Lula sanciona lei que destina parte da arrecadação das bets para a Polícia Federal

Nova lei determina que parte da arrecadação das apostas esportivas seja destinada ao Fundo da Polícia Federal, com repasses graduais até 2028
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta quinta-feira  (30) uma nova lei que mexe diretamente na arrecadação do mercado de apostas de cota única, as populares bets. A partir de agora, parte do dinheiro arrecadado com essas apostas esportivas online será direcionado para reforçar o orçamento da Polícia Federal (PF).

A medida, fruto da conversão da Medida Provisória 1.348/2026 no Projeto de Lei de Conversão (PLV) nº 8/2026, traz mudanças na distribuição de recursos das apostas e amplia o financiamento para a segurança pública federal.

Na prática, qual vai ser a diferença?

A principal mudança está no destino do dinheiro arrecadado com as bets. Antes da nova lei, a fatia da arrecadação das casas de apostas que cabia ao governo, ia integralmente para a seguridade social (saúde e previdência). Agora, essa verba será gradualmente redirecionada para o Fundo para Aparelhamento e Operacionalização das Atividades-fim da Polícia Federal (Funapol).

O que muda:

  • Fatia para a Polícia Federal: As bets passarão a repassar até 3% da sua arrecadação total para o fundo da PF
  • Corte na taxa dos operadores: Para garantir a verba da PF sem aumentar os impostos sobre o apostador, a parcela destinada à cobertura de despesas das empresas operadoras  das apostas será reduzida na mesma proporção
  • Novas fontes para o Funapol: Além das bets, o fundo da PF poderá receber doações de pessoas físicas e jurídicas, transferências de estados/municípios e verbas internacionais voltadas ao combate ao crime organizado

O que não muda: 

  • Apostadores e prêmios: As regras para o pagamento de prêmios aos apostadores e a cobrança do Imposto de Renda sobre a premiação continuam exatamente as mesmas.
  • Fatia maior dos operadores: A maior parte dos recursos arrecadados com o mercado de apostas (85%) permanece com as empresas operadoras. Projetos sociais, como escolas de educação básica e técnicas, também continuam recebendo suas parcelas previstas em lei.

Transição será gradual até 2028

Para evitar impactos repentinos no setor, a transferência dos recursos das bets para a Polícia Federal será feita em etapas ao longo dos próximos três anos:

  • 2026: Repasse de 1% da arrecadação
  • 2027: Repasse de 2% da arrecadação
  • 2028 em diante: Repasse fixado em 3% da arrecadação

Além dessa porcentagem contínua, a lei autoriza o governo federal a fazer um reforço extra no orçamento do Funapol ainda em 2026, repassando até R$ 200 milhões com recursos do Tesouro Nacional.

Como a Polícia Federal se beneficia?

O Funapol é o fundo criado em 1997 para financiar a infraestrutura, a compra de equipamentos e as operações da PF. Tradicionalmente, ele é abastecido pelas taxas cobradas na emissão de passaportes, emissão de porte de armas e inscrições de concursos públicos na corporação.

Com os novos recursos vindos do mercado de apostas, a PF poderá arcar com despesas voltadas ao cuidado e suporte de seus agentes.

  • Auxílio-saúde e bem-estar: O dinheiro será investido diretamente na assistência médica e na cobertura de saúde dos servidores da PF e de suas famílias – medida que deve beneficiar cerca de 30 mil famílias
  • Futuras horas extras: A nova legislação deixa aberta a possibilidade do custeio de retribuição por atividades extraordinárias (trabalho além da jornada padrão), caso o pagamento venha a ser regulamentado por lei no futuro.

Durante a cerimônia no Palácio do Planalto, o diretor geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, destacou o impacto do projeto para a corporação.

“Instituições fortes se constroem com pessoas saudáveis, motivadas e reconhecidas”, afirmou.

Entenda o caminho da lei

A proposta foi elaborada conjuntamente pelo Ministério da Fazenda e pelo Ministério do Planejamento e Orçamento. Após ser aprovada pelo Congresso Nacional (Câmara dos Deputados e Senado) no início de julho, seguiu para sanção presidencial.

Ao assinar o texto, o presidente Lula ressaltou que a medida foi desenhada pelo próprio Poder Executivo para garantir o equilíbrio fiscal dos ministérios e assegurar o fortalecimento financeiro contínuo da corporação.

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