunes também afirmou que o Brasil enfrenta um cenário de elevado endividamento das famílias e risco de desaceleração econômica.
“Hoje temos mais de 80% dos brasileiros endividados, 73 milhões de brasileiros inadimplentes. A economia não está indo bem e existe um risco muito grande de entrarmos numa recessão pelo desrespeito às questões fiscais.”
Críticas aos gastos públicos
Outro ponto destacado pelo prefeito durante a entrevista foi a política fiscal do governo Lula.
Segundo Nunes, o aumento da dívida pública e dos gastos federais deverá fazer parte do discurso da campanha.
“É um país sem responsabilidade fiscal. Isso vai gerar consequências e quem vai sofrer será principalmente a população mais pobre.”
Ao comparar diferentes governos, o prefeito também afirmou que a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro entregou uma relação entre dívida e Produto Interno Bruto (PIB) inferior à atual, mesmo após o período da pandemia.
“A gente precisa mostrar para as pessoas que não é essa gastança, esse monte de viagens, essa falta de responsabilidade fiscal que vai levar o Brasil para frente. Isso pode nos levar para um abismo.”
Tarcísio e Prefeitura de São Paulo devem servir de vitrine
Ricardo Nunes afirmou ainda que pretende usar como exemplo os resultados da gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e da Prefeitura de São Paulo para convencer o eleitorado.
Segundo ele, os investimentos realizados com equilíbrio fiscal podem servir de contraponto ao modelo defendido pelo governo federal.
“É possível mostrar o exemplo do governador Tarcísio e também do nosso governo em São Paulo. Estamos batendo recordes de investimento, mas com austeridade fiscal, melhorando a qualidade de vida das pessoas.”
Na avaliação do prefeito, a campanha terá a missão de convencer os eleitores de que um novo modelo econômico pode oferecer melhores condições para as famílias brasileiras.
“Quando as pessoas entenderem isso, tenho certeza de que vão escolher o caminho que ofereça melhores condições de vida para suas famílias, e não um caminho que leve o país para um abismo.”
Pesquisa aumenta pressão sobre a campanha
O levantamento do BTG Nexus colocou a rejeição de Flávio Bolsonaro entre os principais desafios da pré-campanha presidencial. Embora pesquisas de rejeição não determinem o resultado da eleição, elas são acompanhadas de perto por partidos e estrategistas porque ajudam a medir o potencial de crescimento de um candidato durante a campanha.
Aliados do senador avaliam que a exposição na propaganda eleitoral, nos debates e nas agendas pelo país poderá reduzir esse índice nos próximos meses, enquanto adversários entendem que o cenário representa um obstáculo importante para a disputa.
ENTENDA O CONTEXTO
Pesquisas eleitorais costumam medir dois indicadores distintos: a intenção de voto e a rejeição. Enquanto a intenção de voto mostra em quem o eleitor pretende votar naquele momento, a rejeição indica o percentual de pessoas que afirmam não votar em determinado candidato de forma alguma. Ao longo da campanha, esses índices podem oscilar conforme a exposição dos candidatos, o desempenho nos debates, a propaganda eleitoral e os acontecimentos políticos. É nesse cenário que Ricardo Nunes aposta que Flávio Bolsonaro terá espaço para reduzir sua rejeição e ampliar o apoio do eleitorado antes da votação.