Um grupo formado por ex-ministros, empresários, economistas, juristas e representantes da sociedade civil divulgou neste domingo (13) uma carta de apoio ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, diante da crise instalada na Corte. O documento reúne 198 assinaturas e respalda as medidas adotadas pelo ministro para conduzir as apurações dos fatos revelados nas últimas semanas.
A manifestação ocorre a dois dias da sessão do plenário marcada para terça-feira (15), quando o STF deve analisar a investigação relacionada à atuação do ministro Alexandre de Moraes e à sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, personagem central do caso Banco Master. Os signatários defendem que a sessão seja pública e que as investigações tenham ampla transparência.
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Entenda O Que Aconteceu
A carta é endereçada diretamente a Fachin e manifesta apoio às medidas tomadas pelo presidente do STF para preservar a autoridade da Corte e garantir uma apuração considerada rigorosa e imparcial das acusações que vieram a público.
Entre os signatários estão o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, o economista Pérsio Arida, a ex-presidente do BNDES Maria Silvia Bastos Marques, o ex-presidente da Fiesp Josué Gomes e o professor e líder sindical Clemente Ganz Lúcio.
Carta Classifica Momento Como Grave Crise Do Supremo
O documento afirma que o STF atravessa a “mais grave crise da história” da instituição e sustenta que a apuração dos fatos e eventual responsabilização de quem tenha violado a lei são necessárias para recuperar a confiança nas instituições.
O grupo também defende reformas institucionais urgentes no Supremo, com medidas destinadas a fortalecer decisões colegiadas, assegurar a imparcialidade dos julgamentos, prevenir conflitos de interesse e estabelecer padrões mais rigorosos de conduta.
Signatários Pedem Mais Transparência No STF
Outro ponto central do manifesto é a cobrança por maior transparência e controle sobre a atuação da Corte.
Os signatários afirmam que a jurisdição do Supremo não pode ser capturada por interesses pessoais, políticos ou econômicos. Também defendem que a sessão de terça-feira seja realizada publicamente, conforme as regras constitucionais de publicidade dos julgamentos.
Fachin Assume Investigação Ligada A Moraes E Vorcaro
A carta surge após uma série de decisões tomadas por Fachin. No sábado (12), o presidente do STF assumiu a relatoria do procedimento que apura a relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, substituindo André Mendonça na condução do caso.
Fachin também determinou o envio das íntegras de processos relacionados às investigações do Banco Master e do INSSe pediu à Polícia Federal informações sobre o conteúdo extraído do celular de Vorcaro, apreendido em 2025.
Neste domingo, a Polícia Federal informou ao Supremo que possui condições técnicas para produzir e encaminhar cópias da extração do aparelho aos gabinetes dos ministros que solicitaram acesso, respeitando as cautelas de sigilo aplicáveis.
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Grupo Já Discutia Reação À Crise
A articulação que resultou no documento vinha sendo construída nos últimos dias. Parte dos integrantes participou de uma reunião por videoconferência para discutir propostas de reforma e fortalecimento institucional do Judiciário.
Segundo a Folha, a ideia da carta surgiu durante essa reunião por iniciativa do ex-ministro da Justiça Miguel Reale Jr.. O grupo reúne integrantes de diferentes posições políticas, incluindo nomes que estiveram em campos opostos durante o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.
Entenda O Contexto
A crise no STF se intensificou com os desdobramentos das investigações envolvendo o Banco Master, Daniel Vorcaro e integrantes da Corte. As divergências entre ministros também passaram a envolver decisões relacionadas à Polícia Federal e ao acesso a informações apreendidas durante as investigações.
Fachin decidiu manter na pauta de terça-feira (15) a análise da investigação relacionada à atuação de Alexandre de Moraes e sua relação com Vorcaro. Já o caso envolvendo André Mendonça deverá ser analisado posteriormente, em 23 de setembro.
A sessão de terça-feira, portanto, será um dos principais momentos da crise institucional enfrentada pelo Supremo e poderá definir os próximos passos das apurações.
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